Na 3.ª geração da berlina compacta da marca de Munique, como topo de gama, M135i xDrive. A mecânica de 4 cilindros e 2 litros com sobrealimentação turbo ‘rende’ 306 cv, potência que corresponde ao ‘pedigree’ associado à imagem da divisão desportiva. À prova!

A BMW tem geração nova do compacto Série 1. Este F40 distingue-se dos dois antecessores, E81 (2004) e F20 (2011), tanto na diversidade de carroçarias (produz- -se apenas como berlina de 5 portas, devido ao decréscimo na procura das de 3) como pela disposição da mecânica, consequência de mudança importante na colocação dos motores, de longitudinais para transversais, e da passagem da tração traseira para dianteira. Todavia, mantém-se a hipótese de adoção do sistema de quatro rodas motrizes xDrive (equipamento de série no M135i).
Assim, colocou-se ponto final no elemento mais diferenciador do Série 1, no frente a frente com Audi A3 Sportback e Mercedes- -Benz Classe A, os alvos preferenciais do automóvel da BMW. No entanto, a abordagem radical dos alemães à conceção da geração nova do compacto não beliscou (muito) as credenciais dinâmicas de automóvel com desempenho melhor do que os adversários diretos, principalmente privilegiando-se a condução desportiva. Neste M135i xDrive, pelo menos, impressionaram-nos a agilidade e o tato preciso e seguro!

As qualidades dinâmicas explicam-se. Na versão de topo da gama Série 1, chassis à medida desenvolvido pelos especialistas da divisão M. Inclui direção com assistência variável – garantia de resposta mais direta (leia-se precisa e rápida) –, suspensão com regulações mais firmes dos amortecedores e menos 10 mm de altura livre ao solo, associação que beneficia muito a agilidade, por limitar os movimentos da carroçaria em curva, durante as transferências de massa, travões desportivos (identificam-no o azul das pinças) com discos de grandes dimensões ventilados internamente, para dissipação ótima do calor, condição para manutenção da capacidade até em piso molhado, e jantes de liga leve, de 19’’ (opcionais).
No Série 1 novo, mais recursos técnicos e tecnológicos com impacto na dinâmica, vide controlo de tração que tem nome próprio (ARB) e atua apenas nos limites da aderência, por beneficiar da integração na unidade de controlo no comando eletrónico do motor e não no módulo do programa de estabilidade, o que melhora a rapidez de resposta e reduz as perdas de aderência e os movimentos na direção muito comuns nos compactos com tração dianteira. Complementarmente, o BMW Performance Control intervém nas rodas interiores, em curva, para aumentar o ângulo de viragem e diminuir os riscos de subviragem.
No M135i xDrive, pacote aerodinâmico específico com impacto positivo na imagem do compacto, com os spoilers dianteiro e traseiro e as saias laterais a valorizarem muito a apresentação desportiva e o desempenho dinâmico de automóvel veloz (por exemplo, conduzindo- se a alta velocidade, a asa traseira promove a estabilidade, por reduzir as forças ascendentes no eixo...). E este BMW é um sprinter, devido à atuação combinada da mecânica de 4 cilindros e 2 litros e da caixa automática de 8 velocidades, de origem Aisin (substitui sistema da Getrag, de 7 velocidades e embraiagem dupla).

O 2.0 sobrealimentado por turbocompressor reage com doses massivas de energia aos movimentos no pedal do acelerador, com 450 Nm disponíveis às 1750 rpm e ativos até às 5000 rpm, o que garante disponibilidade imediata em todos os regimes. Já os 306 cv entram em cena só às 4500 rpm, mas cansam- se apenas às 6250 rpm. A BMW anuncia 0-100 km/h em 4,8 segundos e velocidade máxima (limitada) a 250 km/h. São números desportivos! Sem surpresa, conduzindo-se depressa, os consumos ressentem-se. Reivindica-se média de 7,8 l/100 km, mas os 9,3 litros que medimos neste teste são muitíssimo mais realistas…A caixa adapta-se otimamente às características do motor e o sistema dispõe de modo manual ativado de forma sequencial em patilhas no volante, ação que valoriza muito a experiência desportiva… A rapidez da Steptronic depende do programa selecionado no botão de experiência na condução. Existem quatro e também afetam os desempenhos da mecânica de 4 cilindros, da direção e da climatização (contando-se com a suspensão adaptativa, a eletrónica também aumenta e diminui a firmeza do amortecimento): Eco, Comfort, Sport e Sport+.
No M135i xDrive, posto de condução estimulante. O banco tem desenho desportivo e regulações que facilitam a seleção de posição confortável, com apoios excelentes. O encosto integra apoio de cabeça decorado com o logótipo da M, o que empresta capacidade atrativa visual adicional ao compacto da BMW, sublinhando-lhe as credenciais desportivas acima da média.

A M, para acelerar nas vendas, aumentou a gama, privilegiando versões desportivas M Performance que não têm o posicionamento hiperagressivo dos topos de gama superpotentes. Os números confirmam o sucesso da empreitada, com progressão de 32,2% de 2018 para 2019, para recorde de 135.829 unidades. O M135i xDrive expressa muitíssimo bem os valores da divisão da BMW, por combinar chassis com qualidades atléticas acima da média com motor enérgico. E, assim, facilmente, condução excitante!