O posicionamento do novo SUV compacto da Opel não deixa margens para dúvidas: coloca-se acima do Corsa e está um nadinha abaixo do Astra, embora tenha uma mistura de ambos, quer nas dimensões, quer no estilo de vários pormenores e, claro, na semelhança-tipo dos equipamentos propostos. A base estrutural/plataforma é a mesma do Citroën C3 Aircross, a qual também será aplicada no futuro 2008 da Peugeot, adotando as atuais mecânicas e transmissões do grupo PSA, comuns aos modelos da Peugeot e Citroën.
No entanto, a Opel conseguiu manter a sua identidade na projeção da imagem do Crossland X, tanto por fora (tejadilho inspirado no Adam), como por dentro, respeitando o seu código genético, que se pressente em todo o ambiente interior: materiais, texturas, formato dos bancos, plásticos, cores e design, inclusive das várias teclas de comando. Tanto é possível aceder ao dispositivo AFIL da PSA (aviso de mudança de faixa de rodagem, cuja leitura é feita por câmara situada no topo do para-brisas), como se pode ativar o sistema de apoio em viagem e de emergência On Star da... Opel (mediante contratualização). Faz sentido!
Na versão em análise, os elementos de segurança ativa disponíveis até são pouco usuais na categoria (ver ficha), sendo ainda assegurada a tecnologia mais recente de infoentretenimento através do denominado sistema IntelliLink, compatível com smartphones (Android Auto e Apple Car Play), além de acesso wi-fi com hotspot, mediante custo extra.
Os revestimentos têm boa aparência e a montagem está num bom plano, embora seja possível criticar alguns detalhes, tais como a qualidade do forro do teto (quando comparado com os demais, mesmo tratando-se de modelo do segmento B) e a posição apertada da tecla que ajusta eletricamente os espelhos retrovisores, a qual está muito em cima do rebordo do apoio da porta. Por outro lado, para desligar o AFIL é necessário manter pressão contínua na tecla que está na consola e o travão de mão (manual) ainda não aderiu à moda do acionamento automático. Já agora, a abertura mãos-livres das portas é opção (350 €) e a do portão da mala não está sequer contemplada. De série, tanto na versão Innovation como na base Edition, destaca-se a câmara dianteira que identifica os sinais de trânsito e proporciona a referida função de aviso de saída de faixa, além do cruise-control com limitador de velocidade. Entre as várias tecnologias propostas é ainda possível elencar a iluminação LED à frente (com função de curva e assistente de máximos, por 750 €), head-up display (nada vulgar na classe, por 350 €) e o inédito alerta de colisão dianteira (deteção de peões) com travagem automática, embora este último dispositivo só esteja previsto chegar à gama depois do verão, assim como o alerta de cansaço do condutor.
Outras ajudas possíveis dizem ainda respeito às funções de alerta de ângulo morto (por ultrassons, pack Park&Go por 750 €) e à inclusão de câmara traseira com imagens a 180º (Park&Go+, 890 €). Há alguns anos não se pensaria que um modelo deste género pudesse ter acesso a tanta tecnologia do... género. Ainda bem.
Outra evidência flagrante é a imagem de crossover sugerida por um pequeno automóvel que não ultrapassa sequer 4,21 m de comprimento, embora a altura esteja ligeiramente acima dos 1,60 m. É o dado físico exigido ao formato da moda, consagrado num centro de gravidade mais elevado, neste caso com acesso prático ao interior e a assegurar visibilidade panorâmica na estrada. Quem conduz também está sujeito a esse contexto, embora longe do para-brisas e com o tablier orientado para si, tendo a possibilidade de ajustar o volante em altura e alcance. A posição está bem centrada e todos os comandos à mão, sem desajustes funcionais (excetuando a tal tecla dos retrovisores). Por dentro, aliás, este Opel reflete bem o aspeto funcional que é dado pela estética tipo SUV, não renegando esse conceito, que se projeta num habitáculo versátil e amplo (tendo em conta o tamanho...) e com vários compartimentos para pequenas arrumações, incluindo local para recarga de telemóveis por indução. Os bancos traseiros são ajustáveis de forma longitudinal (15 cm, por 350 €) e a mala pode variar entre 410 e 1255 litros, de acordo com os rebatimentos dos bancos (40:20:40) ou ainda da posição do estrado. Tudo fácil.
A condução é levezinha (assistência elétrica da direção) e a dinâmica não é prejudicada pelo formato, embora a mecânica ECOTEC Diesel (start-stop) esteja mais orientada para o baixo consumo (médias de 4,5 a 5,9 l/100 km) do que para prestações vigorosas.
A resposta nem sequer é esforçada em utilização normal e é possível manter andamentos aceitáveis em autoestrada, mas se se exigir outro ritmo a mecânica deixa transparecer certas limitações. Há menor fôlego nas recuperações e nas acelerações, mesmo que o arranque até 100 km/h seja obtido em 12,5 s. Menos mau! A caixa manual não complica e é eficaz, mas pouco rápida e com relações longas. Quanto ao conforto, o Crossland X está ao nível dos rivais (e são tantos...), apesar da maior firmeza no mau piso.