A quinta geração do Renault Espace tem quatro anos e esse tempo pode ser uma eternidade na indústria automóvel. Desde então, o segmento dos monovolumes de sete lugares tem sido invadido pelos insanáveis SUV, que com idêntica lotação, alguns certamente mais modernos e a maioria com design mais atual.
Estes últimos, todavia, não perderam propósitos e continuam a oferecer múltiplas finalidades. Transportadores por excelência, no bulício do quotidiano ou em viagens de longo curso, sempre confortáveis para todos os passageiros, como os monovolumes deste gabarito não há, e entre os melhores mantém-se, desde a sua primeira geração, pioneira no segmento na Europa (1984), o Renault Espace.
Pináculo da comodidade e da versatilidade do interior, ora entre o privilégio à lotação (até aos referidos sete ocupantes), ora à capacidade de carga (de enormes 720 litros com cinco lugares, a ainda utilizáveis 247 litros com sete), o monovolume de topo de gama da marca francesa é tecnologicamente sofisticado, na dotação de equipamento e na qualidade dos acabamentos, no limiar do luxo nesta versão superior Initiale Paris.
Habitabilidade ótima nas duas primeiras filas de bancos (todos individuais), tal como a modularidade da segunda, em que se permite o seu rebatimento total (através de acionamento automático em botões na zona da mala ou em comando tátil no monitor de bordo, cortesia do sistema de infoentretenimento R-Link), permitindo criar enorme porão para bagagens com piso totalmente plano (2035 litros com apenas os dois dianteiros). A abertura automática (eletricamente) do portão da bagageira é de série.
Os dois bancos suplementares, que se instalam e arrumam na área da bagageira, nesta última disposição fazendo das suas costas o chão, são exíguos para a acomodação das pernas, recomendando-se ao transporte de crianças. Também estes rebatem com o referido automatismo.
Com os motores Diesel a caírem em desgraça, existem ainda mais constrangimentos para automóveis de todo o serviço, como o Espace. Por isso, a Renault lança o pregão a este potente motor a gasolina de quatro cilindros e 1,8 litros, até há poucos meses com importância meramente residual na gama. Bloco de 225 cv e 300 Nm desenvolvido pela Renault Sport (encontramo-lo no Mégane R.S. e no Alpine A110, com níveis de potência superiores) com injeção direta e turbo de dupla entrada (twin-scroll), substituiu o TCe 200 (1,6 litros, 200 cv e 260 Nm) está equipado com novo filtro de partículas e confere ao monovolume um consumo efetivo de 8,7 l/100 km (medido neste teste contra 7,4 l/100 km anunciados) e performances elevadas, amparado na caixa automática de sete velocidades, de dupla embraiagem (EDC), indispensável à comodidade da condução que se pretende de veículo como este. Força e elasticidade não faltam às prestações do Espace TCe 225, que cumpre com todos os requisitos, das vias mais rápidas aos arruamentos urbanos, ao sabor da pressão exercida pelo pé direito.
Comparativamente ao motor antecessor, são melhores as prestações, mas o consumo também é mais elevado.
Para responder a preceito de cada situação e gosto do condutor, a tecnologia Multi-Sense regula a assistência da direção, a sensibilidade do acelerador, a prontidão da caixa EDC e até a sonoridade do propulsor, de acordo com cinco programas predefinidos – Eco, Confort, Neutro, Sport e Perso(nalizado).
As dimensões, peso e centro de gravidade, todos elevados(!), condicionam a dinâmica do Espace, mas globalmente a nota é positiva. O adorno da carroçaria em curva não é acentuado e o sistema 4Control ajuda à agilidade, beneficiando não só a estabilidade direcional, como igualmente as manobras lentas.
A condução sente-se quase sempre leve, só se impondo a as contrapartidas do seu gabarito e do privilégio ao conforto (na maciez das suspensões) em estradas sinuosas.