A ideia preconizada para o allroad não mudou face à versão da gama anterior. Nesta atualização, a declinação mais aventureira do A4 Avant (carrinha) mantém alguns dos traços identitários que sempre foram comuns ao modelo, mesmo que tenha modernizado a imagem. Por fora, as diferenças nem são muito grandes, embora os para-choques sejam distintos, existindo também novo desenho das jantes de liga leve (de 18’’, neste caso) e das próprias óticas LED, na versão ensaiada com iluminação Matrix adaptativa, cujo sistema regula o feixe de forma separada, ajustando-o para não encandear quem venha/circule de frente, incluindo ainda o assistente automático de máximos. Funciona às mil maravilhas e justifica o custo extra de 690 €, uma vez que permite uma condução mais relaxada e segura!
Já se sabe que em relação aos outros A4 Avant, a variante allroad também se diferencia pelas proteções adicionais na base da carroçaria, à frente e atrás, assim como pelas cavas das rodas mais pronunciadas (molduras em contraste com a pintura Cinzento Quantum) e ainda pela proeminente grelha frontal com lâminas cromadas em posição vertical. Tudo junto, a imagem é reforçada, sem se abandonar o formato e as proporções exteriores de um grande automóvel familiar. O espaço no habitáculo continua enorme e os centímetros são abundantes em todas as direções, inclusive na área destinada às bagagens (desde normais 495 litros até aos 1495 litros com a 2.ª fila rebatida), incluindo fecho/abertura automática do portão traseiro de série. Aliás, o nível de equipamento é específico desta variante e não falta quase nada, embora a lista de opções também seja preenchida, algo que até poderá catapultar o preço final para um patamar menos acessível e um bocado exagerado. E é esse o caso! Para se ter uma ideia, a versão testada inclui opções no valor total de 20.665 €.
Por dentro, há novos acabamentos, tecidos e forros, numa perceção elevada da qualidade, como é usual na gama A4, existindo modificações no sistema multimédia, derivado de outros modelos de topo da Audi, agora com ecrã de maior dimensão (de 10,1’’) e com controlos táteis intuitivos. É a partir desse monitor que se operam as várias funções de bordo, mas o ecrã de instrumentação digital (de 12,3’’, Cockpit Virtual Plus) também dispõe de várias funcionalidades, sendo altamente personalizável sob o ponto de vista gráfico (basta pressionar, por exemplo, a tecla View para se ter o mapa da navegação esticado, ao centro) e contendo indicações importantes para a condução, uma vez que as mais modernas tecnologias de ajuda eletrónica estão (quase) todas incluídas, desde o alerta de faixa de rodagem, ângulo morto, aviso de aproximação à frente, até ao reconhecimento dos sinais de trânsito, além do cruise-control ativo, este último inserido no pack Tour (1800 €).
A ergonomia é referencial, embora se possa apontar a posição demasiado próxima da perna direita e do joelho do condutor da consola central, tratando-se de uma situação comum a vários modelos da Audi. Por sua vez, o formato desportivo dos bancos (400 €, aos quais acresce 1295 € do forro a couro) permite um ótimo apoio e excelente conforto, quer à frente, quer atrás, embora à retaguarda o espaço seja apenas aconselhável para dois passageiros, uma vez que um terceiro ocupante viajará de forma mais incómoda, devido à intromissão do túnel da transmissão, ao meio, em baixo.
O volante também exibe um design desportivo (de base recortada), incluindo diversos botões operativos, o que é bom para não retirar a visão da estrada e tornar mais fácil o acesso a certos comandos, existindo teclas diretas para alguns desses controlos, como é o caso da escolha/configuração do drive select (na consola), que seleciona os programas de condução, desde o Efficiency ao Dynamic, passando pelo específico offroad. De uma maneira geral, todo esse interface não é complicado de operar e mais fácil até do que no caso de outros concorrentes premium, ao mesmo tempo que a resolução gráfica, a leitura e a visibilidade dos ecrãs aparenta ser melhor.
Condução bem afinada
Há princípios básicos da variante allroad que a distinguem da dos A4 Avant convencionais, recorrendo a tração 4x4 (quattro), tendo maior distância ao solo (35 mm) e arquitetura específica das suspensões (multibraços, ambos os eixos). E tudo isso está ligado, pelo que as reações dinâmicas são um pouco diferentes, sem baixar a inerente qualidade da condução dos A4, à imagem de outros Audi. O balanço da carroçaria em curva não é exagerado, embora seja possível entender a maior altura ao solo nas curvas pronunciadas e em traçados encadeados, aí com menor agilidade por parte do conjunto e a notar-se o peso suplementar desta variante (cerca de 1720 kg), mesmo que a eficácia não seja importunada, e isto apesar dos movimentos mais lentos nas inesperadas trocas de apoio. A precisão da direção com assistência elétrica também podia ser melhor nessas condições, sendo até mais pesada do que é habitual, comparando com outros A4..., nas manobras de parque, no arranque e a baixa velocidade. Nada de grave! Esse sintoma atenua-se à medida que se aumenta a velocidade em autoestrada, a par da resposta muoto equilibrada das suspensões, ao mesmo tempo que o isolamento acústico a bordo está bem resolvido.
O conforto está num plano elevado, sem firmeza excessiva do amortecimento, inclusive em mau piso, apesar das dimensões/perfil dos Michelin Primacy3 (245/45) com jantes em liga leve de 18’’. Um estradista, portanto!
A tração quattro é controlada por um diferencial Torsen (repartição normal de 40:60), capaz de enviar binário às rodas traseiras até ao máximo de 85% e 70% à frente. Essa gestão da tração é efetuada de forma permanente de acordo com as necessidades, garantindo uma estabilidade acima de qualquer suspeita e possibilitando pequenas incursões TT, nada de muito radical. O conforto fora-de-estrada é digno e as dificuldades são facilmente superadas, sendo ainda possível ativar o Hill Descend Control (HDC) para a ajuda nos declives mais íngremes.
O revisto motor TDI de 190 cv, agora com tecnologia mild hybrid (rede elétrica adicional de 12V) está associado a caixa automática S tronic de dupla embraiagem (7 relações). As transições são fluídas, sem hesitações, ainda mais no modo Dynamic, ao mesmo tempo que as prestações não desiludem, e isto apesar do peso em causa. O binário de 400 Nm a partir das 1750 rpm explica as reações enérgicas e a forma linear como este TDI (nada ruidoso) opera em qualquer ocasião. O consumo é muito equilibrado e quase... surpreendente!
As alterações introduzidas pela Audi no A4 e no A4 Avant também foram aplicadas à variante allroad (quattro), a qual passa a dispor de mais conteúdos, equipamentos e tecnologias avançadas, além de motores Diesel mild-hybrid. É esse o caso da versão TDI examinada, agregada à transmissão automática S tronic de 7 relações. As prestações evoluíram e os consumos são bastante equilibrados, apesar da conceção e do inerente peso. Elogios, ainda, à vertente dinâmica...