Mercedes explica modo ‘Festa’ do motor de F1

Fórmula 1

Por José Caetano 04-04-2018 18:05

A história ganhou mediatismo na conferência de Imprensa depois da qualificação para o G.P. da Austrália, a 1.ª etapa do Mundial de Fórmula 1 de 2018, com Lewis Hamilton a arrasar toda a concorrência (conseguiu a pole position com uma volta ao Albert Park de Melbourne em 1.21,164 m, superiorizando-se aos Ferrari de Raikkonen e Vettel por 0,664 s e 0,674 s, respetivamente). Então, no encontro com os jornalistas, o alemão da Scuderia insinuou que o britânico contava com modo de potência extra no Mercedes e o britânico, sorrindo, desmentiu-o. Agora, sabe-se mais qualquer coisa…

A origem da polémica encontra-se, precisamente, em Hamilton, que recomendou «uso do motor na configuração ‘festa’ durante as qualificações». A verdade é que o Fórmula 1 da Mercedes tem mesmo modo de «potência máxima», que os pilotos selecionam só em caso de necessidade, na 3.ª fase de qualificação, com os 10 melhores em pista.

Os sistemas de propulsão dos Fórmula 1 integram diversos componentes, do motor de combustão interna (V6 1.6 Turbo) às unidades MGU-H e MGU-K. A primeira recupera a energia do turbocompressor e armazena-a para aumentar ou diminuir a velocidade da turbina, de forma a eliminar o efeito de turbo-lag e, consequentemente, reações mais instantâneas da mecânica ao pedal do acelerador. A segunda recupera energia durante as fases de desaceleração e travagem, como sucedia no KERS que substituiu (o sistema tornou-se três vezes mais eficiente), utilizando-se quer para o débito de mais potência, quer para a função de ‘overboost’. Finalmente, possibilidade de intervenção na gestão eletrónica da tecnologia híbrida.

Intervenção técnica permite mudança(s) na interação dos componentes, melhorando o funcionamento do V6, por exemplo, através da injeção de mais combustível na câmara de combustão ou de alteração no tempo da ignição, ou modificando o mapa do MGU-K e do MGU-H, alterando o processo de recuperação de energia e débito de eletricidade. O sistema da Mercedes tem três modos, com o arranque para o G.P. a corresponder ao momento de «potência máxima».

Nos treinos livres, nas duas primeiras fases da qualificação e durante muitas partes das corridas, para proteção de componentes, a Mercedes adota um modo «conservador», o que permitiu sobrevivência aos problemas de sobreaquecimento registados tanto no monolugar de Hamilton, como no de Bottas. Como o regulamento para 2018 admite só o recurso a três motores durante a época, obrigação de prudência!

A diversidade de programas de funcionamento dos sistemas híbridos dos monolugares Fórmula 1 não é exclusiva da Mercedes, mas a equipa alemã, aparentemente, trabalha melhor com a tecnologia.

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