Historicamente, o Tucson sempre se apresentou enquanto SUV de aspeto mais formal e prático, focado na família e sem qualquer pretensão desportiva. Até agora. Em que a Hyundai, desperta pelo espírito da submarca N, lança nível de equipamento N Line no SUV, de vários trejeitos desportivos, da imagem à atitude em estrada.
Das jantes de 19 polegadas às capas dos retrovisores exteriores, passando pela grelha dianteira e cavas de rodas, todos estes elementos ganham decoração a negro, bem como as molduras dos vidros das janelas laterais e pequeno defletor traseiro. O resultado contrasta com a cor exterior da carroçaria, para o efeito, o vermelho, sem custo extra, da unidade ensaiada.
À frente, além da grelha em preto, surge o para-choques específico, com luzes diurnas LED de efeito boomerang na zona inferior; atrás, são as duas saídas de escape, negras, a dar ênfase à bem trabalhada imagem desportiva.
Também sem exageros, o interior acompanha a toada jovial, com bancos revigorados por revestimentos em alcantara e pele, acompanhados por costura a linha vermelha. Acabamento decorativo que estende presença ao volante e punho da alavanca da caixa (aí com zonas em pele perfurada), à pequena aplicação em pele no tablier à frente do passageiro e apoio de braços central. Tudo acompanhado pela já habitual consistência construtiva da Hyundai, rigorosa nos acabamentos, mesmo que as linhas do tablier não sejam das mais vistosas ou modernas. O forro do tejadilho é em preto.
Entre a vasta oferta de equipamento, a versão N Line acrescenta a todos estes elementos de teor desportivo a presença de tejadilho panorâmico com abertura elétrica e completo sistema multimédia na zona superior do tablier, em monitor tátil de 8’’ (um dos elementos introduzidos na atualização da gama Tucson, nos finais de 2018), com alguns serviços conectados, como informações de trânsito ou do estado do tempo (inclui contrato com duração de sete anos, o mesmo período de vigência da garantia geral da Hyundai, esta sem limite de quilómetros).
A Hyundai não anuncia rebaixamento da carroçaria, mas o certo é que as diferenças de amortecimento fazem-se sentir, com molas mais firmes, que ajudam a estancar a inclinação lateral em curva, mas também a incrementar a rigidez o ataque a pisos degradados – o conforto sai ligeiramente beliscado, mas o certo é que o Tucson ganhou outro élan, com o condutor mais envolvido com o trabalho das rodas sobre o traçado da estrada. Enquanto versão de índole mais desportiva, talvez não ficasse mal incluir as patilhas de comando da caixa automática, no volante.
Esta motorização 1.6 CRDi de 136 cv está, então, unicamente associada a tração dianteira e à transmissão automática de dupla embraiagem e 7 velocidades, DCT, com o Tucson a somar a possibilidade de escolha por dois modos de condução (Normal e Sport), com o último a tornar a reação ao acelerador bem mais nervosa e imediata, embora não sejam sentidas variações nos tempos de troca entre as relações de caixa.
Mas a unidade motriz também sofreu alterações para enfrentar um ano de 2020 ainda mais penalizador fiscalmente sobre os Diesel... A Hyundai aplicou uma nova rede elétrica interna, a funcionar a 48V, que permitiu somar pequeno motor elétrico que confere assistência ao térmico (entrega apenas 12 kW) e bateria de iões de lítio de não mais que 0,436 kWh de capacidade. Conjunto suficiente para criar uma versão semi híbrida, em que o motor elétrico pode assistir o térmico com o pequeno boost de 12 kW em situações de máxima aceleração, servindo também para regenerar energia (cinética) a acumular na bateria. Fluxo energético que pode ser acompanhado no computador de bordo, mas cujo trabalho é facilmente sentido na condução. Assim, libertando-se o acelerador, o Tucson cria enorme efeito travão-motor regenerativo, que acaba por cortar um pouco a fluidez da condução. Ou seja, embora se reduza o recurso ao pedal de travão, o certo é que não são poucas as vezes em que é necessário manter alguma pressão no acelerador, de forma a não perder velocidade... a mais. Bem melhor a intervenção do start-stop, que com a rede de 48V permite que o motor térmico se desligue logo abaixo dos 30 km/h (e quanto mais tempo estiver desligado, menos emissões entram na homologação), com o liga-desliga a surgir de forma fluída.
Na prática, além de conseguir elevar ligeiramente as performances, os consumos (reais) surgem um pouco mais contidos, com mínimos que podem agora ficar-se pelos 6,2 l/100 km. Mas a média geral ficará acima dos 6,5.
A nova versão N Line confere ao Tucson uma cuidada imagem desportiva, que em nada desvirtua a sua linhagem familiar e... respeitadora! Tudo acompanhado por uma construção rigorosa, interior espaçoso e funcional, sem esquecer a alargada garantia geral. A adoção de uma rede elétrica de 48V ajuda ao motor 1.6 CRDi a estar mais e melhor preparado na corrida à baixa de emissões poluentes. Mesmo com menos incidência fiscal, o preço é algo elevado.