Opel Grandland X 2.0 Turbo D

Sem pedras no caminho

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 29-03-2020 15:50

Fotos: Gonçalo Martins

Motor com quase 180 cv e 400 Nm de binário máximo a partir das 2000 rotações por minuto, cuja energia é gerida inteligentemente por transmissão automática, a impulsionar um automóvel com pouco mais de 1,5 toneladas, o resultado está mesmo a ver-se qual é... Performances elevadas, condução fácil e agradável. Como a mecânica é Diesel, logo preferindo-se, consumo mais comedido.

Eis o que se pode ter no Grandland X 2.0 Turbo Diesel, motorização topo de gama do SUV topo de gama da Opel. A que se junta, sem possibilidade de dispensa, nível de equipamento também… topo de gama. Apreciando-se este (tipo de) modelo, que mais poderá querer-se. Preço acessível, sim. Mas não, é pedir demasiado, o impossível. Ainda assim, os mais de 51.000 euros do preço base na versão Ultimate (sublinhe-se: a única que se pode escolher) excedem as medidas. Chocam, e muito.

O Grandland X é irmão gémeo falso do Peugeot 3008, partilhando a plataforma técnica, desde logo a maioria das tecnologias de assistência à condução, de segurança passiva e de conectividade, e as motorizações, incluindo este Diesel de 4 cilindros, 2 litros de 177 cv com caixa automática de oito velocidades, com conversor de binário. A referência ao Grupo PSA e às sinergias industriais será, neste caso, e noutros certamente, num futuro mais ou menos próximo, inevitáveis. Até ver, sem perjúrio para a Opel. Pelo contrário. As marcas francesas do consórcio liderado pelo português Carlos Tavares – a que se juntarão as da Fiat Chrysler Automobiles, celebrando-se o negócio acordado e anunciado – têm-se destacado no mercado, pela qualidade e o estilo dos seus produtos. A Opel, por certo, não sairá defraudada, tanto mais, que o fabricante alemão tem sabido (conseguido) impor (preservar) a sua identidade nos seus automóveis novos – e o Grandland X é disso bom exemplo.

Todavia, no que concerne à técnica, as benfeitorias devem-se ao ainda recente patrão PSA. No auge destas, o já bastante referido motor Diesel (justamente por ser o ex-líbris e a maior virtude desta versão do SUV), mecânica (que conhecemos dos 3008/5008, repita-se) com ótimas prestações, respondendo prontamente a todos os movimentos no pedal do acelerador e com o débito de rendimento linear e consistente em ampla faixa de regime, contribuindo para uma utilização/condução agradável – e despachada, quando se quer. A ação da caixa de velocidades beneficia o conjunto motriz, assegurando passagens suaves e praticamente sem hiatos, e acrescentando aquela dose de conforto que só o automatismo destes componentes pode proporcionar...

Em contraponto, puxando-se pela mecânica, imprimindo um ritmo vivo ao SUV, o consumo é que paga. Sem surpresa, mas sem defeito. Esperem-se médias a rondar os 8-9 litros por 100 km em ciclo misto, o que não deslustra a eficiência do 2.0 Turbo D. Porque, moderando o acelerador, esta vem ao de cima, em todo o seu esplendor, baixando os gastos para a barreira psicológica dos 7 litros, bastante satisfatória para a cilindrada/potência do motor.

Prosseguindo, na base rolante e respetivas ligações ao solo, novas referências à origem gaulesa. O Grandland X é estruturalmente e mecanicamente francês. Ponto. E é bom. Ponto. Na afinação do amortecimento da suspensão afere-se o primeiro trejeito da supracitada identidade Opel, diferenciando-se das regulações dos Peugeot 3008/5008. O contacto com a estrada é mais firme, sem ser desconfortável, proporcionando um comportamento em curva mais assertivo do que o concorrente/parceiro da Peugeot, e a própria direção tem assistência revista, com um pouco mais de peso (há quem aprecie, há quem não).

Deixando a ação, observam-se na conceção e desenho do interior do veículo as maiores dissemelhanças em relação aos irmãos da PSA. A instrumentação é mais convencional, com o painel de instrumentos dominado por elementos analógicos e apenas pequeno visor digital multifunções, não existindo o sofisticado painel digital da Peugeot/Citroën/DS. Até o seletor da caixa é mais tradicional – é uma alavanca à antiga e não do tipo joystick.

Goste-se ou não, a perceção tecnológica – digamos assim – é menor do que nos outros PSA. Por outro lado, a qualidade de construção está em plano tão ou mais elevado. E o espaço no banco traseiro, idem – onde o lugar do meio é bem mais habitável do que é normal e a ausência de túnel no piso ajuda a receber um terceiro passageiro – e a bagageira é igualmente generosa, com 514 litros na configuração de base, ampliáveis até 1652 litros com o rebatimento completo dos bancos traseiros. Ao que se acrescenta a possibilidade de gerir o espaço de carga mediante a presença de uma plataforma amovível que também pode ser colocada em duas alturas/posições.

Nesta categoria de automóveis e respetivos clientes-alvo, certamente pensar-se-á se será sensato gastar o equivalente a um automóvel premium do segmento D (com poucos extras, ressalve- se) do que numa versão topo de gama com motor potente e ricamente equipada. É assim este Opel Grandland X, como outros tais, em que os méritos das performances e a farta dotação inflacionam o preço a um nível elitista.

Ler Mais

Ficha Técnica

Caracteristicas

OPEL Grandland X

2.0 TD

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1997 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 177 cv/3750 rpm
Binário 400 Nm/2000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,477/1,856/1,609 m
Distância entre eixos 2,675m
Mala 514-1652 litros
Depósito de combustível 53 litros
Pneus F 225/55 R18
Pneus T 225/55 R18
Peso 1575 kg
Relação peso/potência 8,9 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 214 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,1 s
Consumo médio 4,8 l/100 km
Emissões de CO2 126 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 2/12 anos
Intervalos entre revisões 60000 km
Imposto de circulação (IUC) 238,6 €

Medições

OPEL

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 8,7 s
0-400 / 0-1000 m 16,3 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,6 s
60-100 km/h (D) 4,8 s
80-120 km/h (D) 6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,5/9,2 m
Consumos
Consumo médio 7,2 l/100km
Autonomia 736 km

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE