O Hyundai i20 tem 4,035 de comprimento, é um utilitário de gema e perdeu direito a motorizações Diesel. O Kauai tem só mais 13 cm e características que o centram, maioritariamente, numa utilização cosmopolita. Então, porque tem motor Diesel? Segundo a marca coreana, porque é um SUV... e a polivalência de utilização deste género de automóvel permite que as motorizações a gasóleo ainda lhe sejam profícuas, em particular pela oferta extra de binário que sempre dará uma ajudinha percorrendo-se caminhos fora de alcatrão.
Mas, parece claro, que na cabeça da maioria dos clientes, a decisão final entre gasolina vs Diesel andará em torno dos valores de aquisição e retoma e ainda dos consumos. Nessa perspetiva, o novo Kauai 1.6 CRDi de 115 cv custa precisamente 4573 € mais do que a versão 1.0 turbo a gasolina de 120 cv. Diferença que, na prática, dificilmente será recuperada ao longo dos diversos atestos de combustível, a não ser que o Diesel seja fazedor de muitos (mas mesmo muitos) quilómetros. Nessa situação, o consumo médio deste 1.6 CRDi, que rondará os 5,8 l/100 km (se incluirmos maior distância percorrida em autoestrada), ficará cerca de 1,2 l/100 km abaixo do tricilíndrico 1.0 turbo a gasolina, pelo que os ganhos efetivos rondarão os 2,5 € por cada 100 km. Ou seja, seguramente mais de 150 mil km para amortizar o investimento inicial – não contando com valores de IUC (mais baixo no gasolina) e manutenções. Ainda assim, e pese ser mais económico que a versão a gasolina do Kauai, este 1.6 CRDi não se mostra particularmente regrado no pequeno SUV: em alguma concorrência, não será difícil encontrar quem se contente com menos meio litro de gasóleo aos cem...
Além das contas, o gosto de cada um poderá pesar na decisão, havendo quem prefira sentir a maior pujança do motor Diesel (vulgo, binário) em resposta ao pisar do acelerador. E nas nossas medições confirmámos essa superior disponibilidade do (maior) 1.6 CRDi de 4 cilindros ao 1.0 T-GDi de 3 cilindros, mas apenas nos ganhos de velocidade em 5.ª e 6.ª, aqui de escalonamento mais adequado às relações finais alongadas da versão a gasolina, para tentar alguns ganhos efetivos nos consumos. Pela mesma razão, o 1.6 CRDi mostra-se mais adequado ao uso do veículo em autoestrada, principalmente pela forma como aguenta rolar e manter ritmos mais apressados e sem necessidade de recurso à caixa de velocidades.
Esta unidade Diesel tem ainda do seu lado o ruído discreto, sem o matraquear incómodo a subir de rotação, e ainda o manuseamento suave da caixa e da embraiagem (tradicionalmente mais duras em versões Diesel do mesmo modelo).
A simplicidade do interior do Kauai poderá destoar um pouco da originalidade das formas exteriores, onde os plásticos sobre as cavas de roda ajudam a criar personalidade de pequeno todo-o-terreno, que não descola de imagem desportiva assinada pelas afiladas óticas dianteiras ou mesmo pela colocação das luzes de nevoeiro em zona mais central, sob a proeminente grelha frontal.
Entrar e sair do habitáculo é tarefa fácil e o espaço no banco traseiro é abundante. Já a bagageira, com reduzida altura entre piso e chapeleira, não nos parece capaz de guardar os prometidos 361 litros.
A facilidade de condução é característica que o Kauai partilha com a maioria dos modelos da marca coreana, o mesmo se passando com os 5 anos de garantia geral e oferta justa de equipamento de conforto e segurança.