O Corolla XII é um automóvel fundamental para a Toyota, mas poderá vir a ser mesmo um marco histórico para o fabricante japonês, pelo enorme salto qualitativo em relação ao modelo precedente. Mais ainda por todas as viragens que encerra. A começar pela importância do regresso de nome-instituição Corolla, apagando o Auris do portefólio da marca, pela conceção que volta a colocar o condutor e o bom feeling de condução em primeiro plano, sem esquecer a estratégia da renúncia ao Diesel em privilégio da tecnologia híbrida, mas com este mil e duzentos a gasolina em alternativa.
Trata-se de motor muito evoluído, com turbocompressor e raro (neste segmento) ciclo misto de combustão – faz Otto e Atkinson (mais comum para os modelos híbridos) –, de onde resultam 116 cv e 185 Nm. Suave, silencioso e competente em todos os momentos de condução, nota-se que o empurrão do turbo faz toda a diferença na genica demonstrada a mais baixa rotação, progredindo sem hesitações. Característica a que não é alheia a disponibilidade do binário máximo desde regimes inferiores e em vasta faixa (1500-4000 rpm), conferindo ao 4 cilindros desembaraço nas subidas de rotação, com exceção da retoma de 80 a 120 km/h em 6.ª (por arrancar com o motor muito em baixo). Para evitá-lo, basta recorrer à caixa manual de 6 velocidades, com relações que não são excessivamente longas, engrenamento suave e seletor de curso curto.
Tratando-se de motor a gasolina, impõe-se a pergunta para queijinho: quais são os seus consumos? Em rigor, sublinhe-se que o 1.2 turbo do Toyota chegou a surpreender pela positiva neste teste, com média a rondar os 7 l/100 quilómetros, um valor interessante tendo em conta as prestações que autoriza. De qualquer modo, para obtenção de valor tão comedido, a verdade é que o Corolla pede estilo de condução muito pacato, com modo ECO ativo e especial moderação na hora de pressionar o pedal da direita… No programa Sport, o mais radical de três à disposição do condutor, os consumos aumentam de tom (logo acima das 2000 rpm, acompanhando o ritmo mexido da mecânica).
Então, a direção (também) ganha peso e... ficam reunidas condições para colocar à prova base com muito mais qualidade! A plataforma é a TNGA que conhecemos do C-HR e Prius, a contribuir para um automóvel mais competente no capítulo dinâmico, oferecedor de superior envolvência na condução, sem penalizar o conforto. Desde logo, houve uma alteração profunda na arquitetura das suspensões, com mais evoluída estrutura multibraços, como fórmula para melhorar o equilíbrio da dinâmica entre conforto e eficácia, especialmente em curva, efetivando-se a restrição dos movimentos naturais da carroçaria ao mínimo possível sem prejuízo da comodidade dos ocupantes.
A suspensão absorve os ressaltos da estrada com eficácia que o antecessor não tinha, mas o maior destaque ao volante da berlina japonesa vai inteirinho para a nova dimensão da qualidade, com a Toyota a não facilitar um milímetro na obtenção de maior sensação de suavidade ao tato, afinação cuidada do funcionamento dos diversos comandos e criterioso trabalho de insonorização.
Ainda em consequência da substituição de plataforma, que tem mais 10 cm entre eixos (4 cm no hatchback), a Toyota construiu carrinha com mais 58 mm de comprimento e 30 mm de largura do que o antigo, mas com menos 30 mm de altura. Evolução que se reflete também nas cotas de habitabilidade, sobretudo nos lugares posteriores, agora com mais desafogo para acomodar três adultos. Ao contrário, no compartimento da mala, os mesmos 361 litros de volumetria na configuração standard, o que posiciona o Toyota Corolla na média da classe.
A atual passagem de testemunho no segmento C traz o veículo indiscutivelmente mais importante na história da marca japonesa na Europa. O Corolla lança-se ao desafio do competitivo segmento dos compactos de segmento C, que representa a maior fatia de vendas de veículos novos, não apenas com a tradicional mais-valia da renovação, mas com evolução enorme a toda a linha, praticamente irreconhecível. Com o motor de 1,2 litros a gasolina, ganha versão de acesso à gama, competente, suave, silencioso e agradável de conduzir, e com preço convidativo.