Na nova geração do S7, a versão mais desportiva do executivo da Audi, a marca alemã contrariou a tendência e apostou em mecânica V6 Diesel com 349 cv e 700 Nm que recorre a um mais eficiente compressor elétrico (EPC) associado a um sistema elétrico primário de 48 V (MHEV).
A ideia desta solução é melhorar as respostas da mecânica e, ao mesmo tempo, incrementar a eficiência. Ou seja, fazer com que o S7 Sportback ande mais, gastando menos. A entrega do grande volume de potência é feita através da caixa de velocidades automática de oito velocidades tiptronic e de sistema de tração integral quattro. Na faixa de regime entre 2500 e 3100 rpm, a combinação do EPC e do turbocompressor permite um aumento instantâneo e uniforme do binário até ao pico máximo de 700 Nm, eliminando o denominado turbo-lag, o hiato de resposta plena do turbo comum, proporcionando, ao mesmo tempo, elasticidade e suavidade na entrega de potência, tão benéfica para as altas performances, como para a utilização quotidiana do automóvel, a mais baixas rotações do motor. Enquanto o EPC aumenta o desempenho do motor, o sistema MHEV ajuda a reduzir o consumo de combustível, segundo a Audi até 0,4 litros/100 km. Para isso contribui a capacidade de o dispositivo permitir aos novos Audi S TDI deslocarem-se até 40 segundos com o motor desligado a velocidades entre 55 e 160 km/h e de otimizar ainda os proveitos da travagem regenerativa.
Os resultados de toda esta teoria estão na ficha técnica, mais concretamente no espaço reservado às medições que efetuámos, onde se encontra inscrito o registo da aceleração 0-100 km/h em 4,9 segundos (o launch-control a funcionar tirou 0,2 s ao tempo de fábrica), 0-160 km/h em 11,7 s ou 0-200 km/h em 19,5 s. Registos sem dúvida impressionantes para berlina a gasóleo com mais de duas toneladas. E as retomas também não ficam atrás, como bem exemplifica a recuperação 60-100 km/h em 2,7 s. Naturalmente, estas prestações são efetuadas no modo Dynamic – um dos cinco à disposição; os outros são Efficiency, Comfort, Auto e Individual – , que torna o acelerador mais reativo e as passagens da caixa Tiptronic (que prima pela suavidade) mais rápidas. Na opção mais conversadora, Efficiency, não é disfarçado o hiato do turbo quando aceleramos a fundo, pelo que a correspondente aceleração sofre um atraso algo pronunciado se tivermos em conta que debaixo do capot está um V6 com 349 cv e 700 Nm...
Mas as boas prestações são apenas parte das virtudes desta mecânica e às quais é preciso acrescentar a suavidade e a quietude de funcionamento (a sonoridade do escape torna-se agradavelmente mais grave no modo Dynamic) e, pasme-se, a economia. Não temos a ilusão de que o leitor considere que a média por nós apurada de 10,1 litros a cada cem quilómetros seja um valor económico, mas pedimos-lhe que leve em consideração as circunstâncias especiais da potência, prestações e peso. Contas feitas, parece-nos que um valor médio em torno dos 10 litros não deve ser considerado como muito exagerado.
O S7 Sportback TDI conta, de série, com suspensão desportiva S sport com controlo de amortecimento, direção às quatro rodas e discos de travão ventilados. A suspensão desportiva S foi desenvolvida especificamente para as versões S e rebaixa a altura ao solo em em 10 mm no S7 Sportback. A condução deste enorme automóvel faz-se com um só dedo, de tão bem calibrada que está a direção. Não se espere, porém, grande feeling ao mexer o volante, pois se é certo que a direção é rápida e precisa, também o é que a comunicação com o condutor é muito filtrada. A não ser, claro, que se escolha o modo Dynamic, pois nesse caso a direção torna-se bastante mais comunicativa.
No automóvel que guiámos, equipado com eixo traseiro direcional com Controlo dinâmico da direção e Diferencial traseiro desportivo incluindo vectorização do binário, a manobrabilidade e a agilidade sobe aos píncaros, pelo que sentimos muitas vezes que estamos ao volante de automóvel muito mais pequeno e leve. É realmente impressionante a leveza de condução proporcionada por estas grandes e pesadas berlinas do fabricante alemão. Além da eficácia dinâmica, o S7 Sportback revela-se ainda tremendamente confortável, mérito da suspensão com controlo de amortecimento, exímia na forma como gere as imperfeições do asfalto ou as solicitações do condutor em viragens mais exigentes. E atenção, os pneus estão montados em jantes de 21 polegadas...
E o que dizer do habitáculo senão que é um espaço que rivaliza em requinte e conforto com as suites dos melhores hotéis de cinco estrelas? Ainda que naturalmente mais acanhado que um quarto de hotel, tem o tamanho certo para albergar passageiros dianteiros e dois traseiros (o lugar do meio traseiro é, como quase sempre, mais desconfortável) com comodidade e para proporcionar uma experiência de luxo, tranquilidade e quietude (todos os vidros são escurecidos, sendo que os laterais têm isolamento acústico) que só se vive a bordo de muito restrito número de automóveis.
«Um S7 a gasóleo?!», questiona-me um indignado adepto da marca dos anéis. Respondo que sim e, ao invés de argumentar ao descrever a ficha técnica, convido-o a dar uma volta à pendura. O sorriso aberto logo que as primeiras acelerações elevam a sonoridade do escape a decibéis que não deixam nenhum ouvido indiferente, confirmam que até os mais céticos esta mecânica V6 Diesel deverá convencer.