Nesta nova geração do Audi A6 Limousine, evolução na continuidade relativamente ao desenho exterior, pelo menos no que toca a alguns princípios base – superfícies alongadas e elegantes, linhas bem marcadas –, com pitada da tal elegância desportiva de que a berlina da Audi é a embaixadora maior do segmento superior, taco-a-taco com as concorrentes alemãs da BMW e Mercedes-Benz. Trata-se de automóvel talhado para convencer gregos e troianos, todos os diferentes tipos de executivos e pais de família que apreciam qualidade de vida a bordo, em conjugação com o conforto exigido pelos europeus, do aspeto de sedan desportivo que cativa os americanos e do status tecnológico capaz de atrair asiáticos. A6 como embaixador da marca dos quatro anéis no mundo!
Entrando no habitáculo, revela-se espaço muito elegante e moderno que segue a linguagem de design do topo de gama A8, o que já é um bom sinal. A generosa sensação de espaço e qualidade dos materiais surge reforçada pelas linhas horizontais que envolvem todos os ocupantes, os principais beneficiados com crescimento interior, bem patente na medição do espaço livre para as pernas dos passageiros dos bancos posteriores. Mas é ao volante que percebemos como evoluiu, com destaque para a ótima posição de condução e o fácil acesso a todos os comandos reunidos em dois ecrãs táteis na consola, um por cima do outro. E o ramalhete fica muito mais composto com a aquisição de um terceiro painel digital, o de instrumentos, que na lista de opções pagas tem nome pomposo: Audi virtual cockpit – integrado no MMI de navegação Plus, que custa 2195 € e inclui ecrã de 10,1’’ na consola central – , com ecrã 100% digital de 12,3’’, comandado e configurado a partir de comandos no volante, que diminui o risco de distração, pois está na linha de visão do condutor, uma solução que pode ainda ser complementada com o head-up display (1690 €).
A qualidade do habitáculo com esta variedade de ferramentas e muita tecnologia de ponta é elevadíssima, não havendo margem para críticas negativas. Essa qualidade superior, a par de uma aerodinâmica muito cuidada (coeficiente de arrasto de 0,24) e vidros especiais ajudam a explicar o silêncio que reina a bordo, com o A6 a movimentar-se em autoestrada com a mesma suavidade de um grande veleiro em águas calmas…
Modo ‘velejar’
Sem possibilidade de utilização exclusivamente elétrica, todas as versões do A6 são Mild Hybrid Electric Vehicle ou seja, estão dotados de motor elétrico capaz de funcionar em simultâneo como motor de arranque e alternador (BAS), ligado à cambota. Tecnologia conhecida do A7 e A8 que permite reduzir consumos até 0,7 l/100 km e minimizar emissões poluentes graças à possibilidade de circular com o motor térmico pontualmente desligado durante até 40 segundos, aproveitando a inércia, a velocidades entre os 55 e os 160 km/h, sendo ainda capaz de recuperar até 12 kW durante as desacelerações/travagens. Sistema mild hybrid ligado a rede de 48V no caso dos motores V6 e a convencional de 12V no caso deste 4 cilindros Diesel de 204 cv.
Este 40 TDI é a proposta a gasóleo mais acessível da gama. A aceleração não é de foguete, mas chega e sobra para todas as ocasiões de condução, assim como as retomas, não condicionando o mínimo que seja qualquer ultrapassagem. A mecânica destaca-se muito mais pela linearidade, que é bem acompanhada pela caixa S-tronic de 7 velocidades e dupla embraiagem.
Puxando-se pelo quatro cilindros, oportunidade para nova surpresa: é soberba agilidade e, mesmo, impressionante o equilíbrio do chassis a dominar as massas em oscilações fortes, parecendo sempre imperturbável, elogio extensível à qualidade do amortecimento e suspensão, profundamente redesenhada e utilizando inúmeros componentes em alumínio, para conforto supremo em autoestrada como em alguns pisos mais degradados.