Com mais de seis décadas de experiência na produção de pick-ups, nas variantes utilitárias para todo o tipo de trabalhos forçados ou mais vocacionadas para o lazer, a japonesa Isuzu acaba de lançar no mercado nacional uma nova geração da bem-sucedida D-MAX, modelo que fica disponível em quatro versões de cabina – Simples de 2 Lugares, Longa de 3 Lugares, Dupla de 3 e 5 Lugares –, dispondo de tração traseira (4×2) ou integral (4×4).
Entre as novidades, a modernização da imagem, com o redesenho das óticas dianteiras e traseiras em LED, novos faróis de nevoeiro e para-choques e novas jantes em liga leve de 18 polegadas. As dimensões são praticamente as mesmas da geração que sai de cena, mas a adoção de portas mais largas veio o acesso ao habitáculo onde cinco ocupantes viajam sem apertos. Acesso facilitado também ao compartimento de carga na traseira, com a introdução de um para-choques traseiro de dois pisos, que serve de escada.

A aparência cuidada prolonga-se ao interior do veículo, desde logo nos bancos revestidos a pele (os dianteiros com aquecimento, regulação elétrica e memória no do condutor), e onde o predomínio das cores escuras volta a contrastar com inserções cromadas e o zelo pelos acabamentos, e também aqui a remeter exclusivamente para a vertente turística do automóvel, menos para a laboral.
Há novos revestimentos em quase todas as superfícies e acabamentos prateados ou em ‘piano preto’ que valorizam a imagem de qualidade. E o painel de bordo que não destoa das propostas do segmento SUV, em matéria de apresentação e rigor na montagem.

O sistema de áudio DVD com ecrã de nove polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay, e comandos no volante, integram a lista de itens de série. E também não faltam modernas tecnologias de ajuda à condução, como são o alerta de saída da faixa de rodagem e os sistemas de pré-colisão com deteção de peões, de reconhecimento de sinais de trânsito, o limitador de velocidade inteligente e o sistema de deteção de ângulo morto, entre outras inerentes à origem trialeira do veículo, como a assistência em descidas e em subidas íngremes e os controlos de tração ativo e de estabilidade em reboque.
Mas, se é verdade que esta versão de topo da Isuzu D-MAX tem imagem e conteúdos que inspiram muito mais ao lazer do que ao trabalho, estes não significam, no entanto, o ‘aburguesamento’ das credenciais dinâmicas. Que são de ‘puro e duro’.

As aptidões fora de estrada beneficiaram com o aumento dos ângulos de ataque e de saída e com a maior altura ao solo. E, recorrendo ao conhecido motor Diesel de 1,9 litros Diesel de 164 cv (agora com turbocompressor de geometria variável controlado eletronicamente, pressão do “common rail” aumentada para 2500 bar em vez de 2000 bar e sistema de tratamento de gases de escape possui tecnologia SCR – redução catatílica seletiva – com AdBlue), a pick-up da marca japonesa confirmou elevadas capacidades, dentro e fora de estrada, garantindo boas prestações no asfalto e a transpor todo o tipo de obstáculos em terrenos revoltos. Valências atestadas em curtos, mas exigentes percursos, com subidas e descidas íngremes além de respeitáveis inclinações laterais. Momentos ideais para perceber a facilidade de utilização com a caixa automática (com melhorias na calibração com vista a uma operação mais rápida na seleção da engrenagem) e recurso às várias possibilidades de distribuir a tração, das duas às quatro rodas motrizes, em altas ou baixas e da importância do bloqueio do diferencial traseiro, responsável pela transmissão da potência a ambas as rodas do eixo traseiro, numa proporção de 50/50, melhorando a eficácia em pisos escorregadios ou nas situações de cruzamento de eixos. O condutor seleciona os modos de tração no comando rotativo na consola central.

No asfalto, a Isuzu não é paradigma de conforto, como a maioria das suas semelhantes, devido à sua arquitetura da suspensão traseira e principalmente sem peso na caixa de carga. No entanto, os movimentos saltitantes em maus pisos de gerações idas das pick-up, foram quase debelados.
O consumo é aceitável para o nível de potência e o tipo de automóvel, com uma média a rondar os 9 litros/100 km, aumentando bastante, sem surpresa, na circulação em todo-o-terreno e em cidade.