BMW 220d Coupé

É um Diesel, acredita-se?!

TESTE

Por Ricardo Jorge Costa 04-12-2022 19:00

Fotos: Gonçalo Martins

Nos tempos áureos dos Diesel tivemos de tolerá-los em carros desportivos. Agora que até motores a gasolina tem elevada eficiência, com consumos contidos, haverá justificações para mecânicas a gasóleo em automóveis emocionantes como este?

A BMW fez a nova geração do Série 2 Coupé um automóvel mais desportivo, em harmonia com o design modernizado da carroçaria, de duas portas, e privilegiando o prazer de condução e menos o sentido prático ou familiar. E como? Concebendo o coupé compacto em plataforma de tração traseira, de- senvolvida especificamente para o Série 4 Coupé e partilhada com este modelo, com distância entre eixos aumentada, distribuição de pesos quase equitativa, centro de gravidade rebaixado e, no conjunto, superior rigidez estrutural.

Todavia, o construtor alemão manteve na gama o motor Diesel de 190 cv, com risco acrescido de contrassenso com o desempenho agora ainda mais desportivo do modelo. Continuará a haver tolerância às mecânicas a gasóleo, com todas as inerências do seu funcionamento específico, e espaço à racionalidade no mundo emocional dos carros desportivos? Vamos por partes...

Primeiro, a renovação do design. A BMW manteve a grelha convencional (denominada de duplo rim), preterindo a nova, de maiores dimensões e formato octogonal, ladeando-se de óticas mais esguias sobre entradas de ar redesenhadas nos extremos do para-choques. A lateral da carroçaria também foi retocada, exibindo arcos de roda mais proeminentes e a zona inferior (das longarinas) com contornos vincados, a linha cintura mais elevada e os puxadores das portas embutidos. Na secção posterior, realçam-se a assinatura luminosa dos novos farolins e a extremidade superior da tampa da mala mais pronunciada. No resto, a silhueta do Coupé compacto está mais fluida para otimização da aerodinâmica.

O fabricante bávaro aprimorou as dimensões exteriores do novo Série 2 Coupé, segundo os trâmites dos bons desportivos, fazendo-o mais comprido, mais largo e mais baixo. O compacto tem agora 4,547 metros de comprimento (+10,9 cm), 1,839 m de largura (+6,6 cm) e 1,392 m de altura (-2,5 cm), e a distância entre eixos esticada para 2,741 m (+5,1 cm).

O automóvel não só está mais acutilante à vista, como, conduzindo-o, mostra superior dinamismo. O comportamento do Série 2 Coupé é exemplar, ancorado no equilíbrio estrutural da plataforma cujos elementos elásticos – suspensões independentes e conjunto mola/amortecedor rigorosamente afinados – proporcionam enorme eficácia, sem afetar gravemente o conforto. Elogie-se, igualmente, competência da direção, precisa e direta, e dos travões, eficazes, potentes e equilibrados.

Por fim, a vaca fria: o motor Diesel num automóvel com desempenho dinâmico tão mais acutilante como este. O bloco a gasóleo de quatro cilindros e dois litros, com 190 cv, não deprecia, de facto, as características mais desportivas do Série 2 Coupé. Conferem-lhe uso mais amigável no quotidiano sem que deixe de proporcionar emoções, ou não conhecêssemos as ótimas prestações desta mecânica e as virtudes da transmissão automática de oito velocidades que lhe está acoplada. Um agregado com vasta e reputada folha de serviço na BMW, garantia de muito boas performances, em contraponto com consumos baixos, com valores médios entre os 5 e os 6 l/100 km, e sem grande zelo pela poupança.

As prestações do 220d Coupé são boas, com ímpeto a cada pressão forte no acelerador, e o Diesel bem amparado na caixa de velocidades rápida e precisa. Estão garantidas retomas enérgicas desde regimes baixos, embora numa faixa de regime curta, pois o elevado binário máximo de 400 Nm só está disponível até às 2500 rpm.

O habitáculo é acolhedor e tecnologicamente sofisticado, graças à adoção de materiais de melhor qualidade, acabamentos mais rigorosos e mais farta dotação de equipamentos nesta geração.  Ao volante, o condutor senta-se em banco com corretos apoios, praticamente ao nível do piso do automóvel e todos os comandos principais estão instalados com precisão... germânica. Atrás, apenas dois lugares e bancos individuais, ergonómicos e onde o espaço em altura não abunda,  embora não seja essa a prioridade de quem procura coupés compactos.

A capacidade da bagageira aumentou em 20 litros para 390, que sem ser determinante num desportivo, nem por isso é mais-valia dispensável.

Assumamos: apesar de motores Diesel e automóveis desportivos terem, no mínimo, compatibilidade duvidosa, reconhecem-se virtudes na razão, mesmo quando impera a emoção. Mesmo se mecânicas a gasolina potentes garantem alta eficiência, continua a haver espaço para compromisso com a economia no mundo emocional dos automóveis desportivos. Principalmente, quando o Diesel é tão competente como este dois litros de 190 cv da BMW.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

BMW 220d

Coupé

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1995 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 190 cv/4000 rpm
Binário 400 Nm/1750-2500 rpm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 8 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Ind. multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,1 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,537/1,838/1,390 m
Distância entre eixos 2,741m
Mala 390 litros
Depósito de combustível 50 litros
Pneus F 7.5jx17-225/50 R17
Pneus T 7.5jx17-225/50 R17
Peso 1655 kg
Relação peso/potência 8,71 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 237 km/h
Acel. 0-100 km/h 6,9 s
Consumo médio 4,6 l/100 km
Emissões de CO2 121 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 224,93 €

Medições

BMW

Acelerações
0-50 km/h 2,9 s
0-100 / 130 km/h 7,6/12,0 s
0-400 / 0-1000 m 15,5/28,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3,3 s
60-100 km/h (D) 4,1 s
80-120 km/h (D) 5,1 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,0/9,3 m
Consumos
Consumo médio 5,6 l/100km
Autonomia 892 km

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