Primeiro, aquilo que todos querem saber: o aumento de 20 cv, dos 280 até aos 300 cv, é notoriamente sentido (e depois devidamente verificado nas nossas medições) nesta nova e mais radical versão Trophy do Mégane RS. Mesmo comparando as acelerações desta unidade com caixa manual com as aferidas na unidade então testada da versão de 280 cv, dotada de caixa automática EDC de dupla embraiagem e função Launch Control, o Trophy chega 0,1 s mais rápido aos 100 km/h; e aos 400 metros já ganhou 0,3 segundos. Mais: as acelerações são praticamente coladas às do Honda Civic Type R (320 cv), com o nipónico apenas a ganhar uns pozinhos ao final do quilómetro de arranque, onde passa com 25,2 s registados nos cronómetro, face aos 25,3 s do Mégane (o Civic a 217 km/h e o Mégane a 214).
Como tal, o objetivo inicial parece (bem!) cumprido, com o condutor a sentir notoriamente na pele a superior capacidade de aceleração, em particular na segunda metade da faixa de regime, ou seja, das 3500 rpm em diante – de referir que com caixa manual o binário máximo é de 400 Nm, subindo para os 420 Nm se presente a transmissão automática.
Para reforçar o evidente aumento da carga emotiva, o Trophy faz-se acompanhar de novo sistema de escape que inclui válvula moduladora, cujo trabalho na sonoridade pode ser definido através dos vários modos de condução (Comfort, Neutral, Sport, Race e Personalizável). Ou seja, este Mégane quase que pode sussurrar para não incomodar em viagens mais longas em autoestrada, mas também consegue proferir sonoros rateres em desaceleração.
Os diversos modos de condução conseguem, aliás, condignamente transformar a ação do veículo em estrada, ao mesmo tempo que deixam chegar às mãos (e cérebro!) do condutor distintas sensações. Tudo com a ajuda do efeito do chassis 4Control, caracterizado pelo sistema de rodas traseiras direcionais, que, por exemplo, em Race, prolongam até aos 100 km/h o rodar das mesmas em sentido oposto às dianteiras, o que maximiza a agilidade.
Perfeitamente marcante nesta versão é a presença do Chassis Cup (que custa 1700 € no RS de 280 cv), definido pelas ligações ao solo mais firmes e autoblocante mecânico Torsen. Com estas afinações, a condução pode ganhar ainda mais intensidade emotiva, fazendo esta versão do Mégane RS mais sensorial e mecânica, em contraponto com o lado mais digital da versão de 280 cv. Tudo porque estas afinações permitem melhor entender o funcionamento da direcionalidade das rodas traseiras, com a direção a ganhar consistência informativa. A presença do autoblocante, além de muito ajudar a aproveitar toda a potência à saída das curvas, sem que a dianteira do Mégane queira alargar por demais a trajetória (lembre-se que o eixo dianteiro conta com geometria de pivot independente, ajudando à obtenção da melhor motricidade), também dá uma forte ajuda no momento de ataque às curvas, fazendo com que a frente feche melhor, em busca da zona do apex.
Por isso, além de substancialmente mais rápido e quente na forma como faz chegar ao condutor a subida das performances, o Trophy comporta-se como um desportivo mais puro e reativo, que ao mesmo tempo se descreve como mais fácil de conduzir depressa (e bem!), com movimentos de carroçaria melhor controlados. Depois, o sistema de travagem, a cargo de discos de travão bi-matéria, é outro dos elementos presentes neste tuning oficial da Renault Sport (RS), acompanhando a toada mecânica do Trophy, com o feeling perfeito do pedal de travão a somar-se a uma resistência à fadiga muito pouco comum em modelos fabricados em série.