A Renault não terá ficado minimamente abalada, pela depreciação que, no fundo, resulta de a Mercedes utilizar motores Diesel de baixa cilindrada por si produzidos, que tanta celeuma tem provocado, não apenas entre público cético sobre a intromissão de fabrico francês indigno na construção superior alemã, consagrada por décadas de prestígio na história da indústria automóvel, com a marca da estrela no topo da hierarquia. A própria Mercedes nunca disfarçou o incómodo comunicacional de ter motorizações da Renault, apesar dos elevados proveitos comerciais resultantes daquela parceria empresarial, apressando-se em afirmar que motores e caixas de velocidades gauleses são profundamente revistos em Estugarda.
Agora chega a vez de a Renault reivindicar que utiliza motor concebido em colaboração paritária com a Mercedes, e ao contrário desta não se coibindo de o apregoar. O fabricante da marca do losango faz questão de sublinhar que o novíssimo bloco 1.3 a gasolina foi desenvolvido em “parceria igualitária” com a Daimler. E não se secundariza na afirmação dos seus méritos no vanguardismo tecnológico daquela mecânica que contribui para o rendimento e a eficiência superiores aos da unidade que substitui, de 1,2 litros, de origem integralmente Renault.
O Mégane celebra a estreia do motor 1.3 na casa francesa, mantendo a sigla TCe do antecessor, e que a Mercedes utiliza nos compactos Classe A e B, homologado sob as diretrizes do protocolo WLTP e compatível com a norma ambiental Euro 6d-TEMP que entrará em vigor apenas em setembro deste ano.
O novo motor tem mais 0,1 litros de cilindrada do que o 1.2 TCe que sai de cena, mas também indispensáveis sistemas de injeção direta e de sobrealimentação por turbocompressor e intercooler, debitando três níveis de potência, de 115, 140 e de 160 cv. Neste teste, na carrinha Mégane Sport Tourer, na versão intermédia e a mais comercial para o cliente particular (a menos potente destina-se essencialmente ao rent-a-car e a mais musculada para quem valoriza as performances em detrimento da economia).
Entre as soluções técnicas fazem do motor franco-alemão virtuoso destacam-se o aumento da pressão de injeção de combustível em 250 bar e o novo desenho específico da câmara de combustão que otimiza a mistura, e ambas contribuindo para melhorar as performances em harmonia com a redução do consumo de combustível e das emissões.
Mas há mais tecnologias desenvolvidas pela parceria entre Grupo Renault-Daimler, que promovem o rendimento da nova mecânica a gasolina e justificam o otimismo dos responsáveis franceses, como o sistema que controla as válvulas de admissão e de escape, de acordo com a carga do motor, proporcionando um aumento do binário a baixas rotações e maior linearidade deste a regimes mais elevados. Acrescenta-se o «Bore Spray Coating» revestimento aprimorado dos cilindros utilizado no motor do superdesportivo da Aliança, o Nissan GT-R, que melhora a eficiência através da redução do atrito e otimização da transferência de calor, e ainda o filtro de partículas (FAP).
O novo motor pode ser associado a caixa manual de seis velocidade a automática de dupla embraiagem EDC de sete velocidades, que se mantém sem modificações (reportadas pelos fabricantes).
As vantagens do novo motor, em comparação ao anterior TCe, são evidentes, desde logo nas prestações que confere à carrinha Mégane, em toda a linha superiores. Os benefícios sentem-se, de imediato, na disponibilidade a baixos regimes – aferida nas recuperações que medimos, todas significativamente mais rápidas. Os proveitos para a condução são notórios. Ao incremento das performances junta-se o da eficiência do consumo, com uma média apreciável de 6,1 l/100 km obtidos neste teste, muito próxima da que foi certificada em ciclo WLTP. A poupança ainda pode ser menor, baixando a fasquia dos 6 litros com comedimento no acelerador, e só com muito frenesim neste pedal ultrapassa os 8 litros.