VW ID.3 1ST Plus

É outro Volkswagen

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 28-06-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

O ID.3 foi o primeiro produto do investimento de 33 mil milhões de euros do Grupo VW, um terço dos quais dedicado à eletrificação de gama exclusiva na marca que reivindica a criação do carro do povo, com o mítico Carocha, e que agora ambiciona o pioneirismo da democratização da eletromobilidade. Por todos estes motivos, com acrescida expectativa e uma equiparada exigência subtemos o compacto elétrico a teste, sem reservas sobre o essencial a esclarecer: se o automóvel está ao nível das pretensões, o que desde logo significa posicionar a nova VW na esfera da Tesla, mas mais acessível nos preços, mais para o povo.

No design do ID.3 não há rasgos de radicalismo a identificar a natureza elétrica, o que se aplaude, apenas a distingui-lo entre os congéneres pela novidade e ineditismo, pela positiva. Ao acedermos ao interior, ao invés, abre-se um mundo novo conceptual na VW. Minimalismo extremista, eliminação do (considerado) supérfluo para a criação das linhas limpas que vieram para ficar com a eletrificação do automóvel.

Por isso, digitalização quase total, através de comandos táteis, no volante e consola (para acesso direto às respetivas funcionalidades) e no tablier (iluminação), ou através do ecrã sobre o painel de bordo, de dimensões comedidas (10’’) – distanciando-se dos da Tesla (e dos seus continuadores) –, mas com grafismo legível e moderno. Diante do condutor, o painel de instrumentos tem metade do tamanho (5’’) e a mesma clarividência, e acopla o seletor da caixa de velocidades, inspirado no do BMW i3. Assim, libertação do espaço entre bancos para inestéticos, mas úteis porta-copos e outros arrumos.

O privilégio à simplicidade arrisca-se ao simplismo, que é corroborado pela qualidade mediana dos materiais de construção do habitáculo, revestimento dos bancos incluído. Não é baixa, esclareça-se, apenas inferior ao que estamos habituados na VW, acima dos modelos de segmento A da marca, distante da do Golf, a sua referência média. Todavia, o bem-estar a bordo que se exige a um compacto familiar não tem mácula. E o mesmo para a habitabilidade, que, em contraponto à qualidade geral, superioriza-se à do best-seller do fabricante germânico.

Veremos se também não têm pecado a condução, o conforto, a dinâmica, as prestações e a autonomia, este último elemento fundamental num veículo elétrico. Sem contemplações, em todos estes, o ID.3 surpreende pela positiva, como produto da nova geração de elétricos, que se liberta dos trejeitos menos apreciados a estes e os deprecia face aos congéneres a combustão, e acrescenta-se das virtudes inerentes aos da sua espécie. Nos primeiros, são ténues as reações adversas à condução inerentes ao sistema de regeneração de energia nas desacelerações e travagens.

Minimizados os defeitos, potenciaram-se as qualidades aceites nos elétricos, a suavidade que advém da ausência de vibrações, ruídos e aspereza, a manobrabilidade acrescida pelo raio de viragem curto e ainda o agrado à condução motivado pela rapidez da resposta ao acelerador, que vem da potência e do binário imediato elevados: 204 cv e 310 Nm, respetivamente. Com este rendimento esbate-se o lastro de 400 kg imposto pela bateria, assegurando energia suficiente para agilizar as prestações do ID.3, como se afere da baixa relação peso-potência, de 8,8 kg/cv.

Mas não só. Promoveram-se, igualmente, algumas das melhores características transversais a automóveis com todo o tipo de motorizações, como o conforto e a dinâmica. Em ambos, mérito da estreante plataforma (MEB) específica para a gama ID, com suspensões independentes com amortecimento eficaz, em compromisso ótimo entre dinamismo e comodidade, e ainda a integração das mais modernas tecnologias de segurança e apoio à condução, incluindo a já normativa conectividade, a direção corretamente assistida. Por último, mas não menos importante (pelo contrário), a autonomia. Com carga completa da bateria percorrem-se (comprovados) 350 km, praticando uma condução económica, como um elétrico sugere.

O ID.3 é um automóvel bem-nascido, baseando-se na plataforma técnica que desde já confirma méritos vários para sustentar uma família numerosa de modelos unidos pela total eletrificação. A berlina compacta, pioneira dessa gama que aponta à democratização da mobilidade futura na VW, tem quase todas as características primordiais que se apreciam num BEV, excetuando o preço, que desde logo impede-o do epíteto de Elétrico do Povo.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

VOLKSWAGEN ID.3

1ST PLUS

Motor
Tipo Motor elétrico, síncrono
Potência 204 cv (150 kW)
Binário 310 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 58 kWh
Tempo de carga (0-80%) 35 minutos (100 kW)
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 velocidade
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,2 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,261/1,809/1,568 m
Distância entre eixos 2,771m
Mala 385 - 1267 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 215/50 R19
Pneus T 215/50 R19
Peso 1794 kg
Relação peso/potência 8,8 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 160 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,3 s
Consumo médio 15,7 kWh/100 km
Autonomia 420
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão -
Bateria -
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

VOLKSWAGEN

Acelerações
0-50 km/h 3,2 s
0-100 / 130 km/h 7,2 s
0-400 / 0-1000 m 13,9/28,7 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,9 s
60-100 km/h (D) 3,9 s
80-120 km/h (D) 5 s
Travagem
100-0/50-0km/h 43,1/9,9 m
Consumos
Consumo médio 16,5 kWh/100km
Autonomia 351 km

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