Tudo sobre a nova temporada da Fórmula 1. Quem vai juntar-se a Fangio?

Fórmula 1

Por Guida Ferrer 23-03-2018 20:55

Chega ao fim a longa espera para os fãs da F1. Os testes de pré-temporada já serviram para admirar as novas máquinas e cores - aspeto em que a McLaren surpreendeu com o regresso ao famoso laranja-papaia -, mas os adeptos querem que a ação comece, o que vai acontecer já este fim de semana, na Austrália, como manda a tradição.

Durante 45 anos, o lendário Juan Manuel Fangio foi o único a deter cinco títulos -1951, 1954, 1955, 1956 e 1957. Depois, Michael Schumacher encarregou-se de elevar a fasquia, após igualar o argentino em 2002, tornando-se no primeiro (e único) dono de sete cetros mundiais!

Pois esta temporada, o cinco será o número mais desejado por Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Depois do britânico ter chegado aos quatro títulos em 2017, juntou-se ao restrito clube no qual já figurava o alemão (campeão em 2010, 2011, 2012 e 2013). O britânico afirmou estar focado na defesa do título e não em igualar o penta de Fangio. «Vai ser uma temporada longa. Nesta altura, ninguém está a pensar em equiparar-se a outros campeões», defendeu, antecipando duelo «incrível» com Vettel.

Empenhado em devolver os títulos à Ferrari, que não sabe o que isso é desde 2007 (Kimi Raikkonen), está o alemão. «Acho que a Mercedes está certa e o Lewis está certo em serem os favoritos. Mas é uma época longa», avisou Vettel. Caso um deles termine no topo no final do ano, igualará Fangio. «Tive mais tempo para pensar nisso do que o Lewis. Se acontecer, significará muito, mas agora não vejo vantagem em pensar ‘e se’. Muitas coisas precisam acontecer para poder lutar pelo campeonato. E depois ganhá-lo, claro!»

Com Mercedes e Ferrari na pole do favoritismo, resta saber até onde poderá ir a Red Bull, que venceu três GP’s em 2017. Também se aguarda com expectativa a aliança da McLaren de Alonso com a Renault.

Enfim, ingredientes não faltam para haver muita emoção! Que comecem as corridas!

`Grid Kids` em vez de `grid girls`

A decisão de fazer desaparecer as grid girls da F1, a partir desta temporada, não foi pacífica. Os novos donos da Fórmula 1 (a Liberty Media) anunciaram que as modelos contratadas para desfilar junto à grelha de partida seriam substituídas por crianças. Cabe às federações nacionais indicar os jovens pilotos, em função do mérito ou através de sorteio.

Daí que, já a partir da Austrália, 40 miúdos vão ser os primeiros grid kids da história da categoria e certamente terão a experiência de uma vida!

A decisão de afastar as beldades das corridas foi polémica. Pilotos e responsáveis de equipas comentaram e lamentaram. «Há coisas que não têm de mudar e esta é uma delas. É uma boa tradição e não devíamos acabar com ela», considerou Vettel. E até as próprias modelos criticaram as associações feministas, que eram contra a exposição das mulheres, por ficarem no desemprego. «É ridículo que as mulheres que dizem lutar pelos direitos de outras mulheres venham dizer o que nós podemos ou não fazer. Fazemos um trabalho que amamos e pelo qual somos bem pagas», escreveu nas redes sociais uma das mais famosas grid girls, Rebecca Cooper. Mas os patrões da F1 consideraram que a tradição já não é o que era e que estava em discordância com as normas da sociedade moderna dos dias de hoje.

O controverso halo

Sem a revolução nas regras que marcou a temporada de 2017, ainda houve algumas alterações para esta época. Aquela que, por certo, irá causar maiores dores de cabeça às equipas será a que restringe o número de motores a apenas três (em 2017 eram quatro), sob o risco de sofrerem penalizações e a perda de posições na grelha. A medida destina-se, claro, a reduzir os custos das equipas com orçamentos mais baixos.

Os novos monolugares também sofreram modificações, embora mais ligeiras em relação à época transata, por serem uma evolução do revolucionário regulamento do ano passado, com as equipas mais preocupadas em procurar aperfeiçoar o que ainda não estava perfeito.

