O processo de hibridização dos Diesel é um dos possíveis caminhos para que os fabricantes – em particular os europeus, com a Mercedes em destaque, por muito ter já investido no desenvolvimento e produção de mecânicas Diesel – possam contornar as cada vez mais chorudas tributações sobre a tecnologia que, goste-se ou não, entre as soluções térmicas, é das mais contidas na emissão de CO2 para a atmosfera.
As versões 300 de dos Classe C e Classe E (em limousine e carrinha) aliam a eficácia do motor 2 litros turbodiesel de 194 cv que serve de base à versão 220 d à ecologia permitida pelo motor elétrico de 122 cv, que vai beber energia a uma bateria de iões de lítio de 13,5 kWh de capacidade, alojada na bagageira, roubando bastante espaço (e versatilidade) de carga – porque a base do Classe C, embora admitindo soluções híbridas, não nasceu de raiz para alojar baterias em locais menos incómodos para o uso quotidiano... Assim, só 315 litros base.
A solução admite carregamento externo da bateria, com a Mercedes a incluir cabos para tomadas públicas e domésticas, tendo nós aferido 5h, em casa, para carregamento de cerca de 80%. Quando atestada, a energia da bateria deve ser bem gerida pelo condutor através dos diversos modos de controlo do sistema (Hybrid, E-Mode, E-Save e Charge) para melhor aproveitamento dos recursos. Ou seja, não obstante o C 300 de ter capacidade para rolar em modo puramente elétrico até perto dos 130 km/h, o elevado consumo elétrico convida a aproveitar a bateria para deslocações de ambiente urbano... Mesmo nestes circuitos, é difícil ultrapassar os 40 km em modo zero emissões, uma vez que o consumo rondará entre os 16,5 e os 20 kWh.
Este será um dos efeitos causados pelo elevado peso do conjunto (culpa da bateria), que facilmente supera as duas toneladas com apenas duas pessoas a bordo. Por isso, também não será de estranhar que mesmo em autoestrada, já e só praticamente com o motor Diesel a funcionar, o consumo médio ronde os 6,5 l/100 km, ou seja, superior ao registado pela versão 220 d. Enquanto híbrido, esta versão 300 de tem do seu lado o facto de desligar o motor térmico sempre que se levante o pé do acelerador, além de conjunto tecnológico que contribui para a otimização energética. A saber, esta carrinha inclui função que, libertando o acelerador, adequa a capacidade/travagem regenerativa face à distância até ao carro da frente, limite de velocidade na zona e geografia do terreno, conjugando a informação dos radares com as do sistema de navegação. Esta é uma funcionalidade que pode cortar fluidez à condução, mas não deixa de ser interessante a forma como a eletrónica está apurada para a otimização energética, aconselhando a reduzir velocidade face à aproximação de rotunda ou cruzamento.
Mas as vantagens desta versão vão além da possibilidade de conter gastos na aquisição (para empresas, dedução total do IVA, tributação autónoma na faixa dos 17,5%) e utilização (eletricidade e dedução de 50% do IVA do combustível, algo que é impossível de obter com modelos plug in a gasolina), pois combinando motores, os 306 cv e 700 Nm de binário máximo, entregues às rodas traseiras pela caixa automática de 9 velocidades, permitem andamento vigoroso, com acelerações de desportivo e lestas retomas de velocidade! Selecionando o modo de condução Sport+, chega a ser impressionante a forma como os dois mil quilos são impelidos em resposta ao acelerador, embora aqui a transmissão não exiba a mesma fluidez do que nas versões puramente Diesel, em particular quando é necessário acordar o motor.
Entre os modos de exploração da tecnologia híbrida, o condutor pode optar por preservar a carga da bateria para posterior utilização (E-Save) ou forçar o carregamento (E-Charge) com o motor Diesel a funcionar, em deslocação.
O peso elevado acaba por moldar e diferenciar a dinâmica desta versão, quer por amortecimento que nos pareceu algo firme, mesmo estando esta unidade equipada com a opcional suspensão pneumática, quer pelos pneus, específicos, que necessitam de pressão elevada para suster a carga total. O barulho do motor Diesel poderia estar mais filtrado.
Com bateria carregada é possível percorrer cerca de 40 km em modo 100% elétrico, autonomia curta devido ao peso elevado. Depois, os primeiros 100 km podem ser fechados com consumo médio de 2,3 l/100 km de Diesel. Mas esquecendo a ligação à corrente, o consumo sobe facilmente até perto dos 7 litros. Nada de grave, porque as empresas também podem deduzir 50% do IVA com os gastos de gasóleo...