O Toyota Camry regressa ao Velho Continente com o invejável estatuto de campeão de vendas: nos Estados Unidos, a berlina posicionada no topo da gama do fabricante japonês detém recorde comercial, sendo a viatura ligeira de passageiros mais vendida há 15 anos! Muito tempo consecutivamente no topo, e o mesmo de ausência no mercado europeu, por não ter conseguido impor-se comercialmente… E esta hein?
O que mudou de lá para cá? Praticamente tudo! Desde logo, o paradigma na indústria, com o Diesel a perder terreno para motorizações alternativas. Depois, a forma como a Toyota pensou a nova berlina híbrida de 218 cv, a partir de folha em branco. Tudo para explicar que, agora, na sua 8.ª geração (a 1.ª é de 82…), o Camry terá todos os trunfos de que necessita para se afirmar como porta-estandarte de nova família de modelos da marca, também, neste lado do Atlântico. Começando na estampa imponente de medidas avantajadas (4,8 m de comprimento, 1,84 m de largura, 1,4 m de altura e 2825 mm de distância entre eixos), passando pelo visual moderno, que não tem o estilo irreverente de um C-HR nem elementos vincadamente racing inspirados, por exemplo, no Supra, mas é elegante e conservador como convém em modelo dirigido a cliente-tipo em idade mais madura, lançado também a pensar (muito!) nas frotas.
Por fim, a técnica de ponta. O destaque vai inteirinho para a tecnologia híbrida, com o novo 4 cilindros de 2,5 litros Hybrid com 218 cv no total, e que integra avançadas tecnologias da Toyota, como o VVT-i Dual com VVT-iE (sistema inteligente de abertura variável de válvulas para motorizações híbridas) e D-4S (versão superior do motor a gasolina de injeção direta) para otimizar potência, minimizar emissões e favorecer a eficiência do consumo de combustível. Além disso, o conjunto híbrido utiliza a tecnologia Sequential Shiftmatic, que permite ao condutor fazer as passagens da caixa (do tipo de variação contínua) através do seletor na consola, imitando o funcionamento de uma caixa automática convencional de seis velocidades. Aplauda-se o bom nível das prestações, a suavidade e resposta do sistema híbrido, capaz de acelerar o Camry sem esforço em todas as solicitações da condução. A troca de relações, sendo artificial, torna a experiência mais interativa.
Dinamicamente, o novo topo de gama japonês beneficia do facto de estar assente em plataforma ótima, a nova arquitetura global da Toyota (TNGA), com que se pretende estabelecer novo padrão de qualidade e sofisticação tecnológica aos seus veículos.
A forma ágil e segura como se deixa conduzir com dois dedos é mérito desta estrutura leve e altamente rígida, mas o baixo centro de gravidade do veículo e a boa capacidade de processamento do conjunto mola/amortecedor ajudam a explicar qualidade de rolamento, conforto e estabilidade acima da média, mesmo se a reação é a típica de berlina avantajada, com trejeitos de limousine, privilegiando o conforto. Aqui, às de trunfo contra a maioria dos concorrentes diretos, valendo-se também da capacidade de ser movimentado só com motor elétrico, além do impulso do mesmo associando-se à unidade térmica, em aceleração, fazendo com que o Camry deslize com suavidade sobre o asfalto.
Para o bom feeling a bordo, também contribuem obviamente os acabamentos de topo no seu habitáculo, corretíssimo do ponto de vista da ergonomia, funcional e prático. Espaço também não falta para cinco adultos viajarem em classe executiva: os bancos traseiros rebatem-se manualmente ou através de comando elétrico, a partir de ecrã tátil montado no apoio de braços central, e através do qual é possível comandar, também, a climatização e o sistema de som. A bagageira, com 524 litros, mais do que satisfaz.
Além de extremamente espaçoso, o interior do Camry faz-se acompanhar pela construção rigorosíssima. A posição de condução roça a perfeição (banco e volante ajustáveis eletricamente), com as poltronas dianteiras a servirem ótimos apoios.
Na apresentação do painel de bordo, destaque para a versão mais recente do sistema multimédia Touch 2, com o ecrã de 7” na instrumentação, head-up display de 10” e monitor de 8” na consola central. O nível de equipamento Limousine, da versão que ensaiámos, é o mais requintado de três acabamentos disponíveis (Executive e Elegance são os outros), e caracteriza-se pela dotação sem falhas, quer em matéria de equipamentos de conforto, quer nos dispositivos de segurança, a que acrescenta pormenores que ajudam a fazer a diferença, como a cortina escamoteável no óculo traseiro, que recolhe automaticamente sempre que engrenamos a marcha-atrás, ou o monitor de condução eficiente que sinaliza, por exemplo, um vidro que não está completamente fechado quando rolamos a velocidade cruzeiro através de mensagem no painel de instrumentos, sendo possível fechá-lo apenas respondendo OK na referida janela de texto. Prático.
Tudo para dar certo: além do caloroso acolhimento do habitáculo superiormente equipado, o Camry demarca-se quer pela suavidade de rolamento, quer pela imunidade face a ruídos exteriores. O grupo propulsor híbrido, com 218 cv, também é trunfo valioso, competente em todas as situações de condução, mas melhor adaptado a ambientes urbanos e velocidades baixas constantes, onde o consumo poderá aproximar-se dos 6,6 l/100 km.