Todos os indicadores parecem ser favoráveis ao novo Kadjar, inclusive a própria alteração do critério das Classes 1 e 2 das portagens nacionais. Não é sequer necessário o recurso aplicável no anterior modelo (eixo Multilink atrás) para que seja agora tributado como Classe 1, uma vez que a lei em vigor (altura até 1,30 m no eixo dianteiro) permite que o crossover da Renault cumpra a exigência de forma natural. Basta, então, que o pagamento seja feito por forma automática e através da adesão à Via Verde. Não há, claro, isenções perfeitas...!
Desfeito o equívoco, há ainda outros argumentos que se conjugam neste momento para que este SUV possa ter maior projeção e outro volume de vendas no segmento C familiar. A ambição do construtor, aliás, é colocá-lo no top 3 nacional da referida categoria (cerca de 2500 carros/ano), ou seja, atingindo 10% da quota do segmento liderado pelo inevitável Qashqai da Nissan, modelo com o qual o Kadjar partilha a plataforma (CMF). Tudo para dar certo!
Os novos trunfos também dizem respeito à imagem, uma vez que há vários ajustes, ainda que de forma subtil, incluindo a revista grelha frontal (cromada), outra integração das luzes LED (óticas em formato C), redesenho dos faróis de nevoeiro (retangulares, em LED), além de outro patim traseiro e alargamento das óticas nessa zona, integrando também aí para-choques diferentes. Por fora, destacam-se ainda as novas jantes em liga leve de 19’’ (escurecidas) que equipam as versões Black Edition.
No habitáculo também há pequenas modificações com o recurso a mais aplicações cromadas/metalizadas, materiais melhorados e redesenho da consola, incluindo monitor multimédia tátil (R-Link 2, de 7’’) de maior resolução e contraste, além de funções com controlo vocal. Há novos comandos da climatização e o apoio de braços central passa a ser deslizante, ao mesmo tempo que a versão testada dispõe de bancos forrados a pele e Alcantara, num padrão e formato mais desportivo (com extensão dos assentos em 6 cm) do que nos outros casos (Zen e Intens). O apoio das portas é revestido a pele, assim como o topo do tablier à frente do condutor. Impecável.
A perceção da qualidade dos materiais evoluiu e há vários detalhes que justificam essa melhoria, algo que também é ajudado pelo reforço dos equipamentos, nomeadamente na versão em causa.
O conforto a bordo é igualmente traduzido pela boa insonorização e pela atuação exemplar da suspensão, mesmo em mau piso. As reações da carroçaria em curva não são oscilantes, tendo em conta a própria arquitetura SUV e a distância ao solo (200 mm), ao mesmo tempo que o desempenho dos pneus Michelin Pilot Sport4 225/45 ZR 19 parece contribuir para uma dinâmica isenta de críticas, neutral e a gerar confiança, mesmo que a direção até pudesse ser mais precisa. O resultado da travagem a partir de 100 km/h (34,9 metros) chega mesmo a surpreender, sem evasivas ou afundanço exagerado do eixo da frente. Bravo Kadjar!
Novidade especial é o bloco 1.3 TCe desenvolvido com a Daimler e também disponível no Mercedes-Benz Classe A, por exemplo, cuja suavidade de funcionamento e baixo ruído são argumentos válidos. Com 160 cv (há variante de 140 cv) e binário de 260 Nm a partir das 1750 rpm, garante uma condução sem esforço, apesar do peso e das dimensões a jogo. A unidade progride sem hesitações desde baixo regime, mesmo que a caixa automática EDC (dupla embraiagem) não tenha um caráter desportivo e seja pouco rápida em certas trocas, embora sem arrastamento exagerado. A estratégia parece ser a de conjugar boas prestações com consumos regrados e as médias efetivas (sem abusar...) entre 6,8 e 8 l/100 km comprovam exatamente isso.