Confesso que estou nervoso e a coisa não é para menos! À minha frente, o campeão Cupra e-Racer das corridas FIA ETCR (e-Touring Car World Cup), competição iniciada em 2018 - versão do WTCR (World Touring Car Cup) exclusiva para carros baseados nos de turismo elétricos.

Converso com toda a gente, inclusive com o diretor da própria equipa - Xavier Serra -, que já passou pela Peugeot, pelos ralis e está aos comandos do 'team' vencedor da Cupra (EKS). Uma ou outra pergunta - estou estarrecido com a oportunidade, claro! -, e sobre o campeonato de 2022. Apesar da vitória tão categórica, Xavi afirma que não foi assim tão fácil, que não foi propriamente um passeio, tendo em conta a luta dada pela Hyundai nas provas finais.
Parece entender porque falo tanto, mas tranquiliza-me, depois, ao dizer-me que a condução é muito fácil. Vamos ver, vamos ver. Não estou tão certo disso. Aproximo-me do Cupra e-Racer com o número 27 (o 28, imagine-se..., do Martim Moniz a Campo de Ourique é o Cupra que me está destinado) e vejo logo o que me espera. Diabo.

Mais conversa, tento distrair-me, 'blá, blá, blá', nem sei muito bem o que digo, mas fico atento e lá me confirmam que é fácil. Lá me dizem que está tudo atrás (tração, baterias) e que o peso se encontra bem distribuído (cerca de 1800 kg), bastando acelerar e travar. A eletrónica tratará do resto, dizem. Aceito.
Um tipo alto pergunta-me se vou a seguir - sim, sou eu! -, apressando-se a mostrar-me o traçado da pista e a ajudar-me na escolha do capacete. Mattias, Mattias, oiço chamá-lo e percebo então que se trata do campeão sueco Mattias Ekström. Mil desculpas, não o reconheci, e cumprimento-o de seguida. Diz-me para o acompanhar.
'Are you ready'? Não. Sorrisos largos, cinto bastante apertado, até custa a respirar, mãos no volante (espécie de manche de avião), capacete justo, tecla Drive ativada (D), polegar para cima e passo à escuta. Sigo atrás do Formentor VZ5 do piloto nórdico (mil vezes grato), tentando apanhar as explicações breves e os avisos sobre trajetórias e curvas. E agora, eis a minha vez!

A pista de treinos - junto ao aeroporto de Munique - exibe um traçado curto e sinuoso, sem ser muito difícil, apesar de só ter conseguido escrutinar isso perto do fim. É preciso travar nos pontos certos, existindo curvas lentas, um gancho apertado e um esse mais rápido, quase em 'slalom', com pouco volante, onde se atingirá a maior velocidade.

Para se guiar (mais) depressa é preciso ter maior perícia, sem travar tanto, embora seja possível denunciar a extrema sensibilidade dos pedais (leia-se leveza), bastando acertar no acelerador à direita e no travão à esquerda, como num kart, para se conduzir à vontade. Pequenos toques e... acelerações brutais. Apesar do 'cockpit' apertado e da pressão do cinto e do capacete, o Cupra e-Racer é fácil de guiar (tinham razão) e as reações são diretas e precisas, a exigir pouco volante.

Penso que estou a fazer melhor, mais rápido - Ekström está rendido, certamente -, escutando zumbidos eletrizantes e mais fortes sempre que a velocidade aumenta. Chassis excecional e equilíbrio tão grande, que nada o faz tremer - instantes eternos, de sonho! Regresso às boxes, sem deslizes, mas Ekström não parece impressionado. Palpita-me!