A Mazda anunciou que a procura por modelos com motorização com tecnologia Skyactiv-X na Europa tem sido muito superior ao que inicialmente tinha previsto. Atualmente, 45% das encomendas do CX-30, crossover que deve tornar-se o modelo mais vendido da marca no próximo ano, sucedendo ao CX-5, atual campeão de vendas, são de versões equipadas com este revolucionário motor. E o otimismo justifica-se. Pelo menos no papel… O motor Skyactiv-X tem 2 litros e além da tecnologia de ‘dupla’ compressão possui um compressor e um sistema de 24 volts semi-híbrido, para debitar 180 cv e destacando-se por combinar prestações acima da média e consumos contidos: no CX-30, o motor anuncia consumos médios entre 5,9 e os 7 l/100 km e emissões de CO2 entre os 133 e os 160 g/km.
Skyactiv-X, o que é?
A tecnologia foi desenvolvida com o objetivo de fintar a exigência da eletrificação em massa do automóvel. A fórmula não é original, mas ninguém até agora conseguiu impô-la comercialmente, em consequência da fatura elevada associada à tecnologia. Agora, a Mazda apresenta-a como solução para o cumprimento dos limites de gases de escape mais restritivos com menos dependência da eletrificação, o que não representa renúncia aos híbridos e elétricos. Segundo os responsáveis do fabricante de Hiroshima, o motor Skyactiv-X consome até menos 20 a 30% do que mecânica a gasolina equivalente. O 4 cilindros de 2 litros trabalha através de explosão por compressão e com mistura pobre ar-combustível, o que reduz a temperatura na câmara de combustão e a produção de óxidos de nitrogénio, como sucede nos blocos de injeção direta convencionais e nos Diesel. Como o Skyactiv-X tem sobrealimentação por compressor para a introdução de mais ar no motor (mantém a mistura pobre, não melhora as performances), a Mazda conseguiu otimizar a atuação da mecânica, melhorando as respostas nos regimes baixos e médios, o principal calcanhar de Aquiles de motores atmosféricos.
O ineditismo da proposta confirma-se na estrada, com um comportamento que pede habituação. O crossover da Mazda não tem fôlego ilimitado. E nem se mostra particularmente vigoroso nos regimes mais baixos, só espevitando por volta das 2500 rpm, mantendo-se depois bem acordado e disponível durante vasta faixa de rotações, pelo que já não obriga a recorrer demasiado ao seletor da caixa, o que abona a favor da sua capacidade de recuperação, como podemos verificar nos valores das retomas que apurámos nas nossas medições. Na aceleração de 0 a 100 km/h não ficámos muito aquém do registo homologado pela marca, mas mecânicas naquele patamar de potência mostram mais nervo.
Ao contrário, o Skyactiv-X é suave a subir de rotação e silencioso, desde que não se esmague o pedal da direita à procura de mais chispa. Ainda assim, o CX-30 Skyactiv-X cumpre em rigor o compromisso no ADN da Mazda: condutor muito mais perto do asfalto (a posição de condução não é muito mais alta do que no 3…) e sempre no centro de ação, também a razão por trás da arquitetura do painel de bordo. Na prática, controlo otimizado dos movimentos da carroçaria durante as transferências de massa, em curva, comportamento ágil e seguro – direção precisa e rápida melhora a sensação de capacidade desportiva do chassis, nesta versão com tração dianteira.
A chegada do CX-30 ao portefólio da Mazda é de extrema importância, tratando-se de um modelo que se encaixa numa categoria que está em crescimento acelerado. A base é a competentíssima plataforma da 4.ª geração do Mazda3 e, dinamicamente, é menos SUV, mais berlina, talvez até porque a altura ao solo não está assim tão acima do 3. A grande suavidade que pauta a sua condução tem muito a ver com a presença de mecânica inovadora que permite combinar músculo razoável e baixar consumos e emissões. Bom trunfo.