Há os automóveis que se ambicionam. Mas são os que não deixam ninguém indiferente, fazem virar cabeças e motivam comentários e piropos por onde passam, exóticos sem serem extravagantes, aqueles em que realmente se sonha...
A sexta geração do Quattroporte foi submetida a segunda modernização, da imagem, através do novo desenho dos para-choques dianteiro e traseiro e da grelha frontal; e dos equipamentos, com estreia de faróis dianteiros totalmente em LED e adaptativos, e ainda o reforço das tecnologias de auxílio à condução com os assistentes de condução em autoestrada, de manutenção na faixa de rodagem e os sistemas de monitorização do ângulo morto e de leitura de sinais de trânsito. Soma-se a substituição do mecanismo hidráulico de assistência por elétrico.
Há automóveis que se ambicionam e os que se sonham. Nos primeiros estão certamente em maioria os de marcas premium, modelos de segmentos superiores que harmonizam dinanismo, conforto, sofisticação e até luxo. Mas são os que prendem o olhar e motivam comentários e piropos por onde passam, exóticos sem serem extravagantes, aqueles em que realmente se sonha – automóveis de sonho. São de marcas que se vêm pouco nas estradas, de nicho e que conferem exclusividade aos seus proprietários a preço indecentemente inflacionado. Os primeiros são Audi, BMW ou Mercedes, e os segundos, Ferrari, Lamborghini ou Maserati.
Deste último fabricante italiano, o Quattroporte, a berlina de topo de gama, apresenta-se na segunda atualização da 6.ª geração, no ativo desde 2013. A modernização foi pouco mais do que ligeira e fez-se pela imagem e com o reforço dos equipamentos de auxílio à condução, que mais do que indispensáveis, são quase obrigatórios, nos dias que correm, em automóveis de luxo.
A primeira impressão quando se vislumbra o Quattroporte é a do seu gabarito avantajado, como o das berlinas de topo de gama das marcas premium mais convencionais, Audi A8, BMW Série 7 ou Mercedes-Benz Classe S, superior a 5 metros de comprimento. No entanto, de convencional, o porta-estandarte da Maserati nada tem. Desde logo, pela origem italiana que o torna diferente daqueles alemães, por tradição genuinamente desportiva, tanto na imagem, mais emocional, como na dinâmica, mais acutilante. E que faz do Quattroporte uma berlina de luxo muito mais para ser conduzida pelos seus proprietários e menos para transportá-los nas confortáveis poltronas posteriores, apesar de impressionantes no espaço e na extrema comodidade.
Habitáculo
Amplamente modernizado com a primeira atualização da 6.ª geração, em 2016, o habitáculo do modelo suprassumo do prestigiado fabricante de Modena é estimulante dos sentidos, pela imagem do design elegante e requintado característico das criações dos construtores italianos de luxo, o cheiro forte a pele, que reveste os bancos e quase integralmente o tablier, e o tato suave neste e noutros materiais nobres, sem dispensar outros de natureza mais racing, como o alumínio e a fibra de carbono. A despertarem para o sabor da condução.
Na consola central, em baixo, o controlo rotativo que gere o sistema de infoentretenimento (já generalizado nos seus semelhantes germânicos, mas que alguns construtores premium erradamente não dispõem nos seus topos de gama), com software moderno e ecrã tátil de grandes dimensões (8,4’’) sobranceiro, a dominar o tablier. Elementos que são tiveram modificações, mantendo-se com visionamento e controlo intuitivos e funcionais.
Motor
Premindo o botão da ignição, obrigatoriamente do lado esquerdo do volante, faz-se ressoar o motor a gasóleo de seis cilindros, que se faz anunciar sem denunciar a sua origem Diesel, sem trepidações ou sonoridade peculiares. Esta mecânica de três litros, com 275 cv e 600 Nm, dispara o Quatropporte, de quase duas toneladas, em apenas 6,4 segundos até aos 100
km/h e para uma velocidade máxima de 252 km/h.
É um privilégio poder selecionar o modo Sport do programa de condução, que além de engrossar a sonoridade do escape e apressar a resposta daquela mecânica e as passagens da caixa automática de oito velocidades do especialista ZF, ao esmagar do acelerador, torna a eletrónica de segurança ativa (ESP e controlo de tração) mais permissiva.
A transmissão pode adotar cinco modos de funcionamento (Auto Normal, AutoSport; Manual Normal, Manual Sport e I.C.E.), que podem ser selecionados através dos botões junto ao seletor da caixa de velocidades, cujo controlo manual o condutor pode assumir, através das longas patilhas no volante ou utilizando o joystick na consola.
Dinâmica
O comprometimento desta berlina com o conforto, para garantir uma filtragem ótima, digna de um automóvel topo de gama, constitui um ligeiro constrangimento à dinâmica mais desportiva, privilegiando a estabilidade sem restrições a velocidades mais elevadas, como as que se permitem em vias rápidas sem sequências de curvas que empenhem as suspensões a restringir os movimentos da carroçaria, sob fortes apoios ou transferências de massa entre eixos. De qualquer modo, permite-se variar a firmeza do amortecimento através de um botão dedicado ao alcance do dedo do condutor.
A direção é nova, deixando de ser assistida por mecanismo hidráulico para passar a um elétrico. Sem que a mudança signifique um novo referencial de precisão e muito menos em manobras de baixa velocidade, em que não é imune às vibrações do eixo dianteiro em movimentos de brecagem total das rodas. No resto, mantendo-se fidedigna na comunicação entre o volante sobredimensionado e as rodas a velocidades intermédias, ainda perde alguma assertividade nos andamentos mais rápidos.