A variante John Cooper Works da carrinha Clubman em teste, cuja altura ao solo baixa 10 mm face às normais, acrescenta ainda uma série de modificações que a tornam muito especial e verdadeiramente extraordinária.
Essa transfiguração é operada a vários níveis, mas entre os aspetos principais destaca-se a revisão do motor 2.0 a gasolina de injeção direta (twin-scroll) cuja potência aumentou para 306 cv, em vez dos anteriores 231 cv, e bem acima do Cooper S de 192 cv. Esse patamar de potência foi atingido através de uma relação de compressão mais baixa (9,5:1), outros injetores e um turbocompressor de maiores dimensões, tendo sido ainda alterada a admissão e colocados outros pistões e bielas, além do reforço da cambota, assim como a inclusão de outro sistema de escape (filtro de partículas incluído) e refrigeração melhorada com dois radiadores e ventilador mais potente. Tudo melhor! Não é por isso estranho que a performance obtida por este Clubman JCW seja avassaladora, valorizada pela potência mas também pelo binário máximo, que cresceu dos anteriores 350 Nm/1450-4500 rpm para 450 Nm a partir das 1750 rpm.
A aceleração é impressionante, como se vê no arranque até 100 km/h, um pouco acima do valor anunciado (4,9 s), mas ainda assim bastante imediato. Quase de perder o fôlego, face ao empurrão que é dado para diante, explicando bem as credenciais a jogo e o sistema de tração integral ALL4, cuja ação é efetuada através de embraiagem multidisco, enviando binário para as rodas traseiras sempre que há perda de aderência à frente. No eixo dianteiro a Mini optou por colocar um diferencial autoblocante (mecânico), maximizando a eficácia da tração a curvar e projetando outra confiança para as velocidades que são possíveis de alcançar (250 km/h com limitador).
É claro que se está na presença de um automóvel mais subvirador do que o contrário, mas essa deriva não é acentuada, embora a pressão seja forte, como é óbvio. Para aguentar tão grande potência (e excecionais prestações...), o chassis obteve vários ajustes e a rigidez aumentou, incluindo novos casquilhos e reforço dos suportes do motor.
O conjunto da suspensão também adota molas e amortecedores mais firmes e a carroçaria está mais próxima do asfalto, como já se referiu. Nada foi deixado ao acaso e não há bailados inesperados, mesmo nos momentos de maior urgência/exigência, inclusive nos troços rápidos e mais sinuosos, entendendo-se aí a mais-valia da sigla JCW. Não é apenas um símbolo, mas uma espécie de tuning que realmente conta, implicando ainda o sistema de travagem, este com discos ventilados de maior diâmetro e largura (ambos os eixos). Em opção, a versão em causa também adota pneus Continental Premium Contact6 235/35 e jantes em liga leve de 19’’ (incluídos no pack Chili, por 3800 €), conjunto que contribui para a eficácia deste Clubman em estrada, mas sem atenuar a firmeza ou diminuir o ruído de rolamento, especialmente nos pisos irregulares, aí com batidas secas e um certo desconforto, apesar da excelente envolvência por parte das bacquets. É esse o preço (habitual) que se paga por um modelo deste género. Firme e hirto! Por vezes em demasia, compensando depois com o estímulo inerente da condução. Aliás, a força de todo o agregado mecânico é muito evidente, ainda mais se se configurar o programa Sport, aí quase frenético e com uma acústica a que é difícil resistir (tons a vermelho nos ecrãs e possibilidade de ter mostradores desportivos no display central). As rápidas trocas de caixa são mesmo viciantes e os rateres em desaceleração ainda mais. A precisão dos movimentos dada pela direção entusiasma quase tanto como a capacidade em devorar o asfalto, face à resposta pronta em todos os regimes. Um autêntico predador, sem dúvida!
O modo Sport transfigura ainda mais todas as reações e a afinação apressa não só o temperamento do motor 2.0 como as leis da transmissão automática (Steptronic, com launch-control), esta última a permitir transições rápidas, sem hesitações e com ação sequencial nas patilhas junto ao volante ou no próprio seletor. Perante esta sensação de autêntica correria, a firmeza garantida pela suspensão e pelos pneus é bem-vinda, sem deslizes ou desacertos, mesmo se a estrada estiver molhada ou muito escorregadia. O sistema ALL4 também permite essa segurança e a travagem está à altura das exigências, num compromisso estável e eficaz, como se vê através dos 36 metros a partir de 100 km/h.
Face às prestações, os consumos não são exagerados, mas não é fácil baixar dos 9,5 l a 10 l/100 km, e isto com andamentos moderados, sem excessos, na maior parte do tempo com os modos Green ou Normal ativados. Na afinação Sport, a transfiguração é igualmente explícita ao nível do consumo, com médias desde 11 a 12 l/100 km.
Esta versão John Cooper Works (JCW) da carrinha Clubman é muito especial, quer ao nível da imagem, quer em termos mecânicos. É possível guiá-la de forma pacata, sem exageros, mas o motor 2.0 de 306 cv também permite enorme desassossego, graças às elevadas prestações e à forma rápida como progride, a que se junta ainda uma belíssima acústica desportiva. O resto do conjunto está bem afinado para tão grandes exigências.