Em 20 anos, espaço de tempo entre o lançamento da 1.ª geração do Jazz e o momento que vivemos, a Honda vendeu mais de oito milhões de unidades do utilitário em todo o mundo (23 mil só no nosso país), pelo que se percebe facilmente a importância deste modelo para o fabricante japonês. A efeméride assinala-se com o lançamento de uma versão especial “20 anos”, que se destaca pela pintura do tejadilho em cor exclusiva, emblema específico na traseira e a oferta de porta-chaves único a todos os clientes. Só há 20 para Portugal.

Em 2001, o Jazz veio reposicionar a Honda no topo de segmento utilitário, oferecendo habitáculo e bagageira de tamanhos referenciais, incomparável funcionalidade e versatilidade, dinâmica honesta e bons motores a gasolina. E, vinte anos volvidos, já na 4.ª geração (lançada em 2020), progressos importantes na segurança – obteve a pontuação máxima nos testes de segurança EuroNCAP, graças às tecnologias ativas incluídas –, enquanto a nova geração e-HEV fortaleceu a posição do Jazz no mercado nacional, tendo sido o 2º modelo mais vendido da marca em Portugal no ano passado. E sem perder qualidades enquanto utilitário. O habitáculo é extraordinariamente amplo para um automóvel com menos de quatro metros de comprimento, sendo nesse particular uma referência na categoria – nos lugares traseiros, por exemplo, a distância para os encostos da frente chega aos 75 centímetros, equiparável a um modelo familiar dois segmentos mais acima –, assim como na capacidade da bagageira (304 litros), e nas múltiplas possibilidades de aproveitamento do espaço face aos esquemas de rebatimento dos bancos traseiros, os quais rebatem totalmente (divisão 60:40, com o piso de carga a ficar totalmente plano, oferecendo bagageira com volumetria de 1205 litros) e os assentos também podem ser fixados na vertical aos encostos, de modo a transportar objetos de maior altura. Depois, também o encosto do passageiro da frente também pode ser totalmente reclinado de forma a criar uma espécie de sofá-cama, sendo apenas necessário retirar o apoio de cabeça para o encaixar à base dos assentos traseiros.
Ainda no interior, a instrumentação é moderna, exibida num ecrã digital de sete polegadas (de série em todas as versões) e o sistema de infoentretenimento foi modernizado e projetado num monitor tátil de nove polegadas. A tecnologia Honda Connect dispõe de funcionalidades como ponto de acesso Wi-Fi, compatibilidade com sistemas CarPlay e Android Auto ou reconhecimento de instruções por voz.

Melodia suave e ritmada
Quanto ao 1,5 litros com hibridização (combina motor de quatro cilindros a gasolina e outro elétrico com uma bateria de muito pequena capacidade a alimentá-lo e ainda um motor/gerador), são evidentes as vantagens de utilização. A potência máxima do sistema é de 109 cv e um binário de 253 Nm, “músculo” suficiente para desembaraço assinalável nos trajetos urbanos e extraurbanos de todos os dias. Há três modos operativos, totalmente automáticos, durante a condução: EV Drive (100% elétrico, ativado por defeito no arranque e a baixa solicitação de energia ao motor térmico), Hybrid Drive (unidades gasolina/elétrica em comunhão de esforços, quando a exigência de potência aumenta) e Engine Drive (configuração mais eficiente a velocidades mais altas, quase exclusiva com motor de combustão, em que o elétrico só pontualmente intervém).
Em termos práticos, na condução urbana o sistema vai privilegiar os modos EV Drive e Hybrid Drive, para máxima eficiência; a velocidades mais elevadas, ativa-se o modo Engine Drive – ajudado por um pico de potência do motor elétrico para uma aceleração mais rápida.
Globalmente, o funcionamento promove tanto a suavidade como a condução serena e a eficiência no consumo de combustível, que se mantém com facilidade abaixo da fasquia de 5 litros/100 km médios, não se notando falta de genica em nenhum tipo de percurso. Isto partindo do princípio de que o potencial comprador não espera dele prestações de desportivo…

Onde o Jazz mais desafina…?
Nas acelerações mais fortes. O desempenho peculiar da caixa automática e-CVT de velocidade única torna- se mais incómodo, pelo arrasto e o aumento de sonoridade que provoca ao motor térmico. Ainda assim, condução fácil e cómoda, ainda que não tenhamos ficado totalmente convencidos pela capacidade de filtragem das ligações ao solo, pois o Jazz revela sensibilidade excessiva quando confrontado com maus pisos ou na travessia de lombas sonoras e buracos.
Ao mesmo tempo, se o utilitário da Honda teve sempre argumentos de cariz prático (espaço e versatilidade) quase imbatíveis perante a concorrência, o preço foi um obstáculo. E mantém-se: este Jazz 1.5 HEV EXECUTIVE “20 anos” está disponível por 30.178 euros (a garantia é sempre de 7 anos sem limite de quilómetros), acima dos principais concorrentes.