Toyota Proace City Verso EV 7 lugares

Elétrico para o que der e vier...

TESTE

Por João Ouro 29-12-2022 10:00

Fotos: Gonçalo Martins

Com propulsão elétrica, o novo City Verso EV da gama Proace é um furgão compacto de passageiros que está disponível nas variantes de 5 e 7 lugares, esta última com comprimento e distância entre eixos ligeiramente superiores (denominada por L2).

Propõe uma configuração com três filas de bancos (2+3+2) e área de carga modular, a qual atinge 515 litros úteis na disposição normal de cinco lugares. Todo o habitáculo é amplo e o acesso à retaguarda é feito de forma prática através de portas laterais de correr – com um vão largo e desimpedido –, embora o peso das mesmas possa dificultar, às vezes, alguns movimentos, exigindo-se maior esforço para abrir e fechar a preceito.

Os bancos do meio (2.ª fila) dobram-se e rebatem, sendo também essa a única maneira de entrar para os últimos lugares (sem avançarem ou recuarem), algo que não é muito cómodo, apesar de ser possível elogiar o espaço na 3.ª fila, quer no comprimento (pernas e joelhos), quer na largura e na altura até ao teto, o que nem sempre acontece neste género de propostas. Os últimos bancos, por sua vez, desencaixam-se e dobram-se, mas é pouco prático o facto de não existir um local adequado para guardar a chapeleira (e a divisória) quando se decide optar pela lotação máxima, sucedendo o mesmo no caso dos cabos de carga (com e sem bolsa) e do revestimento em borracha do estrado. Com sete passageiros, a área de bagagens fica assim reduzida, sendo (bem) menos funcional – salvaguardando-se a abertura independente do óculo traseiro –, existindo depois vários compartimentos e locais de arrumação adicionais ao longo do habitáculo, nenhum deles fechado, inclusive à frente do condutor e do passageiro da frente, onde existe uma espécie de prateleira multiusos no teto e à largura de todo o para-brisas.

É evidente que se está na presença de um modelo destinado a atividades profissionais, mas nem por isso a qualidade geral imposta pela Toyota esmorece, nomeadamente na montagem e solidez dos materiais, apesar da modéstia de alguns plásticos e revestimentos, inclusive o do forro do volante. Faltará maior requinte para uma versão de passageiros, é verdade, mas o conforto está bem ajustado através de uma versão Exclusive (desde 45.600 € ou 37.073 € sem IVA) que propõe equipamentos invulgares para a categoria. Na segurança, por exemplo, destaca-se a inclusão de sensores de parque à frente e atrás, sistema de pré-colisão e travagem de emergência, cruise-control com limitador, aviso de mudança de faixa, reconhecimento de sinais de trânsito, além de travão-de-mão elétrico, luzes automáticas e ecrã multimédia com ecrã de 8’’ – sem navegação, mas com integração de smartphone.

A posição ao volante é típica da de um comercial, um bocadinho mais elevada do que o normal, sendo possível ajustar o banco em altura (e o volante) para cerca de 270 quilómetros sem necessidade de recarga, acompanhando-se o fluxo da energia (tração à frente), os dados do consumo e o valor da autonomia no painel de instrumentação.

A capacidade da bateria é de 50 kW – arquitetura elétrica proveniente da PSA, agora Stellantis –, e o motor atinge a potência máxima de 136 cv (100 kW), limitada por patamares consoante o programa de condução selecionado (tecla Drive Mode na consola central).

O débito de energia é restringido a 82 cv (60 kW) no ECO e no modo Normal atinge 109 cv (80 kW), pelo que, só na configuração Power existe a possibilidade de se obter a máxima performance. Nada menos do que 11,2 segundos na aceleração até 100 km/h – a massa estrutural é de 1925 kg –, com o topo da velocidade a atingir 135 km/h.

A resposta do motor no modo ECO é mais vagarosa e controlada, mas sem exagero, sendo nesse programa que se obtêm consumos médios inferiores, apontando-se valores comuns entre 16,5 e 18 kWh/100 km, um pouco abaixo do anunciado, pelo que a autonomia também poderá aumentar ligeiramente face a esses resultados.

No modo Normal nota-se bem a diferença na resposta da mecânica, mais reativa e com recuperações imediatas, incrementando-se essa intensidade quando se liga o modo Power, aí com a energia a dissipar-se de forma mais rápida. No seletor da transmissão automática é ainda possível optar pelo modo B para gerar uma maior recuperação da energia das travagens e desacelerações, sendo também essa uma hipótese para baixar o consumo e ter (quase) uma condução com um único pedal – o do acelerador – devido à retenção que é feita.

O conforto a bordo é dado pela matriz silenciosa do funcionamento elétrico, sem ressonâncias, a que se junta o ruído de estrada pouco elevado (pneus Michelin Energy Saver 205/60 R16), inclusive com boa resposta por parte do amortecimento e da suspensão, apesar do eixo rígido atrás. Não há atitudes instáveis ou bruscas e as travagens são eficazes com o sistema a integrar discos ventilados à frente. A facilidade de condução é evidente e a autonomia mais do que suficiente, embora possa depender do tipo de utilização, sendo conveniente planear de forma atempada as operações de recarga para evitar dissabores. 

Aliás, quanto às recargas, a capacidade máxima em corrente alterna (AC) é de 11 kW (On Board Charger, cerca de 4,5 a 5 horas até 100%, wallbox de 32A, trifásico), enquanto em corrente contínua (DC) atinge 100 kW, aí com a possibilidade de se abastecer em apenas 32 minutos até aos 80%.

Numa tomada doméstica normal (2,3 kWh), a operação é demorada (cerca de 31 horas), obtendo-se uma estimativa de 6 km de autonomia por cada hora de carga, indicação que é dada no painel defronte do condutor. Outros intervalos previstos: 15 horas a 3,7 kWh e cerca de 8 horas a 7,4 kWh (AC).  

A garantia geral da Toyota para o Proace City Verso é de 6 anos ou 160.000 km; no caso específico da bateria (iões de lítio, 18 módulos) a cobertura é alargada para 8 anos com igual limite de quilometragem.

Existem quatro cores de carroçaria na gama e, entre os principais concorrentes, talvez se possam apontar as alternativas existentes no próprio grupo Stellantis, as quais partilham a mesma plataforma elétrica e têm características idênticas, nada menos do que Citroën ë-Berlingo Multispace, Opel Combo-e e Peugeot e-Partner, por exemplo.

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