Audi Q3 Sportback 35 TDI S Line S tronic

Desvio ao original

TESTE

Por João Ouro 31-10-2020 09:30

Fotos: Gonçalo Martins

Por regra, as derivações são quase sempre mais audazes (no sentido de um certo espanto) do que os conceitos base-originais, optando por desvios evidentes e correndo mais alguns riscos. No caso da variante Sportback do Q3 parece ser essa a estratégia, a qual faz com que o modelo se possa integrar noutro tipo de segmento, nada menos do que no dos SUV Coupé. É claro que é sempre possível arranjar uma nova designação/nomenclatura para catalogar um determinado veículo, num domínio em que as marcas de automóveis são imaginativas (e especulativas!), por vezes com nomeações algo enganadoras e pouco a propósito. Não é esse o caso!

q3 lateralDe facto, as linhas de design deste Q3 não escondem as origens daquilo a que se convencionou apelidar de SUV, tendo por acréscimo o tal nome Sportback que na marca de Ingolstadt também se conjuga no plural, desde o A1 até ao A7, aqui com um posicionamento singular e imagem quase inédita.

A retaguarda inclinada, do tipo coupé, e o tejadilho a descer têm seguidores noutros emblemas-marcas, os quais até começaram antes. Cópia ou original? Se a análise for restrita à Audi, dir-se-á que se trata de uma dissidência óbvia ao Q3 original, mas se o confronto for feito com outros construtores, então, há propostas a enumerar, desde o X2 ao X4 da BMW, por exemplo, até ao novo GLA e/ou GLC Coupé da Mercedes-Benz, só para referir estas duas marcas.

q3 frenteAs proporções da carroçaria não são muito desiguais das do Q3 normal, mesmo que o comprimento seja ligeiramente superior (1,6 cm) e a altura total mais baixa (2,9 cm), elementos diferenciadores que se interligam à grelha dianteira octogonal, assim como à maior dimensão das entradas de ar (laterais e inferior) e ao redesenho dos para-choques. A estas diferenças, a unidade em causa também acrescenta luzes de tecnologia LED (indicadores dinâmicos à frente e atrás; incluindo assistente de máximos), além de jantes em liga leve de 19’’ com pneus Hankook 235/50 (opcional por 1090 €).

q3 lugares traseirosO único aspeto em que o design se sobrepõe à funcionalidade (e em que a imagem prejudica o lado prático) diz respeito à visibilidade dada ao condutor através do óculo traseiro, cuja menor dimensão acaba por estorvar em determinadas ocasiões, mesmo que isso nem seja demasiado grave. Os passageiros da 2.ª fila também dispõem de menor superfície vidrada (janelas laterais), mas a posição dos assentos é elevada e há muitos centímetros em todas as direções, inclusivamente até ao teto e na distância face aos encostos dianteiros (com ótimo apoio para as pernas). Por outro lado, os bancos traseiros deslizam na longitudinal (13 cm) e de forma separada, ao mesmo tempo que os encostos também se reclinam e dobram, embora essa operação já exija maior esforço. O portão da bagageira também é pesado a abrir e a fechar (aconselhável o comando elétrico, em opção), mas o acesso à zona de carga é largo e funcional. A área mantém os requisitos familiares inerentes ao Q3 convencional (volume útil de 530 a 1400 litros), existindo um estrado divisório que esconde uma espécie de fundo falso. Tudo prático!

De facto, se a aparência desta variante é mais desportiva, isso não significa que o habitáculo e a área da mala sejam efetivamente lesados. Antes assim!

q3 posição de conduçãoA dinâmica que se impõe...

O caráter familiar é ainda dado pelo conforto consignado à condução, e isto apesar das características especiais desta versão S line, tais como a maior firmeza da suspensão e os pneus Hankook Ventus S1 Evo 2 com jantes de 19’’. Isso é crucial para o ótimo acerto dinâmico, sem que haja atitudes de balanço em curva, como é usual nalguns SUV de maior tamanho, sendo meritória a ação da direção com assistência progressiva. O tato do volante é preciso, sendo possível moldar esse esforço consoante os programas ativados (Efficiency, Comfort, Auto, Dynamic, Offroad ou Individual), os quais intervêm ainda na resposta do motor, da caixa e da referida direção, assim como na atuação da eletrónica, desde o ABS até ao ESP.

