A GNR deteve 14 pessoas numa mega-operação no âmbito de uma investigação a fraudes na importação de carros usados, que envolve quatro países: Portugal, o Reino Unido, a Letónia e a Alemanha. Entre os 10 detidos em Portugal, há dois funcionários do IMT e outros dois da Alfândega, da Autoridade Tributária.
Todos os arguidos estão indiciados pela "prática dos crimes de fraude qualificada, associação criminosa, branqueamento, corrupção ativa e passiva, prevaricação e denegação de justiça e fraude na obtenção de subsídio". As outras quatro detenções tiveram lugar no Reino Unido e na Alemanha.
A operação no terreno - designada "Netto Price" - está a ser conduzida pela Unidade de Ação Fiscal, sob a direção do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e com o apoio da EUROPOL e da EUROJUST.
Em comunicado oficial, a GNR informa que "a investigação, que decorre há aproximadamente dois anos, identificou uma rede transnacional dedicada a admissão de veículos usados, matriculados em diferentes Estados-Membros da União Europeia, recorrendo a esquemas de triangulação de faturação no intuito de sonegar o IVA legalmente devido ao Estado português e ao suborno de funcionários intervenientes na legalização dos veículos".
"Estas empresas procederam à emissão massiva de faturação falsa com o intuito de permitir a outros operadores obter indevidas deduções e reembolso de IVA, bem como a obtenção ilícita de fundos europeus para o desenvolvimento", explica a GNR.
Através deste esquema, os arguidos obtiveram "uma vantagem patrimonial ilegítima de pelo menos 5 milhões de euros" - lesando neste valor o Estado português.