No topo da escala de motorizações na gama do Seat Arona está este moderníssimo 1.5 TSI a gasolina, com 150 cv, e apenas disponível com o acabamento FR, que é o mais desportivo do portefólio de versões do crossover da marca de Barcelona. A mecânica é a declinação mais potente do evoluído bloco do Grupo VW, que trabalha sobre o ciclo Miller (tempo de expansão mais prolongado ao de compressão), pressão de injeção de 350 bar (contra 250 bar do 1.0 TSI), só não permitindo a denominada função coasting, que é o patamar mais evoluído do sistema de gestão ativa dos cilindros – ACT (Active Cylinder Technology), apenas disponível no 1.5 TSI de 130 cv, de que o Arona não dispõe.
Neste motor de 150 cv, a ideia é oferecer o melhor de dois mundos, doseando-se o acelerador, usufrui-se dos proveitos da tecnologia ACT, que permite a desativação de dois dos quatro cilindros do motor, para consumos aproximados aos de um milinho a gasolina moderno. Ao contrário, puxando-se pela mecânica que mostra disponibilidade interessante logo a partir das 1500 rpm descobrem-se as prestações convincentes de motor de 150 cv, e com a caixa manual de 6 velocidades a ajudar ao bom desempenho da mecânica, quer na precisão do engrenamento como na suavidade com que se deixa operar. Apesar do escalonamento algo longo, o agregado funciona, poupando-se ou abusando-se do pedal do lado direito.
Mas a pergunta é: garante este motor a utilização desportiva que esta versão FR (acrónimo de Fórmula Racing), com direito a acabamento específico e a possibilidade de incluir cintos de segurança e pinças de travão pintadas em muito racing vermelho vivo, podem sugerir? Não!

O bloco TSI Evo destaca-se muito mais pela suavidade de funcionamento, a par do consumo contido, a rondar os 6 litros/100 km. E apesar da ótima disponibilidade, que pode ser potenciada ativando-se o modo Sport no Perfil de Condução, desportivo não será.
Isto sem prejuízo das ótimas credenciais dinâmicas de modelo que tem chassis que chega e sobra para o desempenho da mecânica, mantendo-se sempre muito estável e com ótima aderência. E nota também muito positiva para o tato da direção e para a forma como esta comunica com o condutor.
Menos brilhante, a forma como a Seat procurou o mais interessante compromisso dinâmica/conforto. Com as jantes de 18’’ da unidade ensaiada, o contacto com a estrada surge bem mais firme do que seria desejável em automóvel que foi pensado para se conduzir na urbe, mas ainda para permitir alguns atrevimentos por pisos não asfaltados.

A posição de condução sobrelevada é tipicamente de crossover, mas os bons bancos do acabamento FR e as amplas regulações de volante e banco permitam o encaixe perfeito. O interior tem a vantagem de ser bastante alto, o que muito ajuda à boa sensação de espaço, seja à frente ou atrás. No banco posterior o ideal será o transporte de dois passageiros para garantir a melhor acomodação a bordo, até porque o túnel central no piso é bastante pronunciado.
A bagageira tem amplo acesso e possui plataforma de piso ajustável, para criar prático alçapão ou permitindo a volumetria máximo de 400 litros até à chapeleira.