Na atualização do SUV superdesportivo, felizmente, quase tudo na mesma!
Ficou a alma do 2.9 V6 biturbo de 510 cv, o furor do sistema de tração integral, as hipersónicas trocas da caixa automática e a sonoridade inebriante. A Alfa acrescentou apenas... o que estava em falta: modernização tecnológica
O Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio ainda hoje será o modelo que melhor se aproximará a um Ferrari SUV. E não apenas pelo motor 2.9 V6 biturbo ter sido projetado por engenheiro com historial e currículo feito entre o fabricante dos mais famosos desportivos do mundo. Embora o ADN do coração seja (obviamente!) peça fulcral, a restante essência mecânica e sensorial contribui para a experiência dinâmica que paira na órbita do superdesportivo.

Recentemente, a Alfa Romeo apurou a essência do seu (ainda) único SUV no catálogo – à semelhança do protagonizado na berlina Giulia, com quem partilha componentes, em particular a plataforma Giorgio – com aqueles mimos e atualizações que permitem ao modelo lançado em 2017 manter-se na guerra com a feroz e principal concorrência germânica. No caso específico deste Quadrifoglio, falamos de Mercedes- -AMG GLC/GLC Coupé 63 S ou dos BMW X3/X4 M Competition, cujas potência igualam os 510 cv do Stelvio do trevo verde.
As mexidas passaram pelo apuro da imagem sem beliscar a essência do conjunto, caso da substituição de algumas aplicações cromadas por negras – como no interior do trilobo que tão bem define a imagem frontal – ou ainda o escurecimento das óticas traseiras que assim contribuem para o visual mais racing, fazendo-se agora acompanhar de tecnologia de iluminação LED.
Mais fácil será reconhecer esta segunda fase de vida do Stelvio através dos retoques operados no habitáculo. Saltam à vista os novos formatos para volante (pega excelente e possível de incluir aplicações em carbono como as da unidade testada, por 500 €) e comando da caixa automática, agora acompanhado na base pelas cores da bandeira italiana. A pequena reorganização da disposição da consola central inclui a presença do comando do travão de mão elétrico à esquerda da caixa (antigamente demasiado recuado e junto à tampa do apoio de braços central) e, à direita da mesma, pequena base para colocar a volumosa chave do comando à distância. As aplicações decorativas em carbono acompanhadas pelos revestimentos em Alcantara e pele de cor escura com costuras a vermelho, compõem a apresentação desportiva, onde não faltam bancos cómodos na relação desportivo/confortável, podendo acolher ajustes elétricos. Para clientes mais hardcore, a Alfa dispõe de baquets Sparco em pele a Alcantara sobre estrutura em fibra de carbono, por 3090 €.

Continuando pelo universo das personalizações, o Stelvio Quadrifoglio prevê a possibilidade de escolha da cor para cintos de segurança ou para cobrir as pinças de travão (neste caso, a preto, vermelho ou amarelo), escurecimento dos vidros traseiros ou barras de tejadilho longitudinais em preto brilhante – mas a oferta de equipamento proposto de série poderia ser um pouco mais completa face ao preço base...
Entre os principais destaques da renovada gama Stelvio está a nova (e bem-vinda) geração do sistema multimédia que embora mantenha dimensões soma agora a navegação e seleção através de comandos táteis. Face à manutenção do ecrã de 8,8’’ e colocação do mesmo algo afastada do condutor, elegemos como preferencial a navegação através do comando rotativo colocado na consola central. Mas não existem quaisquer dúvidas sobre o avanço e atualização gráfica dos menus e funcionalidades, agora mais apelativos/premium.
Tratando-se de Stelvio com assinatura do trevo verde, elegemos como preferenciais os menus informativos da condução e estado do veículo, podendo o condutor acompanhar graficamente (por cores) a temperatura dos órgãos mecânicos, percentagem de força entregue a cada um dos eixos motrizes (sistema de tração integral Q4 com diferencial traseiro ativo), valores instantâneos de pressão de óleo e de sobrealimentação e de binário, em aceleração. Ou, ainda, consultar ponto a ponto todas as afinações e ajustes afetos ao modo de condução selecionado a partir do comando rotativo DNA, com destaque para a ação da válvula de escape (aberta ou fechada) ou vectorização do binário no eixo traseiro – em Race, surge a indicação Drift.
É também através do monitor do infoentretenimento que estão acessíveis as novas tecnologias de apoio à condução, com o Stelvio agora apto a circular de forma semiautónoma (Nível 2): o cruise control adaptativo passa a funcionar em conjunto com o assistente de faixa de rodagem e câmara de leitura de sinais de trânsito, quer seja para intervenção direta e automática na direção para correção da trajetória (manutenção no centro da faixa), ou adaptando a velocidade aos novos limites, estando o sistema preparado para o fazer entre 60 e 160 km/h. Tecnologia útil (que a concorrência já oferece), mas opcional.

Mas para que realmente serve um SUV italiano de 510 cv? Para explorar depois de pressionado o botão de ignição colocado no volante e para rodar o seletor do DNA para o modo de condução Race, exclusivo do Quadrifoglio. Estado de espírito radical que automaticamente desconeta o ESP e restantes ajudas à condução, coloca o amortecimento variável mais firme e tátil e altera a sonoridade de escape. Na verdade, nos restantes modos, o Stelvio quase parece um normal SUV familiar, com o V6 biturbo apenas a ronronar e as trocas de caixa feitas em regimes pouco acima do ralenti. Em Dynamic, puxando-se um pouco mais pelas rotações, surgem os primeiros ares de sua graça, mas é de facto em Race que tudo se reveste do tal espírito SUV-Ferrari, com sonoridade gutural, trocas de caixa rápidas e incisivas (são perfeitas as gigantes patilhas metálicas no volante para ação sequencial), pedal de travão consistente e eixo traseiro privilegiado na receção da força de aceleração. A direção e o eixo dianteiro são rapidíssimos e a subviragem quase inexistente. Mesmo SUV, um italiano de verdade!
Esta ligeira atualização serviu, acima de tudo, para o Stelvio acompanhar a corrida tecnológica em curso na concorrência, caso das já automatizadas assistências à condução ou mais completos módulos de conectividade do sistema multimédia. Felizmente, mecânica e soluções dinâmicas intocáveis, já que continuam a ser referenciais e, acima de tudo, revestidas de personalidade única enquanto objeto de prazer.
Preço:
Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio: 132.450 €
Preço da unidade ensaiada: 145.718 €
Principais opcionais da unidade testada:
Pintura Tricamada Vermelho Competizione: 2800 €
Pack Driver Assistance Plus: 2000 €
Pack Power Seats Pele/Alcantara: 1500 €
Vidros traseiros escurecidos: 400 €
Pinças travão Brembo em vermelho: 350 €
Jantes 19’’ escurecidas: 550 €
Volante desportivo c/ carbono: 500 €