A Europa abriu guerra ao Diesel e vê os PHEV como ‘lobos em pele de cordeiro’. A Mercedes associa Diesel a máquina elétrica, consegue baixos consumos e 80 km sem emissões num grande e pesado SUV de luxo. Quem é mais eficiente: a lei ou a máquina?
As politiquices europeias decidiram embirrar com os motores Diesel e, mais recentemente, também tomaram de ponta a solução híbrida Plug-In, alegando que os utilizadores dela não fazem o melhor uso, como se os fabricantes de tal tivessem culpa. Por isso, não deixa de ser interessante olhar para a Mercedes enquanto marca europeia e detentora de solução que alia, precisamente, o Diesel ao Plug-In, naquela que é uma das vias com melhor rácio entre os gastos com combustíveis e a versatilidade de utilização, sem constrangimentos.

No caso específico da nova geração GLE/GLECoupé, a marca da estrela conjuga o bloco 4 cilindros Diesel de apenas 2 litros de capacidade (194 cv e 400 Nm) a motor elétrico de 136 cv e muito influentes 440 Nm, para um rendimento combinado que atinge 320 cv e 700 Nm. O porte do GLE permite acoplar neste híbrido Plug-In uma bateria de grande capacidade para o género, de 31,2 kWh no total – para se ter uma ordem de grandeza, a bateria do 100% eletrificado Mazda MX-30 tem 35,5 kWh – suficiente para lidar com os consumos elevados de SUV tão volumoso e pesado, permitindo uma autonomia elétrica real superior a 80 km.
Com a bateria totalmente carregada (ao final de quase 12 horas em tomada doméstica; mas é bom não esquecer que o GLE é um PHEV que pode contar com opcional carregador de bordo para corrente contínua, admitindo um máximo de 60 kW, passando de 10 a 80% em meia hora) surge no painel de instrumentos indicação para 99 km de autonomia EV.
Realizámos os primeiros 50 km em circuito urbano e vias rápidas, com velocidade média de 55 km/h e sem ultrapassar os 100 km/h, e obtivemos consumo médio de eletricidade na ordem dos 23 kWh/100 km. Mas na manhã seguinte, com muito frio no exterior (0º C) e superior exigência de andamento, o consumo médio de eletricidade subiu até aos 31, nada de estranhar. Assim, e apenas com a preocupação de utilização normalizada e dentro dos limites legais, sem poupanças, o GLE 350 de Coupé percorreu os primeiros 100 km com uma única carga de bateria com média conjunta de 2,5 l/100 km de gasóleo somada a 21,4 kWh/100 km de eletricidade. Continuando a prova de consumo sem novo carregamento, ao final de 280 km, o computador de bordo indicava valores em torno dos 6,5 l/100 km.

Para gerir o trabalho do conjunto, além dos modos de condução Individual, Sport, Comfort e Eco, o GLE conta com os modos Electric (se existir carga na bateria para ação 100% eletrificada) e Battery Level, que preserva o nível da carga para ser usado mais tarde. Falta apenas um modo gerador, que force o carregamento em andamento – situação que poderá ser contornada se selecionado o modo Sport, que vai regenerando alguma da carga, desde que não se acelere em demasia.
Mesmo com mecânica Diesel de 4 cilindros é exímia a suavidade do liga/desliga, bem como a insonorização do GLE, em aceleração ou rolamento. O motor térmico desliga-se sempre que possível, com essa indicação a surgir no extremamente completo rol informativo do computador de bordo – apurámos 131 km sem emissões de gases de escape depois de percorridos 280.
Mais: além de todos os cuidados colocados na eficiência do conjunto e no refinamento geral, este GLE 350 de Coupé impressiona quer pelas lestas acelerações e recuperações, a fundo, quer também pela fluidez de utilização quotidiana em modo zero emissões, com os 440 Nm de binário do motor elétrico para tal contribuírem, num trabalho conjunto com a caixa automática de 9 velocidades, sistema de tração integral e gestão dos modos de condução.

Esta foi também a primeira experiência ao volante de uma unidade da recém-lançada gama GLE Coupé, que além da estética diferenciada face ao GLE normal, tem personalidade dinâmica própria assente numa distância entre eixos 60 mm mais curta e centro de gravidade rebaixado. As ligações ao solo estão a cargo da suspensão pneumática AirMatic, de suavidade e consistência ímpar independentemente do nível de firmeza escolhido e estado da estrada, sempre a preservar o bem-estar de qualquer viagem.
A bordo, o ambiente é forrado a sofisticação, vanguardismo e foco na digitalização, com o ecrã contínuo da instrumentação ao (completíssimo e graficamente atraente) sistema multimédia MBUX, controlado por comandos de voz, monitor tátil ou (menos preciso) touch pad. O interior pode ainda ser devidamente aprimorado ao nível dos acabamentos, elementos decorativos e equipamentos, como no caso da unidade ensaiada, através da Versão Premium Plus (15.950 €), onde não falta excelente sistema de som Burmester, bancos ventilados com funções de relaxamento, teto panorâmico, Pack Assistência à Condução, entre outros.
O GLE Coupé é um refinado, tecnológico e muito seguro SUV topo de gama, de caloroso ambiente interior e de exímia ligação de bem-estar com a estrada. Devido à conjugação de poupada mecânica Diesel a bateria de grandes dimensões, torna-se interessante solução híbrida Plug-In – em particular se a bateria for carregada – não só por a autonomia em modo elétrico estar ajustada às preces quotidianas, mas também pelo desempenho a fundo, digno de um premium!