Desde que foi lançado na 1.ª geração, em 2002, mais de um milhão de Touareg foram vendidos em todo o mundo e, agora, com o adeus à carreira comercial sensaborona do Phaeton (apenas 84.325 exemplares entre 2002 e 2016), as possibilidades do SUV de grande porte são ainda maiores. Desde logo, porque esta 3.ª geração do Touareg integra a ofensiva de produto mais ambiciosa e, talvez, mais numerosa, na história da marca, apresentando-se ao serviço depois dos lançamentos de Tiguan, T-Roc, Tiguan Allspace (na Europa)/Tiguan L (China) e Atlas (EUA)/Teramont (China), antes do compacto T-Cross e do primeiro elétrico membro da família I.D. derivado do I.D. Crozz de Genebra-2018. Uff...!
Depois, porque pela primeira vez na história do modelo pertence-lhe sem rodeios o estatuto de automóvel no topo da gama da VW. Técnica e tecnologicamente, sem paralelo no catálogo do fabricante alemão.
Se não basta sê-lo...
O desenho também expressa essa promoção de estatuto. O novo Touareg é, de longe, mais desportivo, elegante e sofisticado do que o anterior, com a grelha a quase toda a largura do rosto como elemento dominante. E, se ainda na dianteira os faróis LED expressam tecnologia, há na silhueta deste SUV de grande porte um intrincado jogo de luzes e sombras, que lhe dá músculo e uma imagem de robustez que cativa. E não é necessário ser-se adepto do formato…
Mas, claro, esta intenção de seduzir o cliente de marcas premium e de segmentos de prestígio não passaria disso mesmo se o conteúdo não respondesse exatamente ao que nos sugere a embalagem. No Touareg III, suplanta-o. Por mais sofisticada que seja a nova imagem do topo de gama alemão, o recheio está um patamar acima, sobretudo nesta versão ensaiada, a que não falta, entre os muitos conteúdos, o Innovision Cockpit (2395 €), com dois painéis digitais de grandes dimensões para instrumentação e info-entretenimento – 12’’ e 15’’, respetivamente.
São reconfiguráveis e o segundo admite comandos táteis. No ecrã mais pequeno, através do comando ‘VIEW’ no volante muda-se a apresentação do painel de instrumentos, proporcionando mais informações ao condutor. Depois, onde não há ecrãs digitais de ótimo aspeto, há materiais de enorme qualidade, dignos de produto premium, montados com o rigor de topo de gama. Para conveniência dos utilizadores, é possível comandar as variadas funções, personalizar os conteúdos ou consultar informação através do toque, voz ou gestos. E temos de referir o cuidado empregue no tratamento da luz no interior: são trinta pontos com intensidade ajustável, das pegas e painéis das portas ao porta-luvas, das luzes de cortesia ao piso, dos compartimentos à iluminação indireta, para experiência a bordo... à parte.
Grande por fora, ‘enorme’ por dentro
Olhando a concorrência direta, Touareg em linha com os rivais nas dimensões de carroçaria com construção híbrida em aço e alumínio – 52% e 48%, respetivamente. Nesta 3.ª geração, cresceu 77 mm de comprimento, 1 mm entre eixos e 44 mm de largura, contra menos 44 mm em largura.
Assim, a habitabilidade aumentou, nomeadamente nos bancos posteriores, com os ocupantes dos lugares traseiros a encontrarem espaço extra, e o volume da mala evoluiu para 810 litros (mais 113), na configuração standard do compartimento. Atrás, há regulação longitudinal dos assentos (as calhas têm 16 cm de curso e, esticando-se os centímetros para as pernas, encolhe-se a capacidade de carga) e inclinação dos encostos (21º, no máximo).
Para acesso mais fácil à bagageira, selecionando programa específico em comando próprio, altura ao solo diminui em 40 mm. No portão, também abertura e fecho elétricos.
Estradista sem medo do pó
Posicionando-se no topo da gama da VW, este Touareg privilegia mais do que o normal neste formato de automóveis a condução sobre o asfalto, filosofia nova que está bem patente, por exemplo, na decisão de cortar definitivamente da lista de opções pagas o sistema de redutoras. Ou, até, pela diminuição de alguns ângulos específicos, combinação que lhe retira capacidade de movimentos fora de estrada e na transposição de obstáculos no TT mais durinho.
O Touareg mantém a tração permanente às quatro rodas (4Motion) e um diferencial central bloqueável com distribuição assimétrica do binário que funciona como caixa de transferências entre os eixos dianteiro (que pode receber um máximo de 70% do binário) e traseiro (máximo de 80%).
Mas o arsenal tecnológico mais relevante (praticamente todo como opção paga...) serve mesmo as novas pretensões estradistas do modelo. À cabeça, a possibilidade de contar com eixo traseiro direcional (só disponível com suspensão pneumática, por 2832 €), determinante para a superior agilidade com que este matulão se deixa levar (o sistema faz com que as rodas traseiras girem no sentido oposto ao das dianteiras a velocidades até 50 km/h e no mesmo sentido acima dessa velocidade). Mas, também a nova direção de assistência elétrica (que substitui a hidráulica) ajuda ao bom feedback da condução, para automóvel que esta pensado para oferecer níveis de conforto tipo tapete voador... Ainda entre os extras, barras estabilizadoras ativas controladas por motores elétricos que são alimentados por rede complementar de 48V e eliminam o rolamento da carroçaria em curva, nas transferências de massas.
A caixa automática de oito velocidades, eficaz nas passagens e na sincronização ao nível das melhores congéneres de dupla embraiagem, sendo complemento de enorme valia ao agregado mecânico com o motor turbodiesel de seis cilindros com expressivos 286 cv, otimizando as prestações e o dinamismo deste SUV de enorme gabarito. As ótimas performances, deve-as precisamente ao sucesso deste casamento, com o 3.0 TDI a progredir desde baixas rotações e com um fôlego que parece inesgotável desde o arranque.
Selecionando-se programa mais desportivo em botão na consola entre os bancos dianteiros (sete modos de condução à disposição: Eco, Comfort, Auto, Normal, Sport, Snow e Individual), um cheirinho de acelerador é quanto basta para que se sinta o ímpeto do motor V6 a acelerar o grande SUV a ritmos elevadíssimos, e sempre com a nota acústica tão típica dos motores com aquela arquitetura…
No reverso da medalha, o consumo de gasóleo que, em média, ronda 9 litros/100 km, também pode disparar ao sabor das enormes potencialidades do seis cilindros, que, provocando, supera facilmente a barreira dos 12 litros...