Tim, vocalista dos Xutos & Pontapés, amigo de AUTO FOCO (a entrevista imperdível está aqui!) canta num êxito da banda de culto nacional que não é o único a olhar o céu. Mas automóvel com o formato da moda em Portugal para viajar de cabelos ao vento – a olhar o céu… –, há só um: o T-Roc Cabrio e mais nenhum. Atualmente, o único VW descapotável e também o único SUV com uma capota em lona que se arruma em compartimento dedicado na mala ao simples toque de um botão.
Em vez de simplesmente remover o tejadilho do T-Roc, a VW alterou bastante a estrutura, a carroçaria e até o chassis originais do crossover produzido na Autoeuropa, em Palmela (o T-Roc Cabrio não é construído pela fábrica portuguesa, mas na alemã de Osnabrück). Desde logo, a distância entre eixos é quase 40 mm mais longa do que a T-Roc normal e o comprimento total do Cabrio é 3,4 cm maior.

Além dos indispensáveis reforços estruturais, na parte inferior da carroçaria, nos painéis laterais, travessas e longarinas, portas e moldura do para-brisas, para compensar a supressão do tejadilho, a capota é têxtil (vulgo lona), desenvolvida pela Volkswagen e tem acionamento elétrico que demora apenas nove segundos, a abri-la ou a fechá-la, permitindo-o com o veículo a rodar a velocidades até 30 km/h. Todo o processo é automático, dispensando mais intervenção humana do que o simples toque num botão. Quando aberto, o soft top recolhe-se em compartimento na bagageira, o que reduz 161 litros à capacidade base (de 445 para 284 litros). A volumetria baixa, é certo, mas o SUV na sua configuração topless é mais para desfrutar do que para... transportar.
Apesar do peso mais elevado (tem lastro de cerca de 180 kg face ao 5 portas, que traduz reforços estruturais importantes), apresenta comportamento equilibrado em estrada, onde surpreende com níveis bem apreciáveis de agilidade, estabilidade e precisão. Deve-o ao bom trabalho efetuado na suspensão. E há mais elogios para o conforto de rolamento e condução suave e silenciosa com a capota têxtil recolhida.

O único motor disponível na versão aberta do T-Roc é o 1.5 turbo a gasolina, com tecnologia que desliga dois dos quatro cilindros a velocidades de cruzeiro a baixa carga ou em desaceleração para baixar o consumo e as correspondentes emissões de CO2. Menos cilindros a funcionar, menor quantidade de combustível injetado e queimado, logo consumos (mais) comedidos. Mas nem tanto.
O sistema, que passa discretamente o motor ao modo de 2 cilindros, não é assim tão profícuo na eficiência para o consumo, que em média circunda a fasquia dos 7 litros por 100 km, praticando uma condução normalizada em ciclo misto.

Por outro lado, o 1.5 TSI responde muito bem desde regimes madrugadores (o binário máximo fica às ordens do pé direito logo às 1500 rpm e assim permanecendo até depois das 4000), o que quer dizer que qualquer aceleração ou retoma de velocidade se processam com enorme agilidade, ainda mais com o contributo da rápida e suave caixa de velocidades de dupla embraiagem. Só há dois modos de condução, Eco e Sport, que alteram a assistência da direção, acelerador e caixa.
O T-Roc Cabriolet tem quatro lugares verdadeiros (o modelo fechado tem cinco) e é proposto em dois níveis de acabamento: o mais equipado, o R-Line do nosso teste, inclui jantes de 17 polegadas de desenho exclusivo, bancos desportivos em couro sintético Pacote Driver Assistance, Digital Cockpit Pro e sistema de Navegação de topo Discover Media.

Visualmente, as semelhanças com o cinco portas são evidentes, como não podiam deixar de ser, ou não se trataria da versão descapotável do T-Roc. A exceção é o tejadilho, no novo modelo substituído por capota têxtil desenvolvida e produzida pela VW (a preferência pela lona em detrimento de tejadilho rígido retrátil teve a ver com a necessidade de conter o peso e de baixar o centro de gravidade), cuja estrutura em Z roubou aos lugares traseiros espaço em comprimento e também em largura, sobrando apenas arrumação para duas pessoas.
Condicionalismos que não parecem preocupar os responsáveis da marca alemã, sempre salvaguardando o caráter distintivo e único da versão. O resultado é este: uma variação mais lúdica do T-Roc, um produto de imagem para trazer novos clientes para a marca.

O habitáculo é decalcado do modelo fechado, mas há bancos específicos e os painéis das portas receberam ligeiros retoques, nomeadamente com o alargamento dos apoios para braços.
Justificar apenas com o pioneirismo, o potencial de êxito que reconhecemos ao T-Roc Cabrio é, no mínimo, redutor. O único SUV descapotável no mercado é também interessantíssimo exercício de engenharia, com qualidades e o apelo incomparável da condução a céu aberto. Conforto aerodinâmico (com e sem capota) e de rolamento é um trunfo, embora beliscado nesta versão equipada com jantes enormes de 19’’, que ganha em matéria de imagem e na aderência em curva. O motor de 150 cv a gasolina cumpre no plano dinâmico, mas menos na economia, com consumos mais altos do que se previa com sistema que desliga dois cilindros. Como no preço…