Nos quase 25 anos de existência de RAV4, setorizados por quatro gerações, a Toyota somou mais de 8,5 milhões de unidades vendidas daquele que poderá ficar conhecido como a génese do conceito SUV. O que atesta bem a importância do modelo e tudo o que a marca nipónica espera desta quinta geração, desde já disponível no mercado nacional, apresentando-se como o mais potente RAV4 de sempre.
E tudo começa... por baixo, na nova plataforma, que ao redimensionar o SUV permite mais 3 cm de distância entre eixos num comprimento total que quase se mantém (só menos 5 mm), o que ajuda às generosíssimas cotas de habitabilidade e uma bagageira de dimensões recorde na categoria, ascendendo aos 580 litros. Tudo porque a referida plataforma permite agora acomodar as baterias do sistema híbrida sob o banco traseiro (não roubam espaço à mala), além de que a evolução tecnológica dos acumuladores de energia elétrica resulta em menos 10% de espaço ocupado. Baterias e muitos dos elementos mecânicos surgem em posição rebaixada, muito ajudando à redução do centro de gravidade e apuro da dinâmica.
Entrar e sair do habitáculo são tarefas facilitadas e as costas do banco traseiro podem ser colocadas em dois graus de inclinação, para superior conforto. O sentido prático de utilização é reforçado pelos locais de arrumo espalhados – especialmente os reservados para os passageiros da frente – ficando apenas a faltar passagem tipo ski entre bancos e mala e, já agora, uma pega na chapeleira, que facilitasse o manuseamento...
A versão Square Collection, em análise, será das mais procuradas em Portugal por agregar completo conjunto de equipamentos e acabamentos a preço justo. Além de marcada pelas jantes negras e tejadilho pintado a preto, esta variante de equipamento propõe vidros escurecidos, revestimentos em pele nos bancos e portas, banco do condutor com ajustes elétricos, faróis LED e abertura automática da tampa da mala.
O condutor conta com ótima visibilidade para todos os cantos, somando a presença de câmara traseira de ajuda ao estacionamento e curto raio de viragem como auxílio às manobras. O sistema de infoentretenimento (embora de grafismo ainda pouco moderno face ao que se conhece das marcas europeias) está bem localizado, à mão do condutor, no topo da consola central. O painel de instrumentos conta com zona central digital (de 7’’) com velocímetro bem legível e grafismo que se adapta aos modos de condução.
Para controlar o funcionamento do módulo de funcionamento híbrido (que agrega a nova unidade 2.5 a gasolina com motor elétrico, em conjunto em tudo semelhante ao do Lexus ES 300h) o RAV4 dispõe de três modos de condução além da função EV, que força o funcionamento elétrico, caso existe na bateria energia para tal.
Ao todo, o condutor dispõe de 218 cv entregues às rodas da frente via também nova solução de transmissão de efeito CVT, bem mais suave que noutros tempos. Ainda assim, em aceleração, é impossível disfarçar o ruído da mecânica, percebendo-se que o RAV4 terá nascido para uma utilização de forte índole citadina. Assim, em ambiente de cidade, mal se dando conta da transição entre mecânicas e do liga-desliga do motor térmico, o RAV4 desloca-se sempre de modo fluido e relaxado, como se se tratasse de um veículo anti-stresse, somando consumos extremamente interessantes quando envolto no emaranhado de trânsito, ficando quase sempre abaixo dos 6 litros. Saindo das cidades, o RAV4 continua a ser ótima companhia, se utilizado em ritmos moderados e acelerações progressivas. Não porque as acelerações ou valores de retomas de velocidade sejam maus, mas sim porque mesmo em modo Sport o RAV4 não nasceu para ser... desportivo. Se o condutor pretende fazer pleno uso dos 218 cv, estes respondem com impulso forte e lestos ganhos de velocidade, impressionando pela positiva! Mas com o ruído de motor desfasado com o da velocidade (efeito CVT) os sentidos humanos não se sentem totalmente alimentados para ação desportiva... Mesmo que este Toyota apresente agora desempenho dinâmico mais salutar, com suspensão bem ajustada à devida contenção da inclinação da carroçaria em curva. Só mesmo à passagem por pisos de cadência irregular toda a estrutura tenda a sacudir-se com superior veemência, incluindo o despertar antecipado (e quase sempre desnecessário) do ESP. O tato do pedal de travão, fruto da capacidade regenerativa do sistema híbrido, é algo sensível e pouco progressivo na zona de ataque e a distância de travagem longa em caso de emergência.
Bem melhor na atuação estão os sistemas de segurança e de apoio à condução, caso da travagem autónoma de emergência que está associada ao cruise control adaptativo. O sistema de deteção de faixas (com atuação no volante) funciona bem mesmo quando estas estão sumidas da estrada.