O Honda Crosstar, modelo utilitário com imagem do tipo crossover baseado no Jazz, distingue-se pela grelha dianteira, a maior altura ao solo (37 mm, para totais 152 mm), além de ser mais largo (31 mm) e de dispor de barras do tejadilho, proteções inferiores da carroçaria em plástico e a possibilidade de o tejadilho ser pintado em cor contrastante à da carroçaria. Acrescenta-se a posição de condução ligeiramente mais elevada e, no resto, o Crosstar é igual ao Jazz novo.

Tal como a nova geração do Jazz, o gémeo aventureiro Crosstar propõe-se ao público exclusivamente com motorização híbrida, que associa mecânica a gasolina de quatro cilindros e 1.5 litros, e unidade elétrica com uma bateria de muito pequena capacidade a alimentá-la, e ainda um gerador.
A potência máxima do sistema é de 109 cv e este dispõe de três modos operativos, totalmente automáticos, durante a condução: EV Drive (100% elétrico, ativado por defeito no arranque e a baixa solicitação de energia ao motor térmico), Hybrid Drive (unidades gasolina/elétrica em comunhão de esforços, quando a exigência de potência aumenta) e Engine Drive (configuração mais eficiente a velocidades mais altas, quase exclusiva com motor de combustão, em que o elétrico só pontualmente intervém).

O funcionamento híbrido é correto, promove a suavidade e a condução serena – e por consequência a eficiência no consumo de combustível, que poderá manter-se com facilidade abaixo da fasquia de 5 litros/100 km médios - e confere performances satisfatórias ao veículo, disponibilizando boa elasticidade e velocidades de cruzeiro altas sustentadas. Nas acelerações mais fortes, o desempenho peculiar da caixa automática e-CVT de velocidade única pode tornar-se mais incómodo, pelo arrasto e o aumento de sonoridade que provoca ao motor térmico.
Este é apenas mais um argumento para o privilégio à moderação da condução do veículo, que se estende à dinâmica proporcionada pelo chassis, não especialmente ágil em curva e mudanças de direção, mas sem beliscar a estabilidade e a segurança. A direção é bem assistida e os travões competentes.
Por dentro
O interior é muito espaçoso e prático, à imagem do modelo antecessor, mas modernizou-se e está mais aprazível. Os bancos dianteiros têm uma nova estrutura e o estofo mais denso, e nos posteriores o forro mais espesso 24 mm. A posição do pedal do travão foi reajustada para facilitar o movimento do pé e a regulação do volante permite erguê-lo mais 2 graus e o seu curso em profundidade foi aumentado.

Destas correções resulta uma posição de condução confortável e correta, sobre-elevada, propiciando maior flexão das pernas (aqui ressalvando-se os que preferem sentar-se mais baixo ao volante), e uma visibilidade ótima para a frente, beneficiando das amplas dimensões do para-brisas e da janela das portas dianteiras e dos pilares anexos serem muito estreitos. Para a retaguarda, pelo contrário, o campo de visão estreita-se sobremaneira, sugerindo-se o recurso ao auxílio dos sensores de estacionamento (de série nas versões mais equipadas).

O espaço a bordo é generoso, sobrando quase sempre em todas as cotas habitáveis, em todos os lugares, e até a passageiros de maior estatura.
Ao invés, a bagageira perde significativos 50 litros para a do modelo substituído, com 304 litros de capacidade (VDA). No entanto, a utilização é facilitada pelo acesso a baixa altura do solo (62 cm) e as formas regulares do compartimento. Acrescenta-se um pequeno compartimento em alçapão que pode ser útil para guardar pequenos objetos. Rebatendo os bancos traseiros, o volume de carga aumenta para 1205 litros e a superfície resultante é quase plana. O Crosstar partilha o peculiar sistema de elevação dos assentos dos bancos traseiros do Jazz, para posição vertical (como os de cinema), permitindo transportar objetos altos… em pé.
Ainda no interior, a instrumentação é igualmente nova, agora exibida num ecrã digital de sete polegadas (de série em todas as versões) e o sistema de infoentretenimento foi modernizado e projetado num monitor tátil de nove polegadas. A tecnologia Honda Connect dispõe de funcionalidades como ponto de acesso Wi-Fi, compatibilidade com sistemas CarPlay e Android Auto ou reconhecimento de instruções por voz (como os Mercedes-Benz MBUX ou assistentes Alexa, Google e Siri).