A estética é um dos principais motivos de compra deste SUV de segmento B, pelo que a Jeep optou por não mexer demasiado, não fosse isso diminuir-lhe os índices de atração. No entanto, há a destacar a grelha dianteira redesenhada e os novos grupos óticos integramente compostos por LED – de série no nível de equipamento Limited do carro que testámos –, enquanto atrás, a única novidade encontra-se nos novos farolins também dotados de tecnologia LED, igualmente incluídos no Pack Full LED. Mas muito mais importantes, como já denunciámos na entrada, são as novas mecânicas turbo a gasolina, a saber: 3 cilindros 1.0 turbo de 120 cv e 4 cilindros turbo de 1,3 litros com 150 ou 180 cv, ambas com 270 Nm de binário máximo.
Testámos a nova versão Renegade S, equipado com a versão menos potente do 1.3 turbo, acoplado à transmissão automática DDCT de seis velocidades e que tem preço superior em cerca de 10.000 € à versão-base, o que é justificado com importante incremento de equipamento. A mecânica tem, naturalmente, maior pujança do que o 3 cilindros de 1 litro e 120 cv que testámos há alguns meses, mas o desempenho da caixa automática desilude e castra aquilo que de bom se poderia extrair do 1.3, pois o efeito kick-down não existe e as relações mantém-se durante demasiado tempo, deixando o motor vazio e a subir a rotação sem fazer as rodas movimentarem-se mais depressa enquanto seleciona nova velocidade. As trocas em si são rápidas, mas a hesitação acaba por diminuir a fluidez e a agradabilidade da condução e as prestações não são tão boas quanto seriam se a caixa fosse mais expedita a decidir-se pelas trocas. Prova disso é o pouco convincente resultado de 9,9 segundos no arranque 0-100 km/h. Com 150 cv, esperava-se um pouco melhor. Curiosamente, e ainda que o valor do binário máximo não seja impressionante, as retomas são razoáveis. Menos razoável é o consumo médio de 8,3 l/100 km, longe dos 6,4 l/100 km anunciado pelo fabricante.
O Renegade tem suspensão bem calibrada, oferecendo bons níveis de conforto (que as jantes de 19 polegadas de série não penalizam) e comportamento dinâmico de eficácia pouco habitual num automóvel com tão elevado centro de gravidade. Gostámos ainda da direção direta que permite colocar com facilidade o carro em curva quando subimos um pouco o ritmo em traçados sinuosos. É também nessas circunstâncias que percebemos que a carroçaria oscila pouco nas viragens, comprovando o bom nível de segurança.
Tudo isto é percebido a partir de um posto de condução correto, onde acedemos facilmente aos comandos relativos aos sistemas de segurança e de informação. Quanto aos materiais, encontramos um misto de materiais bons com outros menos bons. Vejamos: a moldura da instrumentação em plástico parece baratucha, mas por outro lado, a zona superior das portas apresenta revestimento em borracha de qualidade razoável, ainda que na secção inferior das portas o plástico rijo volte a ser o material escolhido. Depois, na consola central, só há plástico, embora não pareça de má qualidade. De elogiar a solidez global, com nota menos positiva para o acabamento entre o teto e o pilar A e o teto e o vidro dianteiro.
O Jeep Renegade com motor 1.3 turbo e caixa automática DDCT não será o mais adequado para quem gosta de acelerar, em virtude das indecisões da transmissão, mas convence pela suavidade e quietude. Aplauso para a suspensão bem calibrada e para o habitáculo aprazível, globalmente sólido e com sistema multimédia completo e intuitivo. Gostámos ainda do conforto de rolamento e da eficácia dinâmica, bem como do farto nível de equipamento Limited S.