Embora seja ainda recente esta moda dos SUV, historicamente já se perdeu a memória sobre os alicerces do seu sucesso: será porque os clientes encontraram nas carroçarias formato distinto que quebrasse a hegemonia de cinco portas e carrinhas, ou objetivaram, na realidade, os ganhos de funcionalidade que os SUV lhes acrescentam?
É que se fosse apenas por este último motivo, não se teria registado o expressivo fenómeno de migração dos monovolumes para os SUV, pois os MPV, sejam de que segmento forem, continuam reis na arte de conciliar espaço com bem-estar. Por isso, apostamos no estilo, na diferenciação e, acima de tudo, no caminho da personalização que as marcas também acharam por bem associar a esta nova corrente, como que catapultando os interesses dos clientes.
Face a propostas firmes como Renault Captur e Peugeot 2008, o Seat apresenta-se com estilo carismático que espelha não só a atual imagem de marca do fabricante espanhol, estendendo as argumentações visuais às múltiplas possibilidades de conjugar a tonalidade da carroçaria com a do tejadilho (num total de 68, pelo que dificilmente o vizinho do lado terá um Arona igual ao seu), bem como à diversidade tecnológica que está subjacente a uma completa gama de motores e versões.
Para o caso, teste ao mais potente 3 cilindros a gasolina de 115 cv, associado ao igualmente estreante nível de equipamento Xcellence, apontado a clientes de gosto bem definido e exigências próprias. A originalidade decorativa do pilar C, bem como a presença de barras no tejadilho, contornos plásticos em torno das rodas e, neste Xcellence, ar de SUV com genes de jipe através das aplicações em cinza nos para-choques, conjugam-se para a referida e apreciada identidade.
Interior
Depois, seguem-se os desejados trâmites familiares que conjugam a referida originalidade com a funcionalidade. O interior tem o condão de ser bastante alto, o que muito ajuda à boa sensação de espaço, seja à frente ou atrás. No banco posterior o ideal será o transporte de dois passageiros para garantir a melhor acomodação a bordo, até porque o túnel central no piso é bastante pronunciado e não existem pegas no tejadilho para que as pessoas se possam agarrar e suportar o seu peso em curvas mais apertadas. A mala é de fácil acesso e possui plataforma de piso ajustável, ora criando alçapão, ora permitindo o encaixe máximo de 400 litros até à altura da chapeleira.
A posição de condução vai ao encontro das tendências de um público feminino (sobrelevada), embora as amplas regulações de volante e banco permitam o encaixe de condutores de todas as estaturas e gostos.
A Seat não esconde uma certa veia dinâmica mesmo entre o seu mais pequeno SUV ao apresentar consola central ligeiramente voltada para o condutor, em si focando a maioria das atenções. Extensíveis ao rol tecnológico de ajudas à condução e de sistemas de infoentretenimento que as camadas de clientes mais joviais começam a não saber viver sem elas. Assim, no nível Xcellence, presença de monitor central tátil muito límpido e vanguardista, incluindo, de série, a função de espelho de smartphone (Full Link) para ideal interação com música e redes sociais.
Em opção, sistema de navegação e projeção de imagens (excelentes) da câmara de visão traseira. Em nome da segurança rodoviária, em particular nas cidades e em situações de estacionamento, o Arona pode incluir aviso de trânsito à retaguarda e até travagem autónoma nestas situações – a mesma que poderá evitar acidentes a baixa velocidade nas filas de trânsito e gerir distâncias quando ativo o cruise control adaptativo.
Motor
Não menos evoluída tecnologicamente é a unidade de 1 litro a gasolina, de apenas 3 cilindros que trabalham quase sem desvendar a arquitetura desequilibrada, sem ruídos ou vibrações nos regimes médios e baixos, onde este motor mostra muita genica e elasticidade para enfrentar a cidade sem cansar o condutor no recurso à caixa, ou ainda somando genica extra em estradas nacionais e autoestrada. O consumo médio a rondar os 6,5 l/100 é justo.
Com as jantes de 17’’ da unidade ensaiada, o contacto com a estrada surge um pouco mais firme do que esperado, embora o Arona ganhe uma inesperada vivacidade (e segurança) dinâmica que a elevada altura da carroçaria leva inicialmente a desconfiar. O certo é que a afinação geral dos elementos de condução é acertada, caso do tato leve da direção que só a velocidades muito elevadas se torna leve demais.
Preço da unidade ensaiada: 25.020 €