Foi como se tivessem mudado as pilhas ao brinquedo. As primeiras, com 160 cv, sempre funcionaram ativamente, mas como que o pequeno MX-5 parecia pedir um pouco mais. Agora, com mais enérgica carga de 184 cv, o revisto motor 2 litros a gasolina, atmosférico, de injeção direta surge capaz de incutir sorrisos ainda mais rasgados na face do condutor!
Bem... na verdade, até esperávamos um pouco mais de eloquência e vivacidade. Mas também (confessemos...) estamos cada vez mais habituados aos efeitos das recentes motorizações turbo a gasolina (como no irmão Abarth 124, com unidade 1.4 sobrealimentada, de 170 cv) que jorram emoções ao sabor da entrega de binário. Mas, na Mazda, a pureza continua a ser um dos cartões de visita do roadster MX-5, com esta atualização focada em evoluções, sem revoluções.
O regime máximo da já conhecida mecânica 2.0 da família Skyactiv-G subiu das 6800 para as 7500 rpm, com o contributo do aumento da pressão de injeção, com otimização da combustão nos regimes mais elevados com controlo mais eficiente da auto-detonação. Algumas peças móveis da mecânica (caso dos pistões e bielas) estão agora mais ligeiras, o que permitiu reduzir o atrito. Já os coletores de admissão aumentaram o diâmetro, permitindo que a mecânica respire melhor.
A par de tudo isso, o motor 2 litros surge agora de sonoridade um pouco mais arrojada, acompanhada por nítida redução das vibrações que chegavam ao habitáculo ou que eram transmitidas via pedais e alavanca da caixa. As melhorias chegam às duas carroçarias do MX-5, seja com capota de lona ou nesta versão RF, de teto rígido elétrico.
O condutor pode também agora encontrar melhor acomodação aos comandos fruto da inclusão do ajuste em profundidade da coluna de direção. Os bancos Recaro da unidade testada, do tipo bacquet, compõem o opcional Pack Sport (1680 €), do qual fazem também parte a barra antiaproximação a ligar as torres da suspensão dianteira e os amortecedores Bilstein. Fora da simplicidade do MX-5 continuam amortecimento variável e modos de condução. Este 2 litros conta com autoblocante.
Mas é espicaçando a mecânica que mais se entendem as alterações efetuadas ao motor, pois nos regimes mais baixos o desempenho é praticamente colado a papel químico com a versão de 160 cv. Depois, já mais perto do red line, o motor respira a plenos pulmões e com perfeita e mais imediata ligação entre o curso do pedal do acelerador e a entrega de potência. E aqui começam a fazer-se sentir, verdadeiramente, os feitos da opção por mecânica atmosférica: mesmo sem os repentes e a desmultiplicação de velocidade nos regimes intermédios, este 2 litros permite uma tátil leitura das rotações, assentes na linearidade.
Depois, brinde-se aos feitos da rigidez da pequena carroçaria e dos modos com que a direção comanda a frente do roadster, com a distribuição quase equitativa de peso a ajudar na forma como o MX-5 se deixa percecionar. Mesmo com esta ligeiramente mais pesada carroçaria RF, com teto rígido retrátil comandado eletricamente – só 13 segundos para abrir e fechar e até a uma velocidade de 10 km/h.
Na verdade, e mesmo contando esta unidade com os amortecedores específicos da Bilstein, as ligações ao solo até poderiam surgir um pouco mais firmes, já que este MX-5 RF acaba por flexionar lateralmente (primeiro sobre a dianteira, depois toda a carroçaria) quando sujeito à exploração máxima de potência em derrapagens controladas. Mas é precisamente quando se explora o lado mais lúdico da condução que os 184 cv se mostram, com a entrega mais afincada da potência a permitir não só tirar o MX-5 da linha a velocidades mais baixas, como depois efetivar superior controlo (e prolongamento) do drift com o acelerador.
A leitura permitida pela direção e as ainda mais sensíveis reações do acelerador (a que se somam o peso contido e reduzidas dimensões do veículo) permitem apontar o MX-5 (quase!) para qualquer lado e controlar a trajetória só com acelerador, sem receios de que uma escorregadela mais prolongada se torne em descontrolo ou em trajetória despropositadamente alargada. O sistema de travagem responde sempre com precisão e resistência, mesmo que a potência não seja exemplar.
A carroçaria RF, ao estilo targa, confere superior distinção visual ao MX-5, podendo o tejadilho surgir pintado a negro (500 €) em contraste com a carroçaria. Face à versão de capota de lona, o MX-5 com este teto rígido retrátil torna-se numa companhia mais agradável em autoestrada, com isenção quase total de ruídos de vento. Retirar a capota tem a vantagem de não encurtar a bagageira; o que se agradece face às dimensões exímias do compartimento...