Adeus Auris; olá (novamente) Corolla! À 12.ª geração do modelo que já vendeu 45 milhões de unidade por todo o mundo desde 1966, a Toyota volta a despertar a abrangência da sigla (que desde 2006 estava reservada ao sedan) em modelo que reúne as mais marcantes características de um Corolla, caso da simplicidade de interação e facilidade de utilização com as premissas familiares e exigências atuais.
Tudo começa por uma carroçaria bem maior, que na variante carrinha (Touring Sports) acrescenta 25 cm à carroçaria 5 portas, com foco na superior distância entre eixos, que liberta muito espaço para pernas no banco traseiro (referenciais 75 cm entre o encosto e as costas do banco do condutor, com este preparado para receber ao volante alguém com 1,78 m) e imensidão de volume no porta-bagagens, ascendendo este a 598 litros, valor ao nível do que de maior existe no segmento.
Com o tejadilho pintado a negro, característica da versão Square, a carrinha adquire personalidade extra e consegue diferenciar-se na paisagem automóvel – algo que um Toyota normal há muito não consegui fazer... – não esquecendo o efeito criado pela assinatura LED das óticas dianteiras e traseiras. Também desta versão fazem parte as capas dos retrovisores pretas, as jantes de 17’’ e os vidros escurecidos, além do sistema de acesso Mãos-livres (basta aproximar a chave que as luzes interiores acendem de imediato, preparando a receção) e ainda as luzes interiores de ambiente, em azul, que ajudam a conferir cenário noturno mais acolhedor.
Além da largueza do habitáculo e da bagageira, a Toyota preparou diversos conjuntos de soluções que ajudam ao melhor aproveitamento das credenciais de uma carrinha. O acesso à mala é largo e alto, permitindo a fácil arrumação mesmo de objetos de maior volume. A chapeleira enrola facilmente perante um simples toque e é possível rebater as costas do banco traseiro (60/40) mediante o puxar de patilhas colocadas nas paredes laterais da mala. Existe uma rede de separação de carga entre habitáculo e mala, a qual pode ainda ser colocada nas costas dos bancos quando estas estão rebatidas, isolando os então apenas dois lugares dianteiros do restante espaço de carga.
O piso da bagageira é reversível, com revestimento em alcatifa de um lado e de toque aborrachado do outro, preparado para o transporte de qualquer tipo de objetos, mesmo os que possam sujar. A plataforma de carga pode ser colocada a duas alturas e, sob esta, existe ainda um fundo alçapão a obrigar à presença de kit de reparação de furos. A iluminação lateral longitudinal por intermédio de (claros) filamentos de LED branco é um pormenor interessante e que, segundo a Toyota, é estreia absoluta no mercado. O que falta? Só uma passagem entre habitáculo e mala que dispensasse o rebater de bancos no transporte de objetos compridos.
A restante conceção do habitáculo acompanha a toada de simplificação. O tablier está praticamente livre de botões, surgindo apenas os comandos da climatização e os que rodeiam o monitor central tátil, de 8’’, no topo da consola e bem à mão do condutor. Entre os bancos dianteiros, a presença de travão de mão elétrico permite libertar espaço para arrumos, juntando-se ao compartimento fechado que existe sob o apoio de braços central.
As linhas interiores apresentam fluidez e a qualidade geral subiu exponencialmente face ao Auris, em particular devido à utilização de materiais de toque mais suave e à presença de alguns pormenores extra, caso do efeito criado pela costura no tablier. Nesta versão, forro do tejadilho e pilares contam com revestimento escuro.
Em ambiente marcado por alguma sofisticação, apenas ficou por apurar a qualidade gráfica do referido monitor tátil multimédia de 8’’, bem como o aspeto e toque dos botões laterais de acesso aos principais menus. Melhor ficou o painel de instrumentos, com zona central digital (de 7’’) que espelha o velocímetro e os diversos teores informativos do computador de bordo. A posição de condução é correta, mais focada na descontração do que em criar cenário envolvente ao condutor.
Aposta nos híbridos
O caminho da Toyota há muito (já lá vão 20 anos) que está marcado pela aposta em motorização de génese híbrida, com a nova gama Toyota Corolla a colocar de lado qualquer mecânica Diesel. A aposta principal recai nesta versão 1.8 Hybrid, que recorre a conjunto já estreado no crossover C-HR, que alia motor elétrico a unidade térmica 1.8 a gasolina, totalizando 122 cv. A bateria, aqui de iões de lítio, garante pequena autonomia em modo puramente elétrico (que pode ser forçado pelo condutor através dos modos de condução selecionáveis junto da alavanca da caixa automática) mas, mais importante, será a gestão perfeita de todo o módulo, em prol da eficiência e dos baixos consumos. Uma das maiores novidades desta nova geração híbrida do Corolla prende-se com a superior facilidade em arrancar apenas em modo elétrico sem que o condutor seja obrigado a lidar com o acelerador como se de uma pena este se tratasse, ou ainda a possibilidade de se conseguir rolar entre os 80 e os 100 km/h com o motor térmico ausente, caso a morfologia do terreno assim o permita. Com estes modos, o motor 1.8 a gasolina passa muito tempo desligado (e não se dá pelo liga-desliga em andamento), possibilitando consumos na ordem dos 4,8 l/100 km, mesmo com uma condução fluida. Em autoestrada, onde a solução híbrida nem sempre é a melhor, a Corolla não pode mais que 6 l/100 km.
As performances são algo modestas mas mais que suficientes para uma condução despachada em cidade, servida pelo constante apoio do binário instantâneo cedido pelo motor elétrico, tudo resultando em grande facilidade de utilização. Apenas faltam sensores de parque – existe câmara de marcha-atrás.
A recente plataforma sobre a qual nasceu o Corolla permitiu algum acréscimo de dinamismo, embora as ligações ao solo continuem a privilegiar (e bem) os níveis de conforto e serenidade, que podiam contar com inferior ruído de rolamento, culpa dos pneus. Falta à direção alguma capacidade de comunicar, com a Corolla TS parecer ter nascido para ser usada de forma descontraída: familiar, híbrido e sem sobressaltos.