No catálogo da Porsche, finalmente, versão Turbo da geração 992 do 911. O motor de 6 cilindros e a caixa PDK mantêm-se, mas o aumento da potência e as mudanças no chassis são responsáveis por experiência de condução ainda mais gratificante, sensorial e veloz. À prova, a versão S com 650 cv!

A Porsche, no excitante 911, geração após geração, surpreende-nos. 45 anos depois da introdução do primeiro Turbo, o 930, a marca alemã acelera com a versão homónima do 992 apresentado em 2019. Aquele número remete-nos o nome interno da 8.ª edição do automóvel de referência na categoria elitista dos superdesportivos. Como topo da gama, Turbo S com 650 cv. Primeiro teste a máquina apaixonante – e não apenas visualmente!
Comparado com o antecessor, o Turbo novo tem dimensões maiores, com o aumento da largura das vias (40 mm à frente, 20 mm atrás) como ponto de partida para progresso importantes na capacidades dinâmicas de modelo velocíssimo. Mas, tecnicamente, há mais: pela primeira vez, pneus de diâmetro diferente nos eixos: os dianteiros têm 20’’ (255/35), os traseiros 21’’ (315/30). E, assim, encontra-se base ótima para sobrelevação das credenciais desportivas do 911, sempre excecionais.

No Turbo S de 2020, também há geração nova do chassis PASM, ainda mais desportiva. O software que controla o funcionamento do amortecimento é responsável por mais rapidez de resposta e evolução muito significativa na capacidade de controlo, o que influencia de forma positiva a dinâmica na condução. Teoricamente, aumentam quer a estabilidade, quer a agilidade e a precisão! Na prática, devido aos movimentos laterais limitados da carroçaria durante as transferências de massa – entre os recursos disponíveis no automóvel em exame, barras estabilizadoras ativas (PDCC) –, e ao desempenho soberbo da direção, a velocidade de passagem em curva é fabulosa. O 911 também tinha a variante mais firme da suspensão PASM, que associa o amortecimento variável à diminuição da altura livre da carroçaria ao solo em 10 mm, que é opcional (1537 €).

O PDCC também diminiu as trepidações comuns em pisos irregulares e atua em coordenação com a tração integral (PTM) e o sistema de vectorização do binário (PTV). Combinados, monitorizando tanto o ângulo do volante como a posição do pedal do acelerador, a velo- -cidade e outros parâmetros influentes no desempenho dinâmico do 911 Turbo S, garante-se temperamento superdesportivo ao Porsche. A facilidade de condução impressiona até nos limites da aderência, surpreendendo, também, o nível de tolerância ao erro, qualidade que sublinha a capacidade excecional do chassis.
No 911 Turbo S, aerodinâmica adaptativa, recurso introduzido em 2014. Na versão moderna do Porsche Active Aerodynamics, lamelas de refrigeração dos radiadores novas com spoiler dianteiro de lábio variável e asa traseira com regulação automática tanto da extensão como da inclinação. Este sistema otimiza a dinâmica e a segurança do automóvel, por aumentar muito a estabilidade a alta velocidade, com incremento de 15% na força descendente (o máximo de 170 kg encontra-se no modo Sport Plus), a agilidade em curva, a potência da travagem (ativando o airbrake, aileron na posição de resistência máxima!) e o consumo.
O funcionamento do PAA depende do programa de condução selecionado no comando rotativo do Drive Mode. Este programa integra o Pacote Sport Chrono e está posicionado no volante, à direita. No 911 Turbo S novo, Normal, Sport, Sport Plus, Individual e Wet. O sistema influencia tudo no automóvel, da velocidade de resposta do motor ao pedal do acelerador à rapidez da caixa automática de 8 velocidades (PDK), de embraiagem dupla, da atuação da tração integral ao nível de intervenção dos apoios eletrónicos à condução, nomeadamente do controlo de estabilidade. De série, no Turbo S, somam-se os discos carbocerâmicos (PCCB).

No 911 Turbo S, motor de 6 cilindros e 3,8 litros sobrealimentado por duas turbinas de geometria variável, tecnologia que associa à injeção direta de combustível. A mecânica gera 650 cv e 800 Nm, números que prenunciam performances formidáveis. E a marca promete-as! Velocidade máxima de 330 km/h, 0-100 km/h em 2,7 s ou 0-200 km/h em 8,9 s são os registos declarados pelo fabricante. A base do propulsor é a mesma do 3.0 de 450 cv da versão Carrera S, mas os engenheiros da Porsche mudaram muito tanto o sistema de admissão como os turbocompressores e os injetores, cumprindo o objetivo de melhorarem, significativamente, características importantes do automóvel, como a capacidade de aceleração ou a eficiência, palavra que a marca traduz com redução dos consumos e das emissões de gases de escape.
Recuando até ao Drive Mode… No centro do seletor dos modos de condução, existe botão extra para ativação do programa Sport Response, que prepara o motor e a transmissão para 20 s de aceleração a fundo. O movimento produz força descomunal, como acontece com o acionamento do controlo de arranque (Launch Control) da PDK. Esta caixa também tem modo manual operado de forma sequencial em patilhas no volante. E utilizando-o, desfruta-se ainda mais da experiência aos comandos de automóvel no topo da pirâmide dos melhores desportivos do Mundo. O pacote completa-se com desenho exterior e apresentação interior de sonho. No 911 Turbo S, cockpit com acabamentos e equipamento de qualidade. Os revestimentos em pele valorizam-no muito, a exemplo da posição de condução muito baixa, a regra entre os desportivos. Elogiem-se, por exemplo, os apoios excecionais dos bancos dianteiros e os pespontos reminiscentes do Type 930 de 1975. O sistema multimédia (PCM) integra ecrã de 10,9’’, tátil e a cores, no centro do painel de bordo, com os menus e submenus a concentrarem a maioria dos comandos dos programas do Porsche.

O 911 Turbo S novo distingue-se pelo desenho da dianteira, onde sobressaem entradas de ar mais largas que combinam com a imagem iconográfica do superdesportivo da marca alemã. Somam- -se-lhe os dois módulos duplos de luzes (faróis LED matriciais escurecidos) ou o spoiler extensível de forma pneumática para mais apoio aerodinâmico tanto em curvas como durante as travagens. Na traseira, ponteiras de escape retangulares, em negro brilhante, e asa mais larga (mais 8% de superfície de contato com o ar) entre os itens em destaque. Comparado com o aileron antecessor, o novo é 400 gramas mais ligeiro, devido à construção com materiais leves e muito resistentes (plásticos reforçados com fibras de carbono e vidro).
Na Porsche, aparentemente, não existem quaisquer limites ao progresso no 911, o automóvel de referência da marca alemã. Nos 45 anos do lançamento da primeira versão equipada com mecânica sobrealimentada, Turbo novo com chassis e motor(es) otimizado(s). A facilidade de condução mantém-se, não explorando os limites da aderência, que são muito generosos, mas as capacidades dinâmicas e as performances melhoraram, tornando-se ainda mais eletrizantes!