Jaguar F-Type Coupé 1st Edition

Garras, sim, mas aparadas

TESTE

Por José Caetano 11-09-2021 07:00

Fotos: Gonçalo Martins

Na Jaguar, modernização do automóvel que recorda a herança desportiva de emblema com sete vitórias nas 24 Horas de Le Mans, uma corrida no ‘top-3’ das mais mediáticas do Mundo, ao lado do Grande Prémio do Mónaco e das 500 Milhas de Indianápolis. Na base da gama de máquina com imagem excitante, mecânica com 4 cilindros e 300 cv

A Jaguar apresentou o F-Type novo em Portugal no início de 2020, antes do primeiro impacto da COVID-19, pandemia que encerrou as fronteiras nos quatro cantos do Mundo e atrasou muitos planos de produção de todos os fabricantes. Mas, como mais vale tarde do que nunca, eis a edição-2021 de desportivo reminiscente do E-Type, desportivo produzido entre 1961 a 1975 que mantém o título diferenciado de automóvel icónico. Ganhou-o tanto devido à imagem belíssima como às performances excecionais.

O F-Type confronta-se com mais e melhor concorrência do que o E-Type, mas cumpre a missão desde 2013... Seis anos depois do lançamento do automóvel que recorda a história de sucesso(s) na corrida de resistência mais mediática do desporto automóvel – seis vitórias nas 24 Horas de Le Mans! –, a Jaguar valoriza Gran Turismo de qualidade, por combinar dinâmica excecional com conforto de rola- mento mais do que suficiente, conduzindo-se sobre pisos regulares A geração-2021, sublinha-se, não é mais do que uma otimização importante do automóvel de 2013, registando-se mudanças tanto na apresentação interior e exterior como nos conteúdos e recursos técnicos e tecnológicos do desportivo fabricado em Inglaterra (a etiqueta made in que o Brexit compromete garante- lhe, ainda, uma diferenciação positiva valorizada pela generalidade dos clientes). Visualmente, comparando o F-Type novo com o de 2013, a edição de 2021 tem faróis com tecnologia pixel LED exclusiva da marca britânica – melhoram a capacidade de iluminação e proporcionam uma assinatura luminosa poderosa. Capot, para-choques, farolins e puxadores das portas têm, também, desenhos atualizados. No cockpit, instrumentos digitais em vez de analógicos (admitem personalização e vários modos de visualização, como o Driver Display que coloca o conta-rotações no centro do mostrador) e sistema multimédia moderno com monitor de 10’’ no painel de bordo (admite seleção tátil e é compatível com Apple CarPlay e Google Android Auto).
 

No primeiro ano de comercialização, F-Type novo com chamariz: a edição especial First Edition tem diversos equipamentos específicos e detalhes diferenciadores, vide bancos com desenhos despor- tivos, regulações elétricas e revestimentos em pele, jantes de 20’’, painel de bordo com acabamentos (parciais) em Alcantara, material que garante um toque extra de classe a um Gran Turismo excecional, patilhas em alumínio para a seleção do programa manual-sequencial da caixa automática de 8 velocidades, etc.!

Mais chassis do que motor

No F-Type com 300 cv, tração apenas às rodas posteriores, mais largas do que as dianteiras – teoricamente, trata-se de configuração capaz de proporcionar uma experiência de condução muito desportiva –, mecânica de 4 cilindros e 2 litros com pacote tecnológico ganhador: injeção direta e sobrealimentação turbo. No entanto, neste Jaguar, indiscutivelmente, há mais chassis do que motor, o que explica as garras aparadas no título.

O motor reage depressa q.b. aos movimentos no pedal do acelerador, mas não tem o temperamento dos V8 com 450 e 575 cv das duas versões mais excitantes do Jaguar F-Type. Ainda assim, os 300 cv e os 400 Nm permitem-lhe não dececionar os fãs da condução e das performances desportivas, como demonstram tanto os números comunicados pela marca (0-100 km/h em 5,7 s, velocidade máxima limitada a 250 km/h) como os registos que medimos durante este teste.

A atuação da caixa contribui para impressão tão positiva, por otimizar o potencial de uma mecânica pequena num automóvel grande... Socorrendo-nos do kick-down, engrena-se automaticamente a relação mais indicada para o regime de funcionamento do V8 e, assim, ganha-se velocidade muito mais depressa. O modo de condução Dynamic (desportivo) acelera a reatividade/sensibilidade ao acelerador e aumenta o débito de energia. A atualização do software explica progresso que não eliminou uma fragilidade do F-Type: como o consumo depende (muito) do ritmo da ação, impossível aproximarmo-nos dos 9,4 l/100 km de média prometidos pelos britânicos.

No Jaguar F-Type, independentemente da mecânica arrumada sob o capot, sistema de escape com válvulas nos silenciadores para regulação do nível de ruído. Acelerando-se, é maior! No painel de bordo, no monitor tátil do programa de info-entretenimento (Touch Pro), possibilidade de reconfiguração do automóvel. O sistema de modos de condução, além de mudar a rapidez de resposta do motor ao acelerador e o comportamento da caixa, aumentando ou diminuindo a velocidade de passagem das relações, também adapta a rapidez da direção ou a firmeza do amortecimento da suspensão.

No Coupé (e no Cabriolet) com motor de 300 cv, a Jaguar não melhorou o chassis (fê-lo apenas nas versões V8), mas o F-Type é sempre muito ágil, estável, preciso e previsível, mesmo conduzindo-se nos limites da aderência, devido à ação da eletrónica de assistência à condução, que inclui autoblocante para mais capacidade de tração em aceleração (a atuação do sistema nota-se nas saídas das curvas). Tratando-se de desportivo veloz, o Jaguar tem travões potentes e resistentes à fadiga. Mas, tudo somado, insiste-se, mais chassis do que motor.

A modernização do F-Type beneficia muito mais a apresentação e o equipamento do que as competências dinâmicas do automóvel com desenho excitante que honra a herança desportiva da Jaguar há cerca de sete anos! A concorrência no segmento é poderosíssima (Porsche 911 & Cia.!) e a mecânica de 4 cilindros não estimula os sentidos nem esgota as qualidades do chassis, mas garante posicionamento comercial mais atrativo (abaixo da barreira dos 100.000 €).

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Ficha Técnica

Caracteristicas

JAGUAR F-TYPE

Coupé First Edition

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1998 cc
Alimentação Injeção direta, Turbo, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 300 cv/5500 rpm
Binário 400 Nm/1500-4500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. multibraços
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,470/1,923/1,311 m
Distância entre eixos 2,622m
Mala 310 litros
Depósito de combustível 63 litros
Pneus F 9jx20-255/35 ZR20
Pneus T 10,5jx20-295/30 ZR20
Peso 1595 kg
Relação peso/potência 5,31 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,7 s
Consumo médio 9,4 l/100 km
Emissões de CO2 215 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos/100.000 km
Pintura/Corrosão 3 /6 anos
Intervalos entre revisões 26000 km
Imposto de circulação (IUC) 394,9 €

Medições

JAGUAR

Acelerações
0-50 km/h 2,4 s
0-100 / 130 km/h 6,3/9,7 s
0-400 / 0-1000 m 14,4/26,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,9 s
60-100 km/h (D) 3,2 s
80-120 km/h (D) 4,2 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,0/9,1 m
Consumos
Consumo médio 12,1 l/100km
Autonomia 520 km

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