Anteriormente, testámos o Mazda3 2.0 Skyactiv-G de 122 cv, mecânica de 4 cilindros a gasolina com sistema de desativação de dois cilindros e pequeno módulo híbrido a 24V com motor de arranque tipo gerador. Na prática, revendo a matéria dada, o motor a gasolina, que está acoplado a caixa manual de 6 velocidades, tem funcionamento silencioso, fluido e muito agradável, facto ao qual não é alheio o sistema semi-híbrido que promove ainda a economia de combustível, tendo nós apurado média de 6,8 l/100 km (o valor oficial para a versão com jantes de 18’’ é de 6,3 l/100 km) e autonomia, face a depósito com 51 litros, de 750 quilómetros.
Desta feita, testamos rival interno do 2.2 Skyactiv-G, ou seja, o mesmo modelo Mazda3, mas equipado com 1.8 Skyactiv-D de 116 cv, igualmente acoplado a caixa manual de 6 velocidades, dispositivo que, começando por aí, e sendo o mesmo da versão a gasolina (embora obviamente com escalonamento diverso), copia naturalmente o funcionamento, mostrando-se fluido e sem hesitações.
O 1,8 litros Diesel não se mostra particularmente vigoroso nos regimes mais baixos, mas espevita por volta das 1200 rpm, mantendo-se bem acordado e disponível durante vasta faixa de rotações, pelo que não obriga a recorrer demasiado ao seletor da caixa, o que abona a favor da sua capacidade de recuperação, como podemos verificar nos valores das retomas que apurámos nas nossas medições. Comparativamente ao motor a gasolina, as recuperações do 1.8 Skyactiv-D são arrasadoras, o que não espanta tratando-se de mecânica a gasóleo (270 Nm) contra outra a gasolina (207 Nm). Vejamos, na retoma 40-80 km/h em 3.ª, 4,8 s contra 6,8; no 60-100 em 4.ª, 6,1 s contra 9,7; por fim, no 80-120 km/h em 5.ª, 8,6 s contra 13... Quase um calendário de diferença! Nos arranques, é também sem surpresa que verificamos a supremacia do Skyactiv-G, que cumpre, a título de exemplo, o arranque 0-100 km/h em 8,6 s, enquanto o 1.8 Skyactiv-D o faz em 9,8 s. Contudo, aos 400 metros, o Diesel chega-se ao gasolina, sendo apenas 0,6 s mais lento (16,9 s vs. 16,3).
Mas a grande virtude desde 1.8 a gasóleo é mesmo a frugalidade, chegando a impressionar o pouco que gasta. A Mazda anuncia média de 5,1 l/100 km para a versão com jantes de 18’’ que testámos e nós obtivemos a interessantíssima média de 6 l/100 km, que correspondem, com depósito de 51 litros, a 850 km de autonomia. A diferença de preço entre as versões a gasolina e Diesel com o mesmo nível de equipamento Evolve é de 3.896 €, com prejuízo da segunda, que paga também cerca de 20 euros a mais de Imposto Único de Circulação (IUC). Ora, utilizando como referência o preço médio da gasolina 95 simples e do gasóleo simples em Portugal, o Mazda3 a gasolina tem cerca de 53 depósitos (2703 litros) pagos à saída do stand face ao Mazda3 a gasóleo. O que lhe garante uma autonomia de cerca de 39.750 km. A partir dessa altura, tendo em conta as médias que apurámos, o Diesel começa a ganhar vantagem.
Por fim, reforce-se a enorme facilidade com que se guia o Mazda3, senhor de um comportamento dinâmico fantástico, mantendo sempre bons níveis de conforto, e ainda a elevada qualidade do habitáculo.
O Mazda3 1.8 Skyactiv-D confirma tudo o que de bom escrevemos sobre o irmão a gasolina, acrescentando-lhe maior capacidade de recuperação (embora perda na aceleração) e ainda maior frugalidade. Contudo, contas feitas, é preciso percorrer quase 40 mil quilómetros para o carro a gasóleo começar a compensar, o que, na verdade, é uma constatação que tem muito pouco de novidade...