No topo da gama X5, duas versões com a ‘etiqueta’ da M que surpreendem tanto pela potência (600 cv e 625 cv) como pela condução desportiva e emocionante. Nas duas, 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos! Testámos a Competition, ainda mais exclusiva e veloz
A BMW, mesmo encontrando- se muitíssimo pressionada para produzir automóveis cada vez mais eficientes (leia-se menos consumos e emissões de escape), o que explica a corrida ao lançamento de elétricos e aos híbridos com recarga externa das baterias (Plug-In), não abre mão da fórmula M. Pelo contrário, propõe- na até nos seus Sport Activity Vehicles (SAV) maiores e mais pesados! No X5, como topos de gama, duas versões preparadas pela divisão desportiva da marca alemã, com 600 cv e 625 cv. Testámos a segunda, que tem nome próprio estimulante: Competition.

Chassis e motor diferenciam os X5 M das demais versões do SAV. Visualmente, os desportivos também têm imagens mais musculadas, vide os para-choques maiores, as tomadas de ar sobredimensionadas, os retrovisores específicos, o aileron ou o difusor traseiros, ou o sistema de escape com quatro ponteiras. No Competition, rodas com 21’’ no eixo dianteiro e 22’’ no traseiro. À identidade do automóvel somam-se os logótipos exclusivos da M.
Também no cockpit, apresentação diferenciada e diferenciadora… Os bancos dianteiros têm desenhos desportivos (por isso dispomos de apoios laterais fenomenais) e o habitáculo apresenta-se revestido a pele. Para a instrumentação e o sistema multimédia, devido à disponibilidade do BMW Live Cockpit Professional, monitores digitais de 12,3’’ (ambos admitem reconfiguração e o integrado no centro do painel de bordo comanda-se tátil ou gestualmente, ou através do comando iDrive na consola, próximo do seletor da caixa de velocidades).

No equipamento, assistente de condução com sistemas baseados em câmaras, radares e sensores valorizadores tanto do conforto como da segurança. E entre as tecnologias, aviso de colisão dianteira com programa de travagem automática, alerta de excesso de velocidade com manutenção autónoma do limite, reconhecimento das marcas da faixa e vibrações no volante após saída involuntária da trajetória, monitorização dos ângulos mortos dos retrovisores e travões precondicionados para resposta de emergência mais rápida e Cruise Control com Stop and Go (encontra-se ativo e mantém a distância para os automóveis precedentes até aos 210 km/h). Tratando-se de automóvel tão potente e veloz, agradecem-se todos os apoios!
Naturalmente, o chassis também ganhou reforços que aumentaram a rigidez do X5. De série, no Competition, suspensão pneumática adaptativa (inclui amortecimento variável), barras estabilizadoras ativas e diferencial M limitam os movimentos da carroçaria em curva, o que beneficia a agilidade, a estabilidade e a precisão na condução, e aumentam o nível de tração. A resposta do pacote técnico e tecnológico depende do modo de condução: Comfort, Sport ou Sport+. O sistema de quatro rodas motrizes privilegia o eixo traseiro, característica que melhora o tato desportivo da condução, maior no programa 4WD Sport do que no 4WD. A direção é mais direta do que a Servotronic normal, mas as duas dispõem de desmultiplicação variável em função da velocidade. Nas versões de topo do SAV, rodas posteriores direcionais – rolando-se a alta velocidade, movimentam-se solidariamente com as dianteiras, melhorando tanto o conforto como a estabilidade direcional; a baixa, rodam no sentido oposto, ação que otimiza a agilidade e a capacidade de manobra de automóvel com quase 5 m de comprimento. Por fim, nos travões, discos em materiais compostos, menos peso e mais capacidade de desaceleração (brutal!) e resistência à fadiga.

A configuração do X5 M obriga a período de adaptação, mas admite-se a programação de duas predefinições individuais que o condutor ativa em comandos específicos (M1 e M2) no volante. Este sistema regula chassis, direção, travões, controlo de estabilidade, tração integral, funcionamento do Start/ /Stop e sonoridade do escape. Tudo somado, a BMW (re)confirma a possibilidade de conduzirmos SUV alto e pesado capaz de acelerar muito – muitíssimo! – tanto em reta como em curva, por vezes contrariando até as leis da física. E a ação… explode, pressionando-se o comando M Mode na consola entre os bancos, que proporciona acesso a três programas de condução que aceleram muito o ritmo cardíaco: Road, Sport e Track (o terceiro é recomendado apenas para circuitos, por desativar as assistências eletrónicas).
Dinamicamente, X5 M Competition formidável… As sensações de condução não são as mesmas que sentimos numa berlina muito desportiva, pois sentamo-nos numa posição sobrelevada e as dimensões do BMW, sobretudo os 2 metros de altura, são uma fonte de forças maiores no corpo, mas a direção é muito rápida, o que permite mudanças de trajetórias ágeis, devido ao rolamento mínimo da carroçaria resultante da atuação combinada da suspensão firme até no modo mais suave do amortecimento e da tração M xDrive.
O motor de 8 cilindros e 4,4 litros sobrealimentado por dois turbocompressores é poço de energia, respondendo com entusiasmo aos movimentos no acelerador. A caixa de 8 velocidades, automática, tem modo manual comandado sequencialmente em patilhas no volante, ação valorizadora da experiência de condução desportiva. A BMW anuncia 0-100 km/h em 3,8 s, registo que igualámos nas nossas medições, onde as acelerações e as recuperações impressionaram tanto como a capacidade de travagem: na manobra de 100 a 0 km/ /h, só 33,5 m! Considerando os mais de 2300 kg do X5 M, soberbo.

Os consumos dependem do tipo de condução. Acelerando-se com moderação, alguma possibilidade de aproximação à média de 12,9 l/100 km reivindicada pelo fabricante de Munique. Todavia, para desfrutarmos das capacidades de chassis e motor, deliciando-nos, simultaneamente, com a sonoridade eletrizante do sistema de escape, impossível gastar menos de 15 litros.
A combinação do formato SUV com o temperamento desportivo não é impossível, mas este tipo de contrassenso pressupõe compromissos e (alguma tolerância). No caso do X5 M Competition, mais velocidade, menos conforto de rolamento, mais imagem, menos aptidões para a condução fora de estrada. Mas, privilegiando-se a fórmula, ganha-se muito e perde-se pouco. O BMW tem condução muito estimulante, depois de configurado com as preferências individuais, ação que obriga a tempo de adaptação.