O Porsche 911 tem descapotável no catálogo somente desde 1982… Por isso a 8.ª geração do Coupé é apenas a 6.ª na história do Cabriolet. Independentemente da configuração da carroçaria, o automóvel de referência da marca alemã é primus inter pares, nome importante no segmento dos carros desportivos. Na primeira Prova dos Nove de 2020, versão 4S com mecânica (ainda) mais potente que o 6 cilindros do Carrera (450 cv contra 385 cv), caixa automática de 8 velocidades e tração integral (PTM). A combinação é muito virtuosa, beneficiando tanto a dinâmica e o prazer na condução como as performances...
Mas, acelere-se... Como o novo 911 Cabriolet assenta na mesma arquitetura técnica do Coupé, automóveis muito próximos nos prós e nos contras. Por exemplo, eliminando-se o tejadilho fixo, reduz-se a rigidez, mas essa fraqueza eliminou-se com a associação dos conhecimentos técnicos da Porsche às tecnologias modernas. Este descapotável, afirmamo-lo, é o melhor na história do emblema do consórcio VW. Nas duas carroçarias, mais alumínio e menos aço (encontramo-lo por toda a parte, do exterior ao interior). Na variante nova, progresso de 5% na resistência à torção e flexão e retrocesso de 12 kg no peso – ainda assim, o 992 não é mais leve do que o 991, por dispor de mais equipamentos, sobretudo assistências à condução, e à adoção de filtro que limita as emissões de partículas da mecânica a gasolina. E, pela 1.ª vez, para mais estabilidade e menos deformação no contacto com o piso, encontramos pneus de maior diâmetro no eixo traseiro (21’’) do que no dianteiro (20’’).
Visualmente, (quase) igual ao Coupé
A Porsche, para a 6.ª geração da variante Cabriolet do 911, desenvolveu capota têxtil nova, que reproduz as formas do tejadilho do Coupé, o que beneficia tanto a imagem como o desempenho da aerodinâmica, neste caso devido à ausência de dobras e interrupções na superfície entre as secções da estrutura.
A capota tem sistema hidráulico novo, que permite abri-la ou fechá-la rapidamente (as duas operações demoram apenas 12 segundos), incluindo com o carro em movimento, mas somente a velocidades até 50 km/h. Para a produção da estrutura nova, para aumento da rigidez sem agravamento do peso, combinação de materiais leves e resistentes (encontra-se magnésio em todos os segmentos da estrutura).
Movimentando-se mecanicamente e em «Z» para trás dos encostos dos bancos traseiros, quase sobre o compartimento do motor (a mala encontra-se à frente e tem apenas 132 litros; necessitando-se de mais capacidade, espaço extra sobre os assentos posteriores, pequenos para passageiros adultos, como é habitual no Porsche 911), a capota supercompacta conta com uma camada isolante na superfície externa responsável por níveis de conforto (acústico e térmico) à imagem do Coupé. No Cabriolet, de série, defletor de vento acionado eletricamente em comando na consola entre os bancos dianteiros. Ergue-se em dois segundos, com o Porsche em ação (velocidade máxima de 120 km/h).
Para cumprimento de todas as normas de segurança, para a proteção anticapotamento, dois arcos acionados de modo automático, após deteção do perigo de acidente por sistema que controla inclinação, acelerações longitudinais e transversais e, ainda, o contacto do automóvel com a estrada.
Tecnicamente, herança(s) do 991
O 992 preserva a arquitetura das suspensões do 991, mas a largura das duas vias aumentou: 46 mm à frente, 39 mm atrás. Para o chassis, duas regulações disponíveis. Este Cabriolet tem a Sport, opcional, com menos 10 mm de altura da carroçaria ao solo. Combina-se com geração nova da suspensão ativa (PASM), com amortecimento eletrónico. O sistema desenvolvido com a colaboração da Bilstein monitoriza a dinâmica do automóvel centenas de vezes por segundo e precondiciona a taxa de compressão ainda na fase de extensão, quando a roda passa por irregularidade no piso.
Somem-se-lhe vários recursos técnicos e tecnológicos de ponta, nomeadamente Porsche Dyanamic Chassis Control (3321 €) que limita o rolamento da carroçaria em curva, o eixo traseiro direcional (2324 €), o sistema de vectorização do binário nas rodas posteriores (PTV Plus) e a tração integral, e este 911 Cabriolet devora quaisquer tipos de pisos fácil e rapidamente, impressionando pela estabilidade (mesmo conduzindo-o a altíssima velocidade!), agilidade e precisão nas transferências de massa – vide curvas e mudanças repentinas de direção! –, abandonando a trajetória ótima apenas depois de transpostos os limites da aderência, que são muito amplos, como é habitual nos Porsche, reação que corrigimos com facilidade, socorrendo- nos de volante e acelerador.
O PASM também entra em ação quando ativamos o Launch Control (controlo de arranque) da caixa de 8 velocidades, impedindo que a dianteira do 911 Cabriolet levante demasiado durante a aceleração. Os amortecedores são regulados individualmente, como acontecia no 991. O funcionamento da direção e dos travões também foram otimizados. Opcionalmente, discos cerâmicos (9237 €). Nos dois casos, não há ligação física entre o pedal e o circuito hidráulico que ativa as pinças. E, assim, reação direta, toque rígido, muita potência – apenas 31 metros no 100-0 km/h! Notável.
No 4S, quatro rodas motrizes. O sistema privilegia a tração traseira, mas admite o envio de mais de 50% do binário para o eixo dianteiro! No volante, à direita, em baixo, comando dos modos de condução, sistema com programa novo, que soma ao Normal, ao Sport e ao Sport Plus. Chama-se Wet e adapta a configuração do automóvel, no caso de água a mais no asfalto. Não existindo reação do condutor às alterações quer das condições climatéricas, quer do piso, o sistema ativa-se automaticamente e adapta a atuação das assistências à condução, do acelerador, da caixa, da tração integral e dos elementos ativos do pacote aerodinâmico. Confirmámo-lo durante este teste nos dias de chuva que inundaram Portugal! Assim, previnem-se perdas de aderência.
No Carrera S, evolução do motor de 3 litros a gasolina, com injeção direta e dois turbos estreado pela Porsche no 991.2. A potência da mecânica de 6 cilindros com arquitetura boxer aumenta 30 cv, para 450 cv, mas o binário máximo de 530 Nm mantém-se ativo entre as 2300 e as 5000 rpm. O bloco tem escape novo e dois filtros de partículas que eliminam emissões e brinda-nos com reações ainda mais rápidas e, em situações de carga máxima, menos consumos. A troco de 2404 €, escape desportivo com sonoridade inebriante.
A caixa também é nova – 8 velocidades em vez de 7. Com a mudança, PDK ainda mais veloz. A velocidade máxima atinge-se em 6.ª – 7.ª e 8.ª longas moderam consumo. O sistema inclui programa manual-sequencial (patilhas no volante). Utilizando-o, condução muito excitante e desportiva.
Não temos quaisquer dúvidas: o 992 Cabriolet novo é o melhor descapotável na história do 911. Na 6.ª geração do automóvel, condutor e passageiro( s) encontram níveis de conforto e proteção mais do que suficientes. Dinamicamente, trata-se de desportivo de primeira, com agilidade, estabilidade e precisão muito acima da média. O motor otimizado (entenda-se mais eficiente e potente) e a caixa nova garantem capacidade de aceleração formidável em todos os regimes de funcionamento. Tudo somado, carro fantástico.