A condução do Focus Active SW é como a da carrinha convencional da atual geração do modelo compacto da Ford, que se baseia em estreante plataforma, bastante modernizada e competente, e em nada perdendo na agilidade ou desembaraço devido ao ligeiro aumento da distância ao solo, que implicou afinação distinta do chassis para preservar a comprovada eficácia que garante à dinâmica do automóvel e acrescentar-lhe capacidade para enfrentar pisos mais degradados.
Para isso, dispõe de maior altura ao solo (+30 mm à frente e 34 mm atrás, com a adoção de novas molas maiores), além de exibir uma estética diferente dos demais Focus, caracterizada pelas proteções da carroçaria (para-choques dianteiro e traseiro, difusores dianteiro e traseiro e cavas das rodas), as barras de tejadilho em negro e as jantes em liga leve específicas de 17 polegadas com pneus 215/55 R17 – ou, em opção, de 18’’ 215/50 R18.
A versão Active acrescenta dois modos ao programa de condução que modifica o desempenho do veículo segundo as preferências de quem vai ao volante. São o Slippery (Escorregadio), para superfícies de precária aderência – o acelerador tem uma resposta mais passiva e os controlos de estabilidade e de tração adotam outra afinação para garantir maior fiabilidade em pisos de neve, gelo ou lama – e o Trail (Trilho), para percursos mais acidentados, em que ajusta o sistema ABS para permitir um maior deslizamento das rodas e configura o controlo de tração para que as rodas possam rodar mais soltas. Estas novas ferramentas de condução juntam-se às outras três das variantes não Active do Focus: Normal, Eco e Sport, que alteram a resposta do acelerador, a assistência da direção e o cruise control.
De resto, as virtualidades reconhecidas ao dinamismo do Focus que fazem deste um dos automóveis da sua classe mais ágeis, fáceis e agradáveis de conduzir. E um dos que melhor compatibilizam essa eficácia com a filtragem das irregularidades do piso, mesmo com o seu amortecimento de afinação firme. E como se disse, incólumes com as referidas alterações na suspensão da versão Active.
Por último, mas não menos importante, a previsibilidade inteligente e sensata da Ford continuar a rentabilizar o manancial de qualidades do motor a gasolina de três cilindros e 1 litros, o mais consagrado da família EcoBoost, aqui na versão mais potente, de 125 cv. Uma mecânica de excelência, que inovou no seu tempo, e foi precursora da revolução tecnológica em curso dos motores a gasolina, com arquitetura simples, baixa cilindrada, sobrealimentados para performances (rendimento e eficiência do consumo de combustível) incomparavelmente melhores aos antecessores, a sonoridade incluída.
A passagem de geração implicou igualmente o aperfeiçoamento dos interiores, desde logo, na habitabilidade nos lugares posteriores, onde esta é, digamos, mais sensível. Aplaude-se a extensão de todas as cotas, com relevância para a do comprimento (para as pernas), que esticou 4 cm para 72 cm totais entre os encostos dos dois bancos (frente e de trás). Ou ainda mais, na largura, porta a porta, que distendeu nada menos do que 8 cm para gordos 138 cm. E na altura houve discreto crescimento de 2 cm, mas suficiente passar a acomodar passageiros acima dos 1,85 metros sem rasparem a cabeça no tejadilho.
Volumetria superior também na bagageira, atingindo referenciais 608 litros, ampliáveis até 1653 litros através do rebatimento dos encostos dos bancos.
O Focus continua a ser melhor do que a sua imagem, incluindo a da sua própria marca. E nesta geração, mais ainda. Por isso, são sempre elogiáveis variantes ao modelo de base que confiram uma estética mais atrativa, e neste caso da versão Active, alguma exclusividade acrescida. No resto, um dos melhores automóveis da sua classe, na dinâmica, no conforto (mesmo com jantes 18’’), nas performances e no consumo.