O lançamento de geração nova do Série 3 é sempre momento especial para a BMW. O segmento médio encontra-se no catálogo da marca desde 1975 e continua no topo das tabelas de vendas, quer da categoria, quer do fabricante de Munique, sobrevivendo às pressões dos compactos e dos Sport Utility Vehicles (SUV), formatos que não param de ganhar peso. O G20 é o 7.º membro da família apresentada em 1975, tem como base a variante mais pequena da plataforma CLAR, arquitetura de tração traseira estreada em 2015, no Série 7. Para o arranque da carreira comercial, apenas motores de 4 cilindros. O mais potente (258 cv) tem 2 litros de capacidade e equipa o 330i. Até ao lançamento do M340i xDrive, com mecânica de 6 cilindros e 3 litros, com 374 cv, manter-se-á como o desportivo da gama. E este estatuto assenta-lhe bem!
O Série 3 novo reposiciona a BMW no topo do segmento médio, ao lado do Classe C da Mercedes, a outra referência da categoria. Comparado com o antecessor, o automóvel da marca da hélice progride em todos os capítulos, da apresentação (exterior e interior) à dinâmica. Mas, como ótimo é inimigo do bom, a forma sobrepõe-se à função, a razão por trás da manutenção da habitabilidade e da capacidade da mala apenas medianas e o interior tem superfícies com qualidade que não combina com a imagem premium da marca, maioritariamente longe do alcance das vistas. Exceção: no painel de bordo, pele na zona do condutor, plástico na do passageiro. O primeiro enche o olho, o segundo não!
Concentrando-nos neste 330i, mais aplausos do que assobios. O motor foi otimizado para aumento da eficiência sem compromissos, facto que explica o rendimento excecional… Segundo a BMW, mesmo contando-se com 258 cv e 400 Nm sempre prontos para entrarem em cena no momento em que pressionamos o pedal do acelerador, o consumo médio é de apenas 5,8 l/100 km, registo que corresponde a 132 g/km de emissões de CO2. Mas, da teoria à prática, que distância. Conduzindo moderadamente, é impossível gastar-se menos de 7,6 litros. Ainda assim, até há muito pouco tempo, as diferenças entre os números dos fabricantes e os do quotidiano eram muito maiores. A mudança no protocolo de homologação do NEDC para o WTLP, produziu o resultado perseguido, ao aproximar a realidade da estrada da ficção dos testes em laboratório.
Apoiado por caixa com modo manual ativado de forma sequencial em patilhas de volante, recurso que funciona como estímulo à ação na condução, o motor de 4 cilindros reage energicamente ao acelerador e fá-lo desde baixo regime, comportamento responsável por aumento de velocidade contundente e progressivo, a imagem das melhores mecânicas sobrealimentadas. Nas recuperações, socorrendo-nos da fórmula do kick-down, conta-se com poder de fogo acima da média. E, assim, as ultrapassagens realizam-se muito fácil e rapidamente. Mas, sublinhamo-lo, explorando-se as qualidades do 4 cilindros, nomeadamente a capacidade de aceleração, os consumos aumentam de forma considerável.
Chassis ‘à medida’
Estas características sobressaem nos modos de condução mais desportivos. No 330i, existem quatro: Comfort (corresponde à configuração básica), Eco Pro (privilegia a eficiência ou a moderação no consumo), Sport e Sport+. Os programas atuam no funcionamento de todos os sistemas nucleares do BMW, desde logo na velocidade de resposta do 2 litros ao acelerador e na rapidez de passagem das relações. Ora, uma condução desportiva é possível apenas com o chassis competente que encontramos neste automóvel. Aqui, sublinhe-se a influência positiva de vários recursos inscritos na tabela de opcionais (na marca alemã e nas concorrentes diretas, trata-se de expediente normal para o agravamento da fatura a pagar…), nomeadamente do diferencial M (1350 €) e diversos itens integrados na versão M (5400 €), vide direção, rodas, suspensão e travões. Mas, por partes…
Na versão desportiva M, 330i com rodas de 19’’, com pneus mais largos no eixo motriz, suspensão com conjuntos amortecedores-molas menos flexíveis e rebaixada (10 mm) e direção variável. Somam-se, ainda, os travões exclusivos (identificam-nos pinças azuis), que proporcionam sensação de potência e resistência à fadiga muito acima da média e direção variável (melhora agilidade e precisão, com menos movimentos no volante). O comportamento do BMW também beneficia, enormemente, com a atuação do autoblocante mecânico, que otimiza a tração e a velocidade em curva, por limitar os movimentos da carroçaria durante as transferências de massa. Em contrapartida, a firmeza do amortecimento diminui a capacidade de filtragem do piso, penalizando a suavidade de rolamento.
O comportamento do 330i é muito desportivo. O controlo de estabilidade atua sempre no momento certo e de forma muito pouco intrusiva, o que proporciona maior liberdade de ação, ao contrário do que sucede com as outras assistências eletrónicas à condução, sobretudo a que monitoriza a manutenção do BMW na faixa de rodagem e intervém na direção, de forma a garantir que o automóvel não sai dos carris. Este sistema admite regulação da sensibilidade e até a possibilidade de desativação, mas segurança é muito mais importante do que o conforto!
No arranque da carreira comercial da 7.ª geração do Série 3, somente motores de 4 cilindros. Na gama de mecânicas a gasolina, unidade com 2 litros muito reativa aos movimentos no pedal do acelerador. O funcionamento da caixa automática de 8 velocidades permite aproveitá-la de forma ótima, também quando o objetivo é poupar combustível. Nestas circunstâncias, eficiência acima da média. Conduzindo de forma desportiva, chassis excecional, sobretudo recorrendo-se à lista de opcionais e equipando-o com suspensão M e autoblocante. Na agilidade, na estabilidade e na precisão, automóvel excecional.