VW Arteon 2.0 TDI DSG

Grande ‘espada’

TESTE

Por João da Silva 13-04-2018 08:00

Fotos: Gonçalo Martins

Quando era miúdo passava muito tempo com o meu avô. São muitas as expressões que dele recordo. Quando olhei para o VW Arteon pela primeira vez ao vivo, pensei: «grande espada!». Assim, mesmo, como o meu avô dizia quando via um carrão, o que era raro na altura, a passar lá na rua.

E é isto o Arteon: um espada. A berlina da VW causa impacto onde quer que esteja, graças às proporções, da carroçaria, muito comprida e baixa, capot muito longo e traseira descida como nos coupés e em que flancos ficam mais proeminentes, conferindo um ar musculado a este familiar acima do Passat.

Sim, porque não nos podemos esquecer que apesar da aparência desportiva, é de um familiar, e dos bons, que falamos. A grande distância entre eixos garante muito espaço no habitáculo e na bagageira: nos bancos traseiros, cabem três pessoas à vontade, sendo que os dois lugares laterais são, como de costume, mais confortáveis que o central.

O compartimento para bagagens tem capacidade entre 563 a 1557, uma das mais amplas da categoria, apenas suplantada por Skoda Superb (625 litros) e VW Passat (586). Relevo, para o ótimo acesso à bagageira: a entrada vai, literalmente, de um lado ao outro da traseira e o portão eleva-se a uma altura notável. Mais: adquirindo o acesso mãos livres da lista de opcionais (1050 €) ganha-se prático sistema de abertura elétrico através da passagem do pé sob a traseira do carro. É útil quando estamos com as mãos ocupadas, mas atenção, durante o tempo que tivemos o automóvel na nossa posse, o portão da bagageira abriu-se inadvertidamente uma meia dúzia de vezes...

Interior de topo

Voltando ao habitáculo, elogie-se a solidez e a qualidade dos materiais e dos acabamentos (que já conhecemos bem do Passat), havendo alguns pormenores que merecem destaque especial pelo cuidado de que foram alvo, como a alcatifa no fundo dos compartimentos para guardar objetos, os frisos cromados que lhe acrescentam maior sofisticação ou os bancos em pele e alcantara que são de série na versão R-Line que guiámos: amplos, confortáveis, envolventes e com bons apoios laterais.

Este nível de equipamento inclui de série a sofisticada instrumentação digital em ecrã a cores TFT de alta resolução com 31 cm (12,3”), que fornece inúmeras informações ao condutor: desde os conteúdos clássicos, como o conta-rotações, o velocímetro e o conta-quilómetros, até aos dados pormenorizados da viagem, ou à apresentação visual dos seus sistemas de assistência ao condutor – a apresentação do Active Info Display pode ser personalizada a gosto do condutor.

Disponível na lista de opcionais está o Head-up Display (535 €), dispositivo útil que aumenta a sofisticação tecnológica e, sobretudo, a segurança, pois permite ao condutor manter os olhos na estrada enquanto acompanha algumas informações básicas relativas à condução, como a velocidade, os sinais de trânsito, a atividade dos sistemas de assistência e ainda as mensagens de aviso e os avisos de navegação.

Menos bem colocado ao centro da consola central está o grande monitor colorido de alta resolução de 23,4 cm (9,2’’). O dispositivo em si tem boa aparência e é fácil de utilizar, sendo simples trocar de menus e de selecionar as opções desejadas, incluindo sistema de navegação, Bluetooth, inter para telemóvel e função App-Connect (permite controlar as funções do smartphone, transferindo os conteúdos deste para o ecrã tátil). Enfim, um mundo de funcionalidades e aplicações móveis para utilizar de preferência pelo passageiro ou pelo condutor com o carro parado.

Motor

Esta versão com motor 2.0 TDI de 150 cv, acoplado a transmissão de dupla embraiagem de 7 velocidades, o Diesel mais acessível da gama, oferece ao mesmo tempo prestações convincentes, funcionamento suave que combina bem com este tipo de automóveis e consumos comedidos. Apesar de se tratar de um carro pesado, nunca sentimos que o motor tivesse falta de potência ou de binário. Claro que não é nenhum foguete em aceleração ou nas retomas (é despachado, mas não tira o fôlego), mas não fica a pastelar em situação alguma. E mesmo quando o esforçamos no modo mais desportivo da caixa de velocidades, não somos incomodados por ruído ou vibrações, pois tudo é atenuado ainda dentro do compartimento da mecânica.

Gostámos muito da direção, leve, precisa, rápida e comunicativa o suficiente para garantir uma condução divertida quando assim o procuramos numa estrada mais encaracolada.

As ligações ao solo são mais firmes do que as que encontramos no Passat ou no Superb, mas nada que chegue para beliscar os níveis de conforto, que são elevados, embora mantenha a firmeza necessária para que não fiquemos com a sensação que guiamos um automóvel apenas vocacionado para o conforto, pois não é, vale muito mais que isso.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

VOLKSWAGEN ARTEON

2.0 TDI R-Line DSG

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1968 cc
Alimentação Inj. dir. CR, TGV, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 150 cv/3500-4000 rpm
Binário 340 Nm/1750-3000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Auto, 7 vel. dupla embraiagem
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11.9 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,862/1,871/1,450 m
Distância entre eixos 2,837m
Mala 563 - 1557 litros
Depósito de combustível 66 litros
Pneus F 8jx19 - 245/40 R19
Pneus T 8jx19 - 245/40 R19
Peso 1643 kg
Relação peso/potência 10,95 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 220 km/h
Acel. 0-100 km/h 9,1 s
Consumo médio 4,5 l/100 km
Emissões de CO2 116 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos ou 80000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 25000 km
Imposto de circulação (IUC) 218,92 €

Medições

VOLKSWAGEN

Acelerações
0-50 km/h 3.6 s
0-100 / 130 km/h 9.8 s
0-400 / 0-1000 m 17.2/31.2 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 3.6 s
60-100 km/h (D) 4.4 s
80-120 km/h (D) 5.7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36.5/9.1 m
Consumos
Consumo médio 6.5 l/100km
Autonomia 1015 km

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