Na essência, é o mesmo Tuscon que a Hyundai lançou no mercado nacional no início de 2016. Na prática, é um modelo que foi submetido a diversas alterações técnicas importantes, ao apuro de design e a substancial reformulação ergonómica do habitáculo.
Podem ser poucos, mas o certo é que os retoques estéticos muito ajudam a promover a imagem da nova geração Tucson, cujo resultado prático do reforço de cromados na grelha e até no acabamento das novas jantes de 18’’ se aliam à imagem tecnológica promovida pela adoção de tecnologia LED nas óticas traseiras e luzes diurnas.
Já abrindo portas, as novidades são bem mais evidentes. Toda a zona superior do tablier foi reformulada estética e ergonomicamente, agora com saliente monitor tátil de 8’’ na zona central, de localização mais imediata ao toque e à consulta visual das informações. A versão (topo de gama) Premium, em análise, inclui sistema de navegação já com imagem em perspetiva e onde não falta a projeção dos principais edifícios das maiores cidades nacionais, além de estar já dotada de carregador indutivo para smartphone e possibilidade de espelhar informação dos mesmos mediante as aplicações Apple Car Play e Android Auto. A câmara traseira também surge de série.
Embora esteticamente apelativos e a contribuir para imagem de SUV quase TT, os estribos laterais surgem demasiado salientes e a dificultar o acesso ao habitáculo, já de si mais alto à concorrência direta (como Nissan Qashqai ou Peugeot 3008), já que o Tucson é modelo de dimensões mais avantajadas. Sendo grande por fora, tal permite-lhe exibir interior extremamente espaçoso, com muitos centímetros livres em todas as direções e, particularmente, com boa sensação de desafogo, a que não será alheia a ampla superfície vidrada. A inclinação das costas do banco traseiro pode ser ajustada (em 60/40) em prol de superior comodidade. Sob os mais de 500 litros da generosa bagageira há ainda espaço para acomodar roda suplente.
Nesta atualização da gama, a Hyundai poderia ter acrescentado passagem/ligação entre habitáculo e a mala, por exemplo, na zona do apoio de braços central traseiro, o que ajudaria a promover a versatilidade. Neste campo, a chapeleira não vai além de funcionamento básico (poderia correr em calhas laterais para facilitar o acerto...) e, no interior, as bolsas nas portas são estreitas às pretensões práticas de SUV vincadamente familiar.
Em falta, também, a presença das mais modernas tecnologias de apoio à condução, com o Tucson Premium a esquecer-se de aviso de aproximação, travagem autónoma, alerta de saída de faixa ou de presença de veículo em ângulo morto. Faróis principais em LED não foram contemplados, apenas iluminação de berma – por intermédio das óticas de nevoeiro. Face às dimensões exteriores, sensores de estacionamento dianteiros também seriam bem-vindos.
Entre as principais alterações introduzidas nesta segunda fase de vida do atual Tucson, substituição do anterior 1.7 CRDi pela mais moderna unidade 1.6 CRDi de 116 cv e 280 Nm de binário. Embora os dados teóricos sejam semelhantes entre ambas as motorizações, a agora adotada inclui sistema de AdBlue para ajudar na redução dos elementos poluentes. A atualidade da mecânica permite agora consumos francamente mais reduzidos, onde facilmente serão vistos inscritos no computador de bordo valores em torno dos 6,5 l/100 km. Em autoestrada, circulando-se dentro dos limites legais, o consumo médio rondará os 6 litros.
O motor 1.6 CRDi de 116 cv está associado a dócil e precisa caixa manual de 6 velocidades, com relações bem adaptadas às capacidades da mecânica. Não se podem esperar milagres relativamente a acelerações ou desempenho puro, mas o certo é que as recuperações aferidas são mais lestas ao anterior 1.7 CRDi de 115 cv. Resultado que não espanta à elasticidade sentida nos baixos e médios regimes, raramente obrigando a reduções de caixa. Nesta afinação amplamente focada na facilidade de utilização, o motor 1.6 CRDi ainda complementa a sua prestação com contidos níveis de ruído. Mas, carregando-se o Tucson com passageiros e carga, as viagens por vias nacionais ou autoestradas terão de ser encaradas com a consciência das limitações da mecânica...
As ligações ao solo dão clara primazia ao conforto, ainda fornecendo excelente sensação de robustez geral, à imagem da qualidade de construção sentida a bordo. O Tucson disponibiliza dois modos de feedback para a direção (Conforto e Desporto), a qual é suficientemente comunicativa para SUV deste segmento. A condução do Tucson é pautada pela simplicidade em todos os cenários de ação, não esquecendo presença de travão de mão elétrico.