À vista de todos, a introdução do halo. É a nova estrutura obrigatória de proteção da cabeça do piloto de impactos de destroços. A plataforma, composta por três barras de titânio, foi desenhada para aguentar uma massa equivalente a um autocarro de dois andares, e fica por cima do habitáculo do piloto, descrevendo uma espécie de T. O novo elemento gerou muita controvérsia e, embora camuflado pelas cores nalgumas equipas, o halo está longe de gerar consensos, sobretudo em termos estéticos.

Semáforos com nova configuração

O GP da Austrália vai estrear uma nova configuração dos semáforos da partida para as corridas, em resposta aos receios de possíveis problemas de visibilidade causados pela proteção do halo. Os pilotos terão, aliás, oportunidade de treinar partidas após os primeiro e segundo treinos livres para se habituarem ao novo arranjo das luzes. As preocupações com uma eventual restrição da visibilidade levaram Charlie Whiting, diretor de corridas da Federação Internacional do Automóvel (FIA), a baixar a altura a que estão colocados os semáforos , além de instalar um segundo jogo de luzes, que é mais baixo e está 5 metros afastado das luzes principais, para ajudar os pilotos que estão à frente na grelha e que podem ser atrapalhados pelo halo. Em Melbourne, estas serão deslocadas para a esquerda. Até agora, o segundo jogo de semáforos estava instalado no meio da grelha para facilitar a visão aos pilotos que estavam no fundo do pelotão, mas a FIA acredita que passa a ter mais utilidade para os pilotos que saem da frente. «Com o halo, o que pedimos para cada circuito fazer é colocar as luzes a uma altura standard, além de um segundo conjunto de semáforos que, neste caso, será colocado do lado esquerdo e cinco metros mais afastado das luzes principais», explicou Whiting. «A posição da pole position parece ser a pior com a introdução do halo, porque talvez o piloto não consiga ver bem as luzes, ou ver apenas metade delas, e pode ter de mexer muito a cabeça. Mas, desta forma, terá um conjunto de luzes que estão mais abaixo», acrescentou.

França e Alemanha de volta

Um dos países com maior tradição na história da F1, a França, com 79 vitórias, outras tantas poles, 303 pódios e quatro títulos de pilotos, todos ganhos pelo Professor Alain Prost, volta a receber uma etapa do calendário do Mundial, após quase 10 anos de ausência.

O GP gaulês será realizado no tradicional circuito de Paul Ricard, em Le Castellet, perto de Marselha, após 28 anos, mas num novo traçado, que nos últimos tempos tem sido usado para testes, sobretudo de pneus. A corrida em Le Castellet começou a ser disputada em 1971 e revezou-se com Dijon-Prenois até ao início dos anos 80, sendo o principal palco da categoria no país até 1990. De 1991 a 2008, o GP de França teve como cenário Magny-Cours.

Apesar da saída da Malásia, o Mundial voltará a ter número recorde de corridas (21), pois, além de França, também regressa a Alemanha, após um ano de fora.

A outra novidade é que, pela primeira vez na história, a F1 terá três etapas consecutivas - França (a 24 de junho, evitando, desta forma, as 24 Horas de Le Mans, no fim de semana anterior), Áustria (1 de julho) e Grã-Bretanha (8). As equipas não vão ter uma pausa pelo meio, mas aceitaram de bom agrado a falta de descanso, até porque são todas na Europa.

Por outro lado, em ano de Mundial de futebol, que será disputado na Rússia (14 de junho a 15 de julho), o GP de França terá o seu início 2.10 horas mais tarde do que o tradicional, para evitar o jogo entre Inglaterra e Panamá. Destaque ainda para o facto do GP do Bahrain passar a ser integralmente noturno.

De resto, o horário das corridas europeias foi adiado em 1.10 h. Desta forma, a maioria começa às 14.10 h (horário de Portugal Continental), ao contrário das anteriores 13.00 h, depois de uma pesquisa ter revelado um aumento das audiências se as provas fossem realizadas mais tarde, sobretudo no verão. Os treinos livres e qualificações também avançam uma hora em relação ao horário anterior. Comum a todos os GP’s é o início acontecer 10 minutos após a hora certa. Muitas televisões só começavam a transmitir em cima do arranque da corrida, falhando toda a ação que antecede os GP’s. Agora, já nada se perde!
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