O fenómeno da hibridização do automóvel está em curso e é imparável até melhor alternativa aos motores de combustão. Mas a otimização da tecnologia já atingiu um patamar muito acima do simples conceito ambientalista, compatibilizando performances e eficiência, que é, afinal, o que se pretende com estas motorizações.
Um automóvel híbrido não só está longe de ser um ambientalista intolerante à rapidez das performances, como poderá ser ainda mais veloz consumindo menos do que os seus congéneres alimentados exclusivamente a gasolina ou a gasóleo. Daqueles é exemplo a 2.ª geração do BMW 330e, híbrido plug-in a gasolina, mais potente e com maior capacidade da bateria, daí resultando prestações e eficiência no consumo de combustível igualmente superiores.
O módulo híbrido, que o fabricante alemão denomina de eDrive, é formado por motor a gasolina de quatro cilindros, dois litros, turbo, a debitar 184 cv, e um motor elétrico que produz potência contínua de 68 cv (50 kW) e uma potência de pico durante 10 segundos (em overboost, ou como a BMW chama, XtraBoost) de 113 cv (83 kW). Daí resultam dois níveis de potência, um disponível em permanência, de 252 cv, e outro naquele espaço temporal, de 292 cv, em aceleração máxima e só disponível quando está ativado o modo Sport do programa de condução. Ambos os motores enviam energia às rodas traseiras através de transmissão automática de oito velocidades do tipo com conversor de binário.
A unidade elétrica funciona em simultâneo com a térmica, contribuindo para o rendimento conjunto, ou em exclusivo na motorização do veículo até cerca 40 km (60 km anunciados) e a velocidades até 140 km/h (mais 20 km/h do que no anterior 330e. Deve-o à bateria que o alimenta ser de maior capacidade (12 kWh, mais 4,4 kWh).
O motor de zero emissões é também mais potente (25 cv) em potência máxima (no referido XtraBoost) do que no modelo de 2016, conferindo energia extra para otimizar as performances do novo 330e. Estas condizem com o rendimento mecânico – são elevadas. A demonstrá-lo, a aceleração de zero a 100 km/h em apenas 6,1 segundos (medidos neste teste), que, na prática, traduz-se em respostas com grande elasticidade desde baixas rotações (vide recuperação 40-80 km/h em 2,6 segundos) e abundante fluxo energético e sempre consistente em ampla faixa de regime. A caixa funciona sempre a preceito na otimização do funcionamento do(s) motor(es), assegurando passagens e reduções sem hiatos e com a comodidade que o seu automatismo confere à condução.
Em paralelo com as prestações do automóvel, está a economia do consumo de combustível, que determina a mais-valia, ou não, do 330e – e de todas os híbridos de ligar à tomada - sobre as versões exclusivamente a combustão da gama. E deve dizer-se que não é, de todo, linear, dependendo da otimização dos recursos tecnológicos do sistema híbrido – e do tipo de condução, obviamente – ao dispor do automobilista, que fazem com que a eficiência varie, por vezes substancialmente.
A utilização mais económica deste BMW é, sem dúvida, ligando-o à tomada no final de cada dia/viagem, recarregando totalmente a bateria para poder usufruir, o mais possível, do funcionamento 100% elétrico com energia proveniente da rede. Também se usufrui daquela, mas através do sistema de regeneração das travagens e desacelerações – nunca com a mesma capacidade geradora de eletricidade –, ou do motor de combustão – com maior eficácia, mas altamente penalizadora do consumo, existindo mesmo uma função (ativada por botão na consola) que a induz (modo Batery Control), e que é de utilização recomendável a velocidade mais altas e estabilizadas para guardar energia para trajetos a ritmos mais lentos, como os urbano, onde aquela é mais rentável.
Após 100 km, em que cerca de 40 km podem ser quase exclusivamente em modo EV – porque é difícil que seja a 100% num percurso diversificado e sem zelo extremoso pela poupança –, e os restantes 60 km foram geridos pelo sistema, o consumo médio de gasolina rondará, com facilidade, apenas 3 litros, o que comprova a competência da tecnologia. Entenda-se gestão, deixar ao critério do módulo híbrido as entregas de energia das duas fontes, ainda que o condutor poderá sempre forçar as funções de modo EV (desde que haja bateria suficiente) e de modo de salvaguarda de eletricidade (referido Batery Control).
A bateria sob o banco traseiros, o que implicou a perda de significativos 105 litros de capacidade da bagageira, comparativamente às versões apenas de combustão, para 375 litros. Para aumentar a volumetria daquela, rebatem-se os encostos dos bancos posteriores (na proporção 40:20:40), com a incontornável supressão de lugares na lotação do veículo.
O BMW 330e é alternativa compensadora às versões de combustão comparáveis do Série 3, sem constrangimentos que pudessem advir da sua tecnologia… alternativa, a não ser uma simples, intuitiva e, quiçá, lúdica mudança de hábitos de condução para maximizar a eficiência, afinal a principal mais-valia deste conceito de motorização. De resto, dinamismo e conforto similares aos dos não-híbridos da gama. Apenas uma ligeira diminuição da capacidade de carga.