Posicionado acima do S (354 cv) e abaixo do Turbo (440 cv), o GTS (380 cv) é o Macan mais desportivo. Orientado para os adeptos da condução desportiva e das ‘performances’, este SUV destaca-se pelo chassis rebaixado, condição para desempenho dinâmico de exceção até em curva e imagem exclusiva. Primeiro teste...

O Macan apresentado em 2014 beneficiou de atualização importante. Esta intervenção modernizou o automóvel tanto técnica como visualmente e também melhorou (muito) o equipamento, principalmente no campo da segurança, com a introdução de mais e melhores assistências eletrónicas à condução. O programa acaba com o lançamento de GTS novo. Tem apenas 380 cv, menos 60 cv do que o Turbo, mas o chassis preparado à medida garante-lhe aptidões dinâmicas acima da média… No GTS (acrónimo de Gran Turismo Sport), a suspensão dispõe de controlo de amortecimento (PASM) com regulação específica e molas pneumáticas (1525 €). Estes recursos excecionais combinam-se com o chassis rebaixado (25 mm). Tudo somado, beneficia-se a agilidade e a estabilidade, pois limitam- -se os movimentos da carroçaria tanto nas mudanças repentinas de direção como nas transferências de massa. Somem- se, ainda, as jantes RS Spyder (21’’: 984 €) com pneus superaderentes e os travões com discos de grandes dimensões (no modelo à prova, tecnologia PSCB de revestimento em carboneto de tungsténio, que não aumenta a potência, mas melhora a resistência à fadiga). Este equipamento figura entre os opcionais (3075 €), ao lado dos discos carbocerâmicos PCCB (8302 €).
No Macan, sistema de quatro rodas motrizes controlado eletronicamente. O programa PTM privilegia a tração traseira, para comportamento mais desportivo, mas o binário é repartido entre os eixos de forma variável e em função das características da condução e dos pisos. Complementarmente, agilidade, estabilidade e precisão melhoradas com a intervenção do Porsche Torque Vectoring Plus (1587 €), tipo de autoblocante ativo que regula a distribuição do torque do motor entre as rodas posteriores, de acordo com parâmetros como o ângulo do volante, posição do pedal do acelerador e velocidade do automóvel.
Mas, há mais, muito mais… No GTS, até o sistema de escape é específico. A sonoridade da mecânica aumenta ou diminui o prazer na condução e, por isso, a Porsche equipou-o com dispositivo exclusivo que sublinha as qualidades do V6 2.9 biturbo. Pretendendo-se, na consola entre os bancos dianteiros, a través de comando, ativa-se programa que aumenta o nível de intensidade da experiência, naturalmente maior nos programas de ação mais desportivos.
O seletor de modos de condução integra o Pacote Sport Chrono (1174 €) e encontra-se no volante, à direita. O comando (rotativo) permite a seleção dos programas Normal, Sport, Sport Plus e Individual. No monitor do sistema multimédia, no centro do painel de bordo (no PCM novo, em vez de 7,2’’, o monitor tem 10,9’’ e possui comando tátil que atua de forma rápida e simples), regula- se o Individual, para personalização do funcionamento de muitas funções do Macan, da rapidez de reação do motor ao pedal do acelerador à velocidade de atuação da caixa de 7 velocidades, de embraiagem dupla, que dispõe de sistema manual ativado sequencialmente em patilhas.

Nos Porsche mais modernos, a digitalização do automóvel alterou, substancialmente, a apresentação dos habitáculos, com redução importante do número de comandos físicos. Não é o caso do Macan, vide quantidade significativa de botões na consola XXL entre os bancos dianteiros. Aqui, entre outros, encontram-se os seletores que mudam a firmeza da suspensão e a altura livre da carroçaria ao solo, a função Offroad (fora de estrada) e, ainda, o sistema que mantém o automóvel na faixa de rodagem. Este SUV também não está preparado para a admissão de Head-Up Display (informação projetada no para-brisas, no campo de visão do condutor).
Na categoria do Macan, existem muitos automóveis com habitáculos maiores, mas todos os passageiros desfrutam de liberdade de movimentos q.b. e a bagageira tem capacidade suficiente, principalmente dispensando os lugares traseiros e rebatendo os encostos posteriores. Na segunda configuração, 1503 litros de volume máximo de carga. Na primeira, só 480 litros, contra 650 no F-Pace, 550 no X3 ou 525 no Stelvio. Já na qualidade de materiais e montagem, este Porsche é soberbo. A versão GTS tem acabamentos que sublinham o posicionamento premium ou o estatuto desportivo. Por exemplo, Alcantara nos centros dos bancos e nos apoios de braços da consola ou nos painéis das portas, alumínio escovado em vários pontos, etc.

O posicionamento diferenciado do GTS expressa-se, igualmente, no desenho exterior. Na versão mais desportiva do Macan, de série, Pacote Sport Design com para-choques exclusivos e vários elementos em negro (grelha, tomadas de ar, difusor e ponteiras de escape), faróis e farolins LED escurecidos, jantes em preto acetinado e pinças de travão em cor à escolha. O condutor instala- se otimamente e encontra apoios laterais pronunciados. E o conforto é formidável, mesmo rolando-se depressa, devido à competência da suspensão na filtragem das irregularidades do piso. No GTS, motor de 6 cilindros e 2,9 litros com injeção direta e sobrealimentação a cargo de dois turbocompressores instalados no centro do «V». Di-lo a Porsche: este posicionamento é responsável por aumento na rapidez de resposta da mecânica ao pedal do acelerador. O propulsor é o mesmo do Turbo… Na comparação com o homónimo de 2015, potência e binário aumentam (20 cv e 20 Nm, respetivamente).
Na caixa PDK, controlo de arranque (Launch Control) permite acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 5 s (a marca alemã anuncia 4,7 s, mas conseguimos resultado ainda melhor, devido à tração incrível proporcionada pelos pneus de 21’’). Um registo notável para SUV com duas toneladas. Impressionante é, ainda, o fôlego do V6 nas recuperações, independentemente dos regimes de funcionamento. Recorrendo ao kick-down (acelerador a fundo), o carro ganha velo- -cidade muito depressa. No centro do seletor de modos de condução, botão Sport Responde prepara todos os sistemas do automóvel para 20 s de condução no limite, com potência máxima.

O SUV mais vendido da Porsche, depois de atualização muito oportuna, está preparado para mais anos de carreira comercial bem-sucedida. A modernização beneficiou-o tanto técnica como visualmente, mas não corrigiu as fragilidades mais importantes do Macan (capacidade da mala e habitabilidade medianas). A intervenção nas regulações do chassis melhorou (ainda mais) a agilidade, a precisão e a rapidez de automóvel com reações previsíveis em curva e tato de condução excecional, devido à capacidade de direção, suspensão e travões. À lista de atributos soma-se o V6 2.9 biturbo. Na categoria, mais desportivo, não há.