O amortecimento não é demasiado rígido, havendo reações mais secas no mau piso e nas passagens pelas irregularidades (leia-se buracos), embora sem exageros. O ruído de estrada nem sequer é elevado e isso também pode ser atribuído à ação dos pneus, assim como ao reforço efetuado ao nível da insonorização nalguns locais estratégicos (cavas das rodas, entradas de ar e base do chassis, por exemplo). Já se sabe que as dimensões a jogo não facilitam, pelo que a resistência aerodinâmica é elevada, ao mesmo tempo que o peso da estrutura também está acima da tonelada e meia. A relação com a estrada parece não ser muito influenciada por isso, pressentindo-se a menor altura da carroçaria face ao irmão convencional (base MQB A2 partilhada com o Tiguan da VW), sendo a dinâmica marcada por movimentos precisos, mesmo que limitada pelos aspetos enunciados. A eficácia da travagem merece elogios – tão só 36 metros a partir de 100 km/h –, mesmo nas solicitações mais bruscas.

q3 motorO elevado peso do conjunto também não parece colocar entraves à resposta do bloco TDI base de gama (150 cv), que reage de forma imediata às pressões do acelerador, sem hesitações e com um ímpeto que talvez não se admitisse à priori, como se comprova pelas principais recuperações. E, inclusive, pelos 9,7 segundos na aceleração até 100 km/h. A caixa S tronic (a DSG da Audi, de dupla embraiagem) tem uma atuação competente, embora pudesse ser mais rápida nas passagens/trocas de relação, especialmente a baixa rotação – aí mais brusca –, e na ação sequencial que é operada pelas patilhas no volante.

O ruído de funcionamento do motor de 4 cilindros é elevado – e demasiado notado –, e esses decibéis chegam com facilidade ao interior, exigindo-se um aperfeiçoamento desse aspeto, uma vez que isso poderá deitar tudo a perder ao refletir-se no conforto a bordo.

Em jeito de compensação, os consumos são muito equilibrados com valores normais a partir de 6,2 l/100 km, sem exceder sequer a média de 7 l/100 km nos andamentos mais fortes. Nada mau! Com recurso ao aditivo AdBlue (depósito à parte) regista-se ainda a diminuição efetiva das emissões de NOx.

A imponente grelha frontal e a linha descendente do tejadilho até à retaguarda são os aspetos diferenciadores deste SUV da Audi, inclusive se o compararmos com o Q3 convencional, modelo do qual deriva, decalcando as mecânicas e as tecnologias da gama. A qualidade geral é elevada, bem visível no ambiente a bordo, e essa apreciação também é extensível à própria condução, mesmo que o bloco TDI pudesse ter menor ruído e a caixa S tronic outra suavidade nas passagens em baixa. No resto, sobram (mesmo) elogios.

Ler Mais

Ficha Técnica

Caracteristicas

AUDI Q3

Sportback 35 TDI S Line S Tronic

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1968 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 150 cv/3500-4000 rpm
Binário 340 Nm/1750-3000 Nm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática, 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,8 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,500/1,843/1,555 m
Distância entre eixos 2,68m
Mala 530-1400 litros
Depósito de combustível 58 litros
Pneus F 7jx17 - 215/65 R17
Pneus T 7jx17 - 215/65 R17
Peso 1655 kg
Relação peso/potência 11 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 205 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,3 s
Consumo médio 6,1 l/100 km
Emissões de CO2 158 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos ou 80.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 258,78 €

Medições

AUDI

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 9,7 s
0-400 / 0-1000 m 16,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,5 s
60-100 km/h (D) 4,8 s
80-120 km/h (D) 7,9 s
Travagem
100-0/50-0km/h 35,8/9,7 m
Consumos
Consumo médio 6,7 l/100km
Autonomia 865 km

